Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO




PortugueseEnglishSpanishFrenchChinese (Simplified)Japanese

Ingresso de Estudantes 2026

ACESSE AQUI
Estudante do IF Baiano leva à descoberta de sítio arqueológico inédito em Xique-Xique
Atualizado em 15 de maio de 2026 às 13h40 | Publicado em 15 de maio de 2026 às 13h35

Pinturas rupestres e raspador de rocha pré-colonial foram encontrados na comunidade do Rumo, na região de Xique-Xique (BA); sítio arqueológico já integra cadastro nacional do Iphan

Compartilhe nas redes sociais:

Num córrego conhecido como Olhos D’Água, na comunidade do Rumo, em Xique-Xique, pesquisadores do Instituto Federal Baiano (IF Baiano) encontraram pinturas rupestres e vestígios de ferramentas pré-coloniais. A descoberta expande o mapa arqueológico do semiárido e já está registrada no sistema oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A expedição que identificou o local, agora batizado oficialmente de sítio arqueológico Olhos D’Água, aconteceu graças ao achado de um estudante. Cassiano Santos da Conceição, estudante do Campus Xique-Xique e morador da região, soube dos vestígios arqueológicos em uma visita ao córrego com a família e contou ao professor do IF Baiano, Romeu Leite, coordenador do Projeto Assuruá, uma iniciativa dedicada a identificar, estudar e divulgar sítios arqueológicos da região.

“Fiquei sabendo da existência do sítio arqueológico através do meu pai. Em 2020, ele levou eu, minha irmã e meu irmão para conhecer esse local e contar um pouco mais sobre a vida dele antigamente. Lá tem uma nascente de água e a gente foi tomar banho e conhecer as pinturas rupestres. Meu pai falou pra gente que, quando era criança, ele morava lá perto e pegava água nesse local”, conta Cassiano sobre o primeiro contato com o lugar.

A partir do relato, membros do projeto Assuruá saíram em expedição no dia 27 de abril ao local, que está situado em uma propriedade rural da região. O que começou com a expectativa de confirmar as pinturas mencionadas pelo estudante foi além do imaginado. Além de se deparar com um lugar de beleza incomum, o grupo encontrou rochas com pinturas rupestres e um raspador de rocha, estrutura que foi provavelmente utilizada por grupos humanos antigos para polir ferramentas de pedra.

“Foi realmente uma surpresa, porque não havia sítios registrados no Iphan naquela região. Além disso, o local é uma espécie de oásis no sertão, com nascente de águas cristalinas e abrigos rochosos”, relatou Romeu Leite, docente e pesquisador do IF Baiano, Campus Xique-Xique.

Romeu explica ainda que a descoberta é uma novidade relevante por conta da localização, uma vez que em Xique-Xique são escassos os registros de pinturas rupestres. A maioria dos sítios conhecidos na região da Chapada Velha concentra-se em municípios vizinhos, como Gentio do Ouro e Itaguaçu da Bahia, nas serras que integram a Cordilheira do Espinhaço.

Pinturas rupestres e ‘raspador’ ancestral

Entre os vestígios arqueológicos identificados na região, um que surpreendeu os pesquisadores foram afloramentos rochosos da Formação Tombador, que supostamente serviam de abrigo para os povos indígenas que habitavam a região. Essas mesmas rochas guardavam pinturas rupestres.

“As pinturas rupestres encontradas no sítio Olhos D’Água pertencem à Tradição São Francisco, um estilo de pintura em que predominam grafismos, figuras geométricas, antropomorfos (figuras humanas) e zoomorfos (figuras de animais)”, explica Leite.

Fotos reais e realçadas pelos pesquisadores para visualização dos detalhes das pinturas (fonte: arquivo do projeto)

Outro achado interessante foi a presença de um possível raspador: uma estrutura de rochas onde os antigos povos que habitavam a região produziam suas ferramentas líticas, feitas a partir de pedra.

