Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO




PortugueseEnglishSpanishFrenchChinese (Simplified)Japanese

Combate ao Coronavírus

ACESSE AQUI
Abertura do II Congresso do IF Baiano move debate pela diversidade na ciência
Atualizado em 26 de novembro de 2021 às 21h42 | Publicado em 24 de novembro de 2021 às 09h56

Mesa virtual e conferência de abertura pautaram relevância da ciência durante a pandemia e diversidade na construção do saber

Compartilhe nas redes sociais:

Refletir sobre as atividades de Ensino, Pesquisa, Extensão e Internacionalização durante o período de pandemia é a proposta que norteia a segunda edição do Congresso do IF Baiano, evento iniciado nesta terça-feira, 23. Mas, para além dos desafios da crise sanitária, a abertura oficial tocou em outros assuntos fundamentais e atuais, à exemplo do debate sobre diversidade e inclusão na construção do conhecimento científico.

Com os representantes dos eixos de base do IF Baiano e da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, a abertura deu o tom do que esperar da rica programação que vai até a sexta-feira, 26. “São mais de 30 atividades durante esses quatro dias e a nossa proposta é que possamos cada vez mais ter participação na construção da programação. Buscamos realizar um evento que possa contemplar a pluralidade que nos compõe, onde não há espaço para racismo, machismo, capacitismo, LGBTfobia, gordofobia e que tem a democracia como um dos principais pilares. Buscamos um fazer científico inclusivo”, ressaltou a pró-reitora de Pesquisa do IF Baiano e presidente da comissão organizadora do evento, Luciana Mazzutti. 

Também na mesa virtual, a pró-reitora de Desenvolvimento Institucional do IF Baiano, Hildonice Batista, destacou o fato de o congresso estar sendo realizado no mês da Consciência Negra, lembrando que a ciência deve ser construída e “desconstruída” a muitas mãos, pelos diversos povos que compõem a população brasileira. “Não existe sociedade sem produção de ciência, tecnologia e inovação, sem construção de um educar que transforma pessoas. Nosso trabalho em conjunto têm insistido que educar é um dos melhores caminhos para que a sociedade se transforme”, pontuou. 

Nesse caminho, o diretor geral do Campus Valença, Geovane Guimarães, que representou os dirigentes dos campi do IF Baiano, lembrou do papel desempenhado pelos institutos federais em formar jovens cientistas, frisando que o investimento em laboratórios, infraestrutura e em bolsas de pesquisa e extensão deve ser constante. “Quando [nossos alunos] chegam às universidades e cursos superiores já têm todo um cabedal de conhecimento e acesso à ciência e tecnologia que foi gerada desde o ensino médio. Então, para nós, é muito bom contribuir com essa formação, com essa inclusão, especialmente num momento de tanto negacionismo em que vivemos”, afirmou. 

A relevância da ciência para a sociedade foi mais de uma vez realçada durante a abertura. Citando nomes de cientistas como Darwin, Mendel, Rosalind Franklin e suas descobertas, o pró-reitor de Extensão do IF Baiano, Rafael Trocoli, enfatizou a forma como o conhecimento científico é construído, a partir da contribuição de vários indivíduos. “A ciência tem esse poder construtivo de sempre impressionar o mundo. Todos esses relatos têm algo em comum porque surgiram de uma ideia”. 

As palavras da secretária estadual de ciência e tecnologia, Adélia Maria Pinheiro, foram ao encontro do tema sugerido pelos organizadores do Congresso. “Nós vivemos uma emergência sanitária que alterou e altera a nossa forma de viver e se relacionar com os demais, que nos afastou de forma física, mas nos aproximou de forma virtual”, ressaltou a secretária que também mencionou o Novembro Negro e se uniu ao discurso de enfrentamento ao racismo e de qualquer forma de preconceito nos espaços que constroem ciência, cultura e inovação. 

