Pela primeira vez, uma mulher assume o cargo máximo da instituição
A história do Instituto Federal Baiano ganhou um novo capítulo. Pela primeira vez desde a criação da instituição, uma mulher assume o cargo máximo de gestão. A solenidade de integração institucional da gestão 2026–2030 e posse simbólica da Reitora Ozenice Silva, realizada na Base Naval de Aratu, em Salvador, celebrou esse marco histórico e reuniu servidores, estudantes, gestores, representantes da Marinha do Brasil e convidados em um momento de acolhimento, apresentação da nova equipe gestora e reflexão sobre liderança, representatividade e transformação social.

Mais do que uma cerimônia administrativa, o encontro foi conduzido pela ideia de que a chegada de uma mulher à Reitoria representa mudanças que ultrapassam os limites da instituição. O evento foi aberto pelo “Painel Mulheres Inspiradoras”, reunindo cinco mulheres com trajetórias marcadas pela superação e pelo poder transformador da educação: Luana de Brito, Alicia Deluna, Fernanda Machado, Rafaela Magalhães e Ozenice Silva.





Ao refletir sobre o significado da eleição da primeira mulher reitora do IF Baiano, a professora e pesquisadora Fernanda Machado destacou o caráter simbólico e transformador desse momento.
“Quando fui instada com a pergunta ‘o que pode provocar o fato de uma mulher chegar ao cargo mais alto de uma instituição tão potente quanto o IF Baiano?’, eu pensei em pelo menos duas coisas: isso pode trazer ao mesmo tempo ruptura e avanço. Ruptura porque há uma rasura necessária com o status quo de uma sociedade basicamente patriarcalista e racista. Ao mesmo tempo, há um avanço, porque abre-se uma centelha de esperança para pessoas como nós, para percebermos que não é só uma possibilidade, mas é concreto, é algo real.”
A fala dialogou com a experiência de Rafaela Magalhães, docente do IF Baiano e mulher com albinismo e deficiência visual, que ressaltou a importância da representatividade como instrumento de transformação coletiva. “Representatividade não é apenas sobre presença, é sobre mudar o imaginário social construído. Quando nós ocupamos esses lugares, a responsabilidade é abrir portas para que outras ocupem também. Quando cada uma de nós abre portas, chega a hora de quebrar muros para que tantas outras entrem, ocupem, permaneçam e transformem.”
As histórias compartilhadas pelas participantes evidenciaram desafios enfrentados por mulheres em diferentes contextos e reforçaram o papel da educação como ferramenta de mobilidade social e construção de oportunidades.
Entre as histórias apresentadas, a da reitora Ozenice Silva emocionou o público ao relembrar sua origem no campo e os caminhos percorridos até chegar ao cargo mais alto da instituição.
Neta, sobrinha e filha de mulheres trabalhadoras rurais, Ozenice contou que começou a trabalhar ainda criança para ajudar os pais no sustento da família de oito filhos. Recordou os tempos em que seguia para a escola levando um caderno e um livro dentro de uma sacola plástica, movida pela convicção de que os estudos poderiam transformar sua vida.
Primeira pessoa da família a ingressar na universidade, ela destacou que a educação representava não apenas uma oportunidade individual, mas uma possibilidade de mudança para todos ao seu redor. Ao refletir sobre sua chegada à Reitoria, Ozenice ressaltou que sua trajetória representa muitas outras mulheres.
“Eu sou essa mulher que veio de origem humilde, essa mulher que dialoga, essa mulher que sabe pensar a educação, essa mulher que sabe fazer ciência. Mas, acima de tudo, sou uma mulher que precisa ser gente. Antes de qualquer espaço de poder, o importante é se reconhecer como indivíduo que não deve ter negado um espaço neste mundo.”
Em outro momento, sintetizou o significado da ocupação de espaços historicamente negados às mulheres: “O espaço de poder não é uma questão de permissão, é uma questão de empurrar cercas.” A reitora também destacou o papel que uma mulher na gestão pode exercer na transformação institucional.
“Primeiro a gente precisa pensar nessas mudanças de espaço, mexer com a estrutura que temos consolidada, que é uma estrutura machista. Uma gestora nessa estrutura vai trazer um olhar diferenciado para esses valores e buscar fazer com que a instituição pense, olhe e entenda essas necessidades de mudança.”
Dirigindo-se às estudantes do IF Baiano, deixou uma mensagem de incentivo:
“Nunca desista. É preciso que você se reconheça como indivíduo que tem condição de fazer mudanças e de ocupar espaços de decisão. Posicionar-se no mundo é o caminho para as mudanças.”
Antes de iniciar seu pronunciamento, a reitora Ozenice Silva abriu espaço para a voz estudantil, convidando ao palco duas representantes dos movimentos discentes: Ailla Maria dos Santos Teixeira, do Campus Catu, em nome dos estudantes do ensino médio, e Camila Abdon, do Campus Catu, representando o Diretório Central dos Estudantes. O gesto reforçou a valorização do protagonismo discente e do diálogo com os estudantes na construção da nova gestão do IF Baiano.