Possível raspador, utilizado para produção de ferramentas líticas (imagem: arquivo do projeto)

Até então não há estimativas de datação para os sítios visitados, pois o projeto é de não intervenção. No entanto, a expectativa é de que, no futuro, seja possível estabelecer parcerias com outras instituições e arqueólogos para a realização de prospecções que possibilitem estas estimativas.

Registro inédito para a região

Após a expedição, a equipe documentou o sítio com descrição técnica, geolocalização, registros fotográficos e o polígono da área. A documentação foi então encaminhada ao Iphan, que iniciou o processo de análise e validação. O sítio Olhos D’Água já integra o Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão do órgão e o Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos.

Os sítios arqueológicos presentes no Brasil com registro no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional podem ser consultados neste sistema do Iphan.

“Talvez a maior importância da descoberta esteja em mostrar para a comunidade a existência desses vestígios, muitas vezes desconhecidos até mesmo pelos próprios moradores do município. É importante conhecer para conservar.”, comenta o pesquisador.

Projeto prepara novas expedições e estima encontrar novos sítios

O Projeto Assuruá atua no Território de Identidade de Irecê com o objetivo de identificar, catalogar e divulgar sítios arqueológicos da região, incluindo locais ainda sem registro oficial. A iniciativa, apoiada pelo programa IF Baiano/PIBIC-Ensino Médio, já realizou descobertas nos municípios de Gentio do Ouro, Uibaí e agora Xique-Xique.

“Eu costumo dizer que este é um projeto para a vida inteira. A educação ambiental e patrimonial é necessária e, com base nisso, a equipe está motivada a continuar as atividades do projeto”, conta o professor.

Com a expectativa de renovação do financiamento para a segunda fase do projeto, a equipe espera produzir um e-book fotográfico sobre os sítios da região e elaborar um livro voltado para a educação básica, com foco na divulgação e conservação do patrimônio arqueológico.

“Atualmente, temos parcerias com os municípios de Uibaí e Gentio do Ouro e estamos dialogando com representantes de outros municípios do território, como Central, São Gabriel e Itaguaçu da Bahia”, completa o docente.

Para o IF Baiano, a descoberta reforça o papel da educação na produção de conhecimento sobre o patrimônio histórico regional. Com o contato no campus com atividades voltadas à pesquisa, a descoberta foi possível porque um estudante conectou sua experiência pessoal ao conhecimento adquirido em sala de aula.

“Através do instituto, pude reconhecer o valor que essas pinturas têm para a nossa região e como elas são de suma importância. Significa muito pra mim saber que na minha região existe essa riqueza natural, e fico feliz em ter contribuído para que esse patrimônio histórico tenha o seu valor e reconhecimento”, completa Cassiano.

Acompanhe as expedições e novidades do Projeto Assuruá pelo Instagram: @_assurua.

Fazem parte do projeto:

  • Romeu da Silva Leite — Prof. EBTT, Coordenador
  • Thaise Karla Ribeiro Dias — Prof. EBTT
  • Carolina Gonzales da Silva — Prof. EBTT
  • Ricardo Ferreira Machado — Prof. EBTT
  • Marilina de Araújo Oliveira Bastos — Técnico-Administrativa em Educação (TAE)
  • Elisa Souza Menendez — Prof. EBTT, Campus Valença
  • Eder Carlos Cardoso Diniz — Prof. EBTT, Campus Uruçuca
  • Renata Cristina Alves — Prof. EBTT, Campus Catu
  • Cristiano Teixeira Rocha — Colaborador
  • Eduarda Brito dos Santos — Estudante, Bolsista
  • Cassiano Santos da Conceição — Estudante, Voluntário
  • Yves dos Santos Miranda — Estudante, Voluntário
  • Flávio Carvalho Bessa de Castro — Estudante, Voluntário
Confira as tags desta publicação:

Outras notícias

Endereço: Rua do Rouxinol, nº 115 – Bairro: Imbuí | Salvador - BA CEP: 41720-052 | CNPJ: 10.724.903/0001-79 | Telefone: (71) 3186-0001
E-mail: gabinete@ifbaiano.edu.br