A cerimônia contou ainda com a fala do pró-reitor de Ensino, Ariomar Rodrigues, que lembrou da importância de associar as atividades de ensino às de pesquisa e extensão durante a formação dos estudantes. “Que possamos sair desse congresso com níveis de conhecimento e formação que nos permitam crescer”, aspirou. 

As atividades do 2º Congresso do IF Baiano foram oficialmente abertas pelo reitor substituto, Marcelito Trindade, que deu as boas-vindas ao público. Toda a transmissão contou com tradução simultânea de Libras, realizada pelos intérpretes Vanessa Andrade e Lucas Alves.

Diversidade É inovação

Diversidade é inovação na Ciência e Tecnologia. A afirmação é da professora do departamento de Química da Universidade Federal de Goiás (UFG), Anna Benite, que  ministrou a conferência de abertura do congresso. Durante sua palestra, questionou o modelo binário e monocromático que prevalece hoje na cultura científica e apontou caminhos de mudança para este cenário excludente. 

Anna Benite é Doutora e Mestre em Ciências e Licenciada em Química (UFRJ/ 2005). Professora Associada da Universidade Federal de Goiás, onde coordena o Laboratório de Pesquisas em Educação Química e Inclusão (LPEQI). Também instituiu, em 2009, o Coletivo CIATA – Grupo de Estudos sobre a Descolonização do Currículo de Ciências, cujas ações desenvolvidas renderam diversos prêmios, dentre eles o Prêmio SBPC/GO de Popularização da Ciência. É também a atual Editora Chefe da Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros.

Palestra trouxe relatos de injustiças na história da ciência, como a apropriação de ideias originadas de populações negras.

“O fato é que a inclusão da diversidade na ciência, tecnologia, artes e matemática representa inovação, representa trazer um modelo mais robusto e que dê respostas mais efetivas aos problemas sociais”, afirmou. “Essa é uma discussão que está baseando um movimento revisional da ciência mundial nesse exato momento. Trazer a pauta da diversidade, trazer outras capacidades inteligentes para o modelo científico significa conferir a esse modelo sensibilidade para tratar as diferenças e desigualdades, significa agregar a esse modelo capacidade de respostas mais ampliadas, significa agregar um quê de transformação, sobretudo tentando reverter estereótipos e padrões discriminatórios nas práticas e produções educativas”, completou a pesquisadora da UFG durante a palestra mediada pela pró-reitora de Desenvolvimento Institucional, Hildonice Batista.

À tarde, o congresso seguiu com mesas concomitantes, ligadas às pró-reitorias de Ensino, Pesquisa e Extensão e, em seguida, com apresentações de trabalhos da Mostra de Iniciação Científica (MIC 2021), do Seminário Institucional da Pós-Graduação (II SIP) e do Seminário de Extensão, Inovação e Cultura (III SEIC). 

Popularização da ciência

A mesa “Popularização da ciência: caminhos a seguir” reuniu, sob a mediação da diretora de comunicação do IF Baiano, Cristina Mascarenhas, a coordenadora do Departamento de Jornalismo do Instituto Federal da Bahia (IFBA), Bárbara Souza e os integrantes da equipe do programa Univerciência: a jornalista da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Cristiane Santana; o jornalista da Uesb, Fabrício Gama; o assessor especial da Direção Geral da TVE Bahia e Educadora FM da Bahia, Felipe Peres Calheiros; e o diretor geral do Sistema Uesb de Rádio e Televisão Educativas, Rubens Sampaio. 

A mesa discutiu sobre a importância da popularização da ciência nestes tempos em que tantas informações falsas têm sido consumidas e têm influenciado pessoas em todo mundo. Bárbara Souza apresentou conceitos como divulgação científica, alfabetização científica e popularização da ciência, apontando caminhos a seguir. “O sonho da gente é que as pessoas vejam como a ciência, o fazer científico, o pensar científico e os resultados que essa ciência nos traz estão em toda parte em nossa vida cotidiana”, explica Bárbara.