Após o painel, foi composta a mesa de autoridades, que marcou oficialmente a apresentação da equipe responsável pela condução do IF Baiano nos próximos quatro anos.
Participaram da mesa a reitora Ozenice Silva; o Capitão de Mar e Guerra Fabrício Neves Cosendey; o Comandante da Base Naval de Aratu, Capitão de Mar e Guerra Leonardo Lopes Pereira da Silva; a diretora-executiva Heloísa Martins; a pró-reitora de Desenvolvimento Institucional, Kátia de Fátima Vilela; o pró-reitor de Ensino, Carlito José de Barros Filho; a pró-reitora de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação, Fernanda Alves de Santana; a pró-reitora de Extensão, Suêde Santos Barbosa; o pró-reitor de Administração e Planejamento, Arlem Souto Barros; a diretora de Gestão de Pessoas, Luciana Cleide da Cruz Damasceno; a diretora de Comunicação, Cristina Mascarenhas; e o diretor de Gestão da Tecnologia da Informação, Rogério Mangabeira.
A cerimônia representou, assim, um momento de integração institucional e de apresentação dos pró-reitores e diretores que compõem a gestão 2026–2030 à comunidade do IF Baiano.


A solenidade também evidenciou o fortalecimento da parceria entre o IF Baiano e a Marinha do Brasil, especialmente com a implantação da futura unidade do Instituto em Paripe, próxima à Base Naval de Aratu. Representando o Comandante do 2º Distrito Naval, o Capitão de Mar e Guerra Fabrício Neves Cosendey ressaltou a importância da cooperação entre as instituições e o potencial transformador da educação para a região.
“Construímos uma ponte com o IF Baiano recentemente e uma parceria que imagino que vai gerar muitos frutos para a nossa região. O IF Baiano vai trazer para cá essa educação que realmente transforma”, afirmou.
Fabrício também relacionou o momento histórico vivido pelo Instituto aos avanços da presença feminina em espaços de liderança, destacando que a Marinha foi a primeira força armada brasileira a admitir mulheres em seus quadros e que elas vêm ocupando, cada vez mais, postos de comando.


Já o comandante da Base Naval de Aratu, Capitão de Mar e Guerra Leonardo Lopes Pereira da Silva, destacou a satisfação da Marinha em sediar uma cerimônia que reuniu representantes das 18 unidades do IF Baiano e reforçou o compromisso da instituição com a parceria. “É muito salutar que nós tenhamos essa parceria e que ela seja extremamente profícua”, afirmou.
Segundo Leonardo, desde a assinatura do acordo de cooperação, em 2023, mais de 60 jovens já foram beneficiados por cursos ofertados pelo IF Baiano na Base Naval, ampliando suas oportunidades de formação profissional.
“Quem sai ganhando é a sociedade baiana, a sociedade soteropolitana e, principalmente, o Subúrbio Ferroviário”, destacou. Ao comentar as expectativas para os próximos anos, Leonardo reforçou a disposição da Marinha em continuar apoiando os projetos da instituição. “A Base vai continuar sempre à disposição para dar todo o suporte necessário para que essa seja uma unidade bem-sucedida”, afirmou.



A solenidade foi conduzida pelo mestre de cerimônias Felipe Grimaldi e contou com interpretação em Libras de Daniella Brito de Oliveira Cotrim e Joatã Mota de Jesus.
A programação incluiu a execução do Hino Nacional e uma apresentação musical da egressa do Campus Governador Mangabeira, Manoelem de Souza Pereira da Silva, que também encerrou o evento com uma composição autoral.
Após a cerimônia, servidores e convidados participaram de um momento de confraternização no Hotel de Trânsito do INEMA, localizado na Base Naval de Aratu. O encontro proporcionou integração entre os participantes e celebrou o início de uma gestão que entra para a história do IF Baiano ao ser liderada, pela primeira vez, por uma mulher.

Endereço: Rua do Rouxinol, nº 115 – Bairro: Imbuí | Salvador - BA CEP: 41720-052 | CNPJ: 10.724.903/0001-79 | Telefone: (71) 3186-0001
E-mail: gabinete@ifbaiano.edu.br