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Mulheres que crescem com a ciência
Atualizado em 11 de fevereiro de 2021 às 16:27 horas | Publicado em 11 de fevereiro de 2021 às 8:45 horas

Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência: conheça a trajetória de três pesquisadoras que têm crescido no IF Baiano

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O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é celebrado no dia 11 de fevereiro e foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), visando estimular o acesso e a participação feminina plena e igualitária na ciência.  Segundo a ONU, nos últimos 15 anos, a comunidade global fez um grande esforço para inspirar e envolver mulheres e meninas na ciência. No entanto, elas continuam sendo excluídas de participar plenamente da ciência. Até 2020, menos de 30% dos pesquisadores no mundo eram mulheres.

Para inspirar meninas a fazerem ciência e divulgar nomes de jovens pesquisadoras, neste 11 de fevereiro, apresentaremos a trajetória de três mulheres que estão crescendo com a ciência. Elas estão em diferentes momentos e níveis acadêmicos e iniciaram suas carreiras no IF Baiano.

Nível médio

A aluna do segundo ano do curso técnico em Agroindústria do Campus Governador Mangabeira, Luana Maria Borges Mota, ingressou na instituição em 2019 e nesse mesmo ano teve oportunidade de participar de um projeto de pesquisa. Ela ainda não conhecia nada sobre o universo da pesquisa científica, entrou em um projeto já em andamento como bolsista substituta e agarrou a chance de se tornar pesquisadora. “Era algo muito novo para mim, mas encarei como uma oportunidade única, pois sabia que seria interessante para o meu currículo Lattes e para o meu desenvolvimento pessoal e acadêmico”, conta a aluna.

Com o projeto, que estudava plantas de milho submetidas a um bioestimulante vegetal e diferentes fontes de água de irrigação, Luana participou de sua primeira Mostra de Iniciação Científica do IF Baiano – MIC 2019 e ganhou a premiação em terceiro lugar. No mesmo ano, a aluna participou da Olimpíada Baiana de Biologia e recebeu medalha de prata. Atualmente, em seu terceiro projeto de pesquisa, ela trabalha com bioinformática na caracterização in silico da família gênica oxidase alternativa de mamona.

Biologia é a disciplina preferida de Luana que sonha em cursar medicina e se pós-graduar em neurociência. “Antes de entrar no Instituto Federal eu tinha uma percepção muito distorcida em relação à pesquisa científica. Eu achava que era algo muito fora da realidade e que para ingressar nesse universo precisaria solucionar algum problema enorme do mundo”, relata. Hoje, ela sabe que fazer ciência não é algo inacessível e que meninas questionadoras e curiosas como ela podem ir longe solucionando pequenos problemas.  “Cada pergunta solucionada gerava mais e mais questionamentos dentro de mim. Eu acho que isso é fundamental para quem pensa em se tornar um cientista ou um pesquisador, essa vontade insaciável de buscar respostas e não se contentar com pouco”, explica.

Nível superior

Ana Luiza de Souza dos Santos, de 19 anos, já está em outro momento da vida acadêmica. Ela começou a pesquisar no ensino médio, assim como Luana, cursando o Técnico em Alimentos no Campus Catu. Após participações em eventos, publicações e premiações, a aluna segue crescendo e se desenvolvendo dentro da Instituição e, hoje, já está no curso superior de licenciatura em Química no mesmo campus.

Foi ao ver sua avó tratar a dor de ouvido de uma criança com o uso de uma planta (a folha de Arruda), que Ana Luiza despertou para a ciência. Ela queria saber as explicações científicas por traz da prática popular exercida por sua avó e, ao se interessar pela planta, descobriu uma série de possibilidades para o seu uso. O projeto “Avaliação in vitro do Extrato de Neem (azadirachta Indica) e Arruda (Ruta Graveolens) sobre teleóginas de carrapato bovinos”, que derivou de suas investigações sobre a Arruda, recebeu três premiações nacionais em primeiro lugar e chegou a ser finalista da XXI Exporecerca Jove (2020), na Espanha, e também da Feira Brasileira de Jovens Cientistas (FBJC 2020), na qual recebeu a premiação de 1° Lugar na área de Ciências Agrárias e prêmio de Honra em Educação e Ciências da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil.

