Estudo desenvolvido por bolsistas do PIBID no IF Baiano utilizou dinâmicas como “Batata Quente” e “Passa ou Repassa” em turma do Curso Técnico em Agroindústria do Campus Senhor do Bonfim
Um relato de experiência desenvolvido por estudantes do IF Baiano no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) foi publicado na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação (REASE), na edição de agosto de 2026.
O artigo descreve o uso de metodologias ativas durante a disciplina de Microbiologia Geral de Alimentos em uma turma do 1º ano do curso técnico em Agroindústria do IF Baiano – Campus Senhor do Bonfim, entre março e junho de 2026. O trabalho foi desenvolvido pelas bolsistas PIBID Carla Liriel e Renata Santana, graduandas no curso de Licenciatura em Ciências Agrárias, e coordenado pela professora Calila Teixeira e pelo coordenador de área do PIBID, professor Juracir Santos.
A publicação está disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/29670
Durante cerca de três meses, as bolsistas acompanharam as aulas da disciplina de Microbiologia Geral de Alimentos, durante o primeiro semestre letivo deste ano. Com a observação, foram percebidas dificuldades como insegurança dos estudantes com o manuseio de materiais laboratoriais e uma dificuldade recorrente nesta disciplina: compreender conteúdos e conceitos complexos e abstratos.
Ao longo do semestre, elas acompanharam o planejamento de aulas teóricas e práticas laboratoriais em conjunto com o professor responsável pela disciplina. Além das aulas expositivas, foram incorporadas práticas e dinâmicas com o objetivo de ampliar a participação da turma.
Entre as estratégias aplicadas estão as dinâmicas “Batata Quente” e “Passa ou Repassa”, além da modelagem didática de bactérias e de um formulário avaliativo elaborado no Google Forms, desenvolvidas a partir da observação da turma e do planejamento conjunto com o professor. “Dessa forma percebemos que podíamos tornar o assunto mais leve e com a participação ativa dos alunos, principalmente no momento de revisão para que fixasse o conteúdo”, afirma a bolsista Carla Liriel.
A dinâmica “Batata Quente” foi aplicada após a aula de reconhecimento e manuseio dos materiais de laboratório. “Elaboramos perguntas sobre os equipamentos, as normas de biossegurança e os procedimentos que eles tinham acabado de estudar. A intenção era revisar o conteúdo de uma maneira mais leve, mas também perceber as dúvidas que tinham”, detalha Carla.
Já o “Passa ou Repassa” foi construído a partir do roteiro da aula prática de Coloração de Gram, abordando materiais, reagentes, sequência da técnica e interpretação dos resultados. A dinâmica foi aplicada em dois momentos distintos: antes da prática para uma metade da turma e após a prática para a outra, o que permitiu comparar os efeitos.



Estudantes durante a dinâmica “Passa ou Repassa”. Imagens: arquivo das bolsistas do projeto.
A participação dos estudantes foi um dos aspectos observados ao longo do semestre. “No início, alguns eram mais tímidos e demonstravam certa insegurança para participar das discussões, mas, à medida que as atividades foram sendo desenvolvidas, eles começaram a se envolver mais, interagir com os colegas e responder com mais confiança”, relata a bolsista Renata Santana.
Ela também relembra que, durante a dinâmica da “Batata Quente”, os estudantes passaram a compartilhar informações e esclarecer dúvidas entre si. Já na aplicação do “Passa ou Repassa” após a prática de Coloração de Gram, “os estudantes demonstraram mais segurança nas respostas e conseguiram relacionar melhor as perguntas com aquilo que tinham acabado de fazer no laboratório”.
Para a estudante Renata Santana a vivência aproximou as bolsistas da rotina do trabalho docente. “Participamos do planejamento, acompanhamos os estudantes, auxiliamos nas práticas de laboratório, elaboramos atividades e também tivemos a oportunidade de aplicar essas metodologias com a turma. Isso fez com que começássemos a entender melhor como funciona o planejamento e a aplicação de uma aula”, comenta.
A iniciativa também ajudou as futuras licenciadas a refletir sobre os desafios práticos em sala de aula, que nem sempre estão previstos na formação teórica. “Conseguimos aprender bastante e inclusive perceber que nem tudo é realizado conforme o planejamento e que temos que sempre adaptar e reorganizar para as demandas do momento”, afirma Santana.