O IF Baiano realiza, de 20 a 22 de outubro, no Campus Guanambi, o V Congresso de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPEX) e a etapa Intercampi do 7º Festival de Arte e Música do IF Baiano (FAMIF 2026). Durante três dias, estudantes, servidores, pesquisadores e demais integrantes da comunidade acadêmica estarão reunidos em uma programação que articula ciência, educação, extensão, arte e cultura.
Nesta edição, o CEPEX traz o tema “A produção do conhecimento de mulheres negras e o fazer científico como prática antirracista”. A programação prevê oficinas, minicursos, palestras, mesas-redondas, apresentações de trabalhos, mostras científicas, premiações e atividades culturais.
Integrado ao Congresso, o FAMIF chega à sua sétima edição com o tema “É Preciso Estar Atento e Forte”. Depois das etapas realizadas nos 14 campi e na Reitoria, as apresentações classificadas seguem para a etapa Intercampi, em Guanambi, reunindo diferentes linguagens e manifestações artísticas produzidas pela comunidade do IF Baiano.
A realização do FAMIF também abriu espaço para uma reflexão sobre memória, história e os significados presentes nos espaços que ocupamos.
Parte das atividades ocorrerá em um ambiente até então denominado “Casa Grande”, nome que motivou uma reflexão proposta pela Coordenação de Políticas de Ações Afirmativas, Equidade e Diversidade (CPAAED), em colaboração com a Coordenação-Geral dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI). Em carta dirigida à comunidade acadêmica, as coordenações destacam que a expressão possui uma dimensão histórica associada à estrutura social do período escravocrata e, ao longo do tempo, também passou a simbolizar relações de desigualdade, hierarquização e exclusão.
Nesse contexto, o espaço foi rebatizado como Makota Valdina, incorporando à realização do evento uma proposta de ressignificação simbólica e educativa e, ao mesmo tempo, homenageando uma das importantes referências da luta antirracista e da valorização da cultura afro-brasileira na Bahia.
Makota Valdina, nome religioso de Valdina de Oliveira Pinto (1943–2019), foi educadora, liderança religiosa e ativista negra baiana. Nascida no Engenho Velho da Federação, em Salvador, atuou como professora da rede pública municipal e tornou-se uma importante referência na defesa das religiões de matriz africana, da cultura afro-brasileira e dos direitos da população negra e das mulheres. Iniciada no candomblé em 1975, exerceu o cargo de Makota e também integrou o Conselho Estadual de Cultura da Bahia. Sua trajetória foi marcada ainda pelo enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa e pela valorização dos saberes e da ancestralidade de matriz africana.
A iniciativa não atribui responsabilidade pela antiga denominação à organização do CEPEX ou do FAMIF, nem questiona a parceria estabelecida para a utilização do espaço. Conforme destaca a carta, o nome já estava previamente definido e a reflexão proposta tem caráter pedagógico, voltado à compreensão crítica dos símbolos e das memórias que determinadas denominações carregam.
A proposta dialoga diretamente com os temas escolhidos para os dois eventos. A carta ressalta que a construção de uma educação antirracista também passa pela capacidade de questionar práticas naturalizadas e compreender como heranças históricas continuam produzindo sentidos no presente. Ao mesmo tempo, aponta a educação, a arte e a cultura como caminhos para a transformação e a ressignificação de espaços e narrativas.
Nesse sentido, a presença da diversidade que constitui o IF Baiano transforma também o significado dos lugares ocupados. Como registra o documento, a participação de pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, povos e comunidades tradicionais, mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e dos diferentes segmentos da comunidade reafirma que os espaços devem pertencer a todas as pessoas.
A nota completa sobre a ressignificação do espaço pode ser acessada no link abaixo.