Sistema foi elaborado com a participação de alunos e professores do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Campus Guanambi
Um projeto desenvolvido pelo Instituto Federal Baiano (IF Baiano) – Campus Guanambi está modernizando o funcionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) no município. Desde a última terça-feira, 4, a Central de Regulação Médica passou a utilizar o SIRUS (Sistema Integrado de Regulação e Urgência em Saúde), sistema que substitui o registro em papel por uma plataforma digital integrada.
Segundo o docente Carlos Anderson Silva, doutor em Inovação Tecnológica e coordenador do projeto, a mudança busca dar mais agilidade ao atendimento, melhorar o fluxo de informações e ampliar a capacidade de gestão por meio de indicadores em tempo real.
“A iniciativa nasceu da identificação de um gargalo crítico no atendimento em Guanambi: o uso exclusivo de formulários de papel. Percebemos que o preenchimento manual gerava lentidão, riscos de rasuras e dificuldade na organização dos dados. O objetivo foi criar uma solução tecnológica que digitalizasse o atendimento, garantindo que a informação fluísse mais rápido”, explica o professor.
Com o sistema, os dados passam a ser inseridos digitalmente desde o primeiro contato, processo que antes era feito de forma manual, exigindo mais tempo da equipe e dificultando o levantamento de informações.



Em junho de 2025, foi firmada uma parceria entre o Fundo Municipal de Saúde de Guanambi e o IF Baiano, com o objetivo de melhorar os processos de negócios e regulação médica do SAMU 192 – Regional de Guanambi.
Segundo o coordenador, essa aproximação com o poder municipal ocorre desde 2024, visando transformar o conhecimento acadêmico em ferramentas práticas para a gestão pública municipal, “informatizando as etapas da regulação médica e transformando os dados operacionais em apoio para as decisões da gestão”.



Mesmo na versão 1.0, o sistema já apresenta impactos no funcionamento da central de regulação. Entre os principais resultados estão a redução de erros de digitação e a eliminação de fichas ilegíveis, além da geração automática de documentos parcialmente preenchidos, o que reduz o tempo gasto pela equipe médica e pelos rádio-operadores.
Outra mudança importante é a centralização das informações em uma única plataforma, permitindo que o médico regulador visualize todos os chamados em espera em uma mesma tela, o que facilita a priorização de casos mais graves.
O desenvolvimento do sistema contou com a participação direta de professores e estudantes do curso de graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (ADS). Ao todo, 17 estudantes já participaram do desenvolvimento do sistema, sendo 14 atualmente ativos no projeto.
Um dos integrantes da equipe, o estudante Jader Miranda conta que trabalhar no projeto foi uma experiência desafiadora e ao mesmo tempo enriquecedora. “Trabalhar em um projeto que auxilia diretamente no atendimento de emergências traz uma motivação extra, pois sabemos que a tecnologia desenvolvida pode contribuir para salvar vidas“, refletiu o graduando que participou de praticamente todas as etapas do projeto, desde o levantamento de requisitos e modelagem do sistema até o desenvolvimento de funcionalidades importantes, como o módulo de abertura de chamados.
Atualmente, ele e outros alunos continuam contribuindo no suporte pós-implantação, acompanhando o uso do sistema no dia a dia e auxiliando a equipe do SAMU e desenvolvedores nas demandas que surgem.
O SIRUS também conta com registro formal junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), expedido em outubro de 2025. Com a emissão do Certificado de Registro de Programa de Computador, que valida o sistema como propriedade intelectual oficial, o Instituto Federal F Baiano passa a contar com a proteção do sistema por 50 anos.
Além da operação em Guanambi, o sistema foi projetado com uma estrutura que permite adaptação e reaproveitamento em outras bases do SAMU no país. Com o sistema já registrado e validado no localmente, o foco agora passa a ser a expansão para outras centrais de regulação que compõem a rede de urgência, padronizando o fluxo de dados.
Entre os próximos passos também estão tratativas para garantir a interoperabilidade das informações, permitindo que os dados gerados no SIRUS possam se integrar a sistemas hospitalares e formar um histórico clínico digital que se inicia no momento do chamado e acompanha o paciente até a alta.
Imagens: arquivo do projeto
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