Para a aluna, a Iniciação Científica deu à ela a perspectiva de se projetar como uma futura pesquisadora e continuar na instituição no ensino superior tem permitido que ela siga na área, onde iniciou suas investigações científicas. Na faculdade, ela pretende aprimorar conhecimentos que adquiriu no ensino médio, buscar novas áreas dentro da pesquisa científica, explorar ao máximo esse universo e levar para as pessoas esses conhecimentos, através da extensão. “Vejo o IF Baiano como um espaço de possibilidades, onde os alunos têm um potencial enorme. Com isso, a instituição busca desenvolvê-los a partir do que eles e elas são e do que gostam de fazer”, afirma.

Ana Luiza acredita que mesmo com avanços importantes para a equidade de gênero na ciência, as mulheres ainda têm muito a conquistar e grandes desafios para vencer. “[Precisamos] conquistar nosso espaço, fazer com que o meio científico seja mais diverso e representativo, precisamos de mais representatividade de jovens mulheres e incentivo para que mais jovens possam querer ingressar na ciência”, contou. A aluna, que estuda para ser professora de Química, adoraria ingressar mais uma vez no IF Baiano na condição de docente, depois do longo percurso de qualificação que pretende seguir.

Docência

Foi isso que aconteceu com a professora de Biologia, Jacqueline Araújo Castro. Ela cursou o ensino médio integrado ao técnico em Agropecuária na Escola Agrotécnica Federal de Santa Inês (EAFSI), entre 2001 e 2003, hoje IF Baiano Campus Santa Inês. Em 2016, retornou à escola como professora do Campus Santa Inês, onde pôde reencontrar antigos professores na condição de colega. Atualmente, Jacqueline está lotada no Campus Governador Mangabeira e é orientadora de Luana, a aluna que abriu esta reportagem.

Filha de assentados, Jacqueline ingressou na EAFSI aos 14 anos e lá teve o primeiro contato com o método científico e acesso a uma educação de qualidade que mudou sua vida. “O fato de estudar na Rede Federal me permitiu, primeiramente, experimentar uma educação cuidadosa com a aprendizagem do estudante, bem como despertar o apreço pela ciência e admiração pelos caminhos acadêmicos”, relata.

Dessa educação transformadora ela destaca as experiências que mais a marcaram: as atividades práticas nos setores produtivos, cursar disciplinas que tratavam de processos que estavam presentes no cotidiano rural de sua família, ouvir discussões sobre aspectos sociais que a ajudaram a entender seu lugar, enquanto assentada, na política de reforma agrária, e, ainda, ter a experiência de ser estimulada por professores a seguir a carreira docente.

Nesse contexto, ao concluir o ensino médio, ela conseguiu aprovação em uma universidade pública, tendo a compreensão de que poderia ocupar aquele espaço, mesmo sendo uma estudante de baixa renda e a primeira pessoa de sua família a ingressar em um curso superior. Ela conta que não foi um caminho fácil. Para manter os custos em outra cidade, ela precisou trabalhar e contou ainda com a ajuda de seus pais que se sacrificaram para assisti-la.

Assim, a jovem cientista conseguiu concluir sua graduação, em seguida, ingressar no mestrado e, por fim, no doutorado em Genética e Biologia Molecular. Como docente, ela já passou pela Rede de Ensino do Estado da Bahia, pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins (IFTO), até chegar ao IF Baiano, onde desenvolve pesquisas na área de Genética e Biologia Molecular com enfoque em Bioinformática. Além de publicações de artigos em eventos e periódicos, a docente publicou, em 2020, o livro “Bioinformática como Objeto de Aprendizagem Digital (OAD) para o ensino da Biologia Molecular”.

Com tantas dificuldades superadas até se tornar a cientista que é hoje, e embora acredite que a dedicação é um componente necessário na construção da vida acadêmica, a docente não considera saudável romantizar o sofrimento e as privações, pois “a pobreza é limitante e capaz de nos furtar cuidados básicos”, afirma. Para as meninas que querem se tornar cientistas e enfrentarão barreiras socioeconômicas e de gênero, ela deixa a seguinte mensagem. “Diria, primeiramente, que não se amedrontem diante dos difíceis caminhos que escolheram trilhar, também diria que, para além das situações pessoais, existe uma conjuntura política da qual não podemos nos ausentar, pois é espaço de luta para busca de direitos”.

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