Iniciativas unem estudantes, servidores e comunidade em ações que promovem sustentabilidade no Campus Governador Mangabeira
O que antes seria descartado agora ganha novos significados. No Instituto Federal Baiano (IF Baiano) – Campus Governador Mangabeira, roupas, papelão, garrafas PET, restos de madeira e outros materiais estão sendo transformados em oportunidades de aprendizagem, criação e impacto social por meio dos projetos LABORARTES (Laboratório de Tecnologias Sociais e Extensão Comunitária) e Ateliê Costurando Futuros, ambos coordenados pelo professor de artes do campus, Elísio José.
As iniciativas unem estudantes, servidores e comunidade em ações que promovem sustentabilidade, formação cidadã e inovação social por meio do reaproveitamento de materiais e da construção coletiva de soluções para demandas reais do território.
Os dois projetos fortalecem a relação entre a instituição e a comunidade, mostrando que aquilo que parecia não ter mais utilidade pode se transformar em conhecimento, inclusão e novas oportunidades.
O projeto LABORARTES teve início em março de 2026, a partir da percepção do professor de Artes, Elísio José, de que muitas comunidades enfrentam desafios cotidianos e possuem criatividade e disposição para transformá-los, mas nem sempre contam com infraestrutura, equipamentos ou apoio técnico para desenvolver soluções.
Dessa necessidade surgiu o LABORARTES, pensado para atuar como uma ponte entre o IF Baiano e a comunidade, aproximando o conhecimento produzido na instituição das demandas reais do território. O projeto tem como objetivo criar um ambiente de inovação social onde estudantes e comunidade possam desenvolver soluções criativas, sustentáveis e acessíveis para desafios locais.


Já o Ateliê Costurando Futuros nasceu com a proposta de promover formação, reaproveitamento de materiais e geração de oportunidades por meio de atividades ligadas à costura, customização, reparo e transformação de peças têxteis.
“Embora tenham objetivos específicos, os dois projetos compartilham a mesma visão: utilizar educação, criatividade e trabalho colaborativo para gerar benefícios sociais, ambientais e formativos para a comunidade”, destaca o professor.
Os projetos são voltados principalmente para a comunidade externa, atendendo famílias, associações e grupos sociais, mantendo um caráter comunitário e colaborativo. As ações atendem desde pessoas que desejam utilizar o ateliê para realizar pequenos reparos em uma peça de roupa até grupos interessados em produzir ou transformar diversas peças têxteis.
Atualmente, uma das principais ações em andamento envolve peças doadas pela Receita Federal. Os materiais passam por um processo de descaracterização antes de serem destinados à comunidade.
“No caso da ação atual com as peças recebidas da Receita Federal, os beneficiários finais serão tanto estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica quanto membros da comunidade externa que serão contemplados por meio das doações após a descaracterização dos produtos”, explica o professor.



Nos projetos LABORARTES e Ateliê Costurando Futuros, os estudantes ocupam papel central no desenvolvimento das ações. Eles participam do planejamento das atividades, da organização dos materiais, do contato com a comunidade, do levantamento de demandas e da execução das soluções.
Samuel Lucas dos Santos, estudante do curso técnico integrado em Informática e bolsista do LABORARTES, participa desde as primeiras etapas do projeto, atuando no acolhimento à montagem da sala, passando pela contagem e registro dos materiais recebidos da Receita Federal, pela descaracterização das peças e pelos testes iniciais. “A principal experiência adquirida foi compreender a proposta do LABORARTES, que é restaurar roupas que reflitam a identidade do IF Baiano, por meio da customização e da criação de novos padrões para a instituição”, conta o estudante.
No Ateliê Costurando Futuros, os estudantes aprendem a ter uma visão crítica sobre a importância da sustentabilidade no contexto da moda. Stefane Mascarenhas, estudante do curso técnico em Agroindústria, participa do projeto auxiliando na descaracterização das peças recebidas. Ela atua na retirada das logos das marcas para possibilitar a customização, e reflete: “Moda vai muito além de marcas caras e peças de diferentes estilos. Ela envolve sustentabilidade e reutilização de peças que iriam para o lixo ou que ficariam guardadas”.
Esse protagonismo também é resultado das metodologias adotadas. Uma delas é uma atividade denominada “Identificando problemas com empatia”, por meio da qual os estudantes compartilham desafios observados ou vivenciados em suas próprias comunidades e, em grupo, discutem possíveis soluções para essas situações. A dinâmica busca estimular a escuta, a colaboração e a construção de respostas conectadas à realidade local.
“Isso coloca o estudante no papel do colega que vivencia o problema real e constrói uma ponte de empatia que tem sido essencial para pensar soluções possíveis, evitando apenas reproduzir modelos prontos que muitas vezes não dialogam com a realidade local”, explica Elísio.
Entre os principais objetivos dos projetos está a consolidação dos projetos como um espaço permanente de referência para ações de extensão e tecnologias sociais no Campus Governador Mangabeira. Para isso, os próximos passos envolvem a realização de oficinas e formações, a produção de materiais educativos e a disseminação das experiências construídas ao longo do processo.
Segundo o professor Elísio José, um resultado importante já pode ser observado nesta fase inicial: a mobilização de estudantes e parceiros em torno de ações concretas, como a organização e a destinação social dos materiais recebidos da Receita Federal. A expectativa é que essas iniciativas contribuam para unir formação, cidadania, sustentabilidade e compromisso social em benefício da comunidade.
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