A equipe do Univerciência apresentou o programa como um caminho para aproximar as pesquisas científicas produzidas nas Universidades da população. O projeto surge a partir do programa UniVERCiência, criado em 2020 pela TV UESB, e a partir da parceria com a TV Educativa da Bahia (TVE Bahia) e outras instituições, transformou-se em um programa de conteúdo regional envolvendo todos os estados do Nordeste, para distribuição em TVs públicas, educativas, culturais e universitárias, nacionais e internacionais, além de canais e instituições sem fins lucrativos na Internet.

Cuidado em saúde mental na pandemia

As psicólogas Catarina Prado Sakai e Tuíra Magalhães da Silva Teixeira, mediadas pela também psicóloga do IF Baiano, Patrícia Vaz Bárbara, bateram um papo sobre o Psicast, podcast criado pelo Coletivo de Psicólogas(os) do IF Baiano (ColetivoPsi If Baiano), e sobre o uso de redes sociais e tecnologias digitais como ferramentas de cuidado. Com uma primeira temporada de 8 episódios, o podcast foi criado durante a pandemia para discutir os temas de maior interesse e pontos de angústia dos estudantes e servidores do IF Baiano. 

Ansiedade, luto e psicofobia (preconceito em relação a pessoas que sofrem de transtornos mentais) foram alguns dos temas abordados no Psicast, que está disponível nos principais players de podcast e no canal do Youtube do Coletivo de Psicólogas(os). As psicólogas salientaram o quanto a pandemia e, consequentemente, o isolamento e o uso excessivo de telas afetaram a saúde mental de todos, mas pontuaram que as redes sociais e tecnologias digitais não são necessariamente vilãs da saúde mental. O Psicast é um exemplo de como as tecnologias podem ser usadas como ferramenta de cuidado. Para Catarina Sakai, o psicólogo escolar não está na instituição apenas para atendimentos individuais aos alunos. “Ele [o psicólogo(a)] está ali também para fazer ações de educação em saúde, de promoção de saúde mental e de prevenção de adoecimento”, relata a psicóloga, ao explicar que o Psicast é uma dessas iniciativas. 

Ações do IF Baiano de enfrentamento à Covid-19

A mesa “Relatos de enfrentamento à  Covid-19 e Novas Perspectivas” contou com a participação de professores extensionistas que tiveram projetos apoiados pelo edital  52/2020 para coordenar ações de enfrentamento à pandemia. Sob a mediação do pró-reitor de Extensão, Rafael Oliva Trocoli, Juracir  Silva Santos apresentou seu projeto Desenvolvimento e formulação de produtos sanitizantes para grupos de riscos e  agricultores familiares da cidade de Senhor do Bonfim, Bahia; Helyom Rogerio Reis Viana da Silva Teles falou sobre o projeto Memorial do Isolamento – Um  espaço para formação, crítica e documentação.Além deles, Roberta Santos falou sobre o projeto Promoção de medidas de prevenção pessoal da  Covid-19 em comunidades de Xique-Xique, BA; Aline dos Santos Lima e Angela Andrade Calhau relataram a trajetória do projeto Comida e  saúde em tempos de coronavírus; e Mario Lucio Gomes de Queiroz Pierre Junior apresentou os resultados do projeto que distribuiu protetores faciais 3D contra a Covid-19 no município de Senhor do Bonfim.

Para o pró-reitor de Extensão, através dessas ações, o IF Baiano de fato contemplou mais uma vez a missão institucional pelo fato de atender demandas comunitárias, sobretudo, as das comunidades menos assistidas. “Eu fico extremamente feliz nesta tarde e honrado de partilhar desse momento como expectador, aprendendo e tendo ideias com esses profissionais que se apresentaram”, afirma.

Endereço: Rua do Rouxinol, nº 115 – Bairro: Imbuí | Salvador - BA CEP: 41720-052 | CNPJ: 10.724.903/0001-79 | Telefone: (71) 3186-0001
E-mail: gabinete@ifbaiano.edu.br