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Pesquisa do IF Baiano desenvolve biofilmes para alimentos a partir de resíduos agroindustriais
Atualizado em 6 de abril de 2026 às 09h48 | Publicado em 6 de abril de 2026 às 09h19

Projeto de pesquisa do IF Baiano de Senhor do Bonfim trabalha no desenvolvimento de revestimentos sustentáveis para conservação de alimentos, reaproveitando resíduos agroindustriais como folhas de umbu-cajá e bagaço de uva

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Basta olhar em volta. O plástico está em toda parte, e especialmente nas embalagens de alimentos, devido à sua capacidade de atender padrões de higiene e praticidade de utilização. No entanto, evidências científicas têm apontado que seu uso também está associado a impactos negativos tanto para a saúde humana quanto do ponto de vista ecológico.

A liberação de substâncias ligadas ao câncer, a neurotoxicidade no ciclo de vida do plástico, o risco de ingestão de microplásticos são alguns dos fatores de preocupação. Já se sabe também que o plástico pode levar até 1.000 anos para se decompor, levando a interferir na fertilidade do solo.

Em busca de uma alternativa ao uso do plástico e atendendo a um chamado crescente por soluções sustentáveis no setor alimentício, diversas pesquisas têm surgido no IF Baiano com a proposta de desenvolver biofilmes – películas biodegradáveis produzidas a partir de polímeros de origem natural com potencial para substituir embalagens plásticas e ampliar a vida útil de alimentos.

Um desses estudos ocorre nos laboratórios do IF Baiano, Campus Senhor do Bonfim. O projeto, liderado pela docente e pesquisadora Calila Teixeira, trabalha no desenvolvimento de um revestimento sustentável (e comestível!) a partir de matérias-primas como folhas de umbu-cajá, bagaço de uva e resíduos de aroeira, abundantes no território do Piemonte Norte do Itapicuru.

O uso desses materiais é um dos principais diferenciais da pesquisa, já que eles são classificados como resíduos agroindustriais, muitas vezes descartados, e pouco aproveitados na região. Desse modo, o estudo propõe aliar o reaproveitamento desses resíduos à produção de biofilmes que poderão servir de base para embalagens sustentáveis.

Segundo a docente, que trouxe para o projeto sua experiência no desenvolvimento de materiais utilizando extratos naturais, especialmente a aroeira, a iniciativa surgiu da oportunidade de conectar a crescente demanda da indústria de alimentos por materiais funcionalmente eficientes e ambientalmente responsáveis com a realidade local.

O projeto de pesquisa, financiado pelo Programa Institucional de Iniciação Científica e Tecnológica do IF Baiano (PIBIC), conta com a participação das estudantes Maria Vitória Cavalcante (bolsista) e Manuela Carvalho (voluntária), ambas do curso técnico integrado em Agroindústria. “Achei muito interessante a proposta de desenvolver embalagens comestíveis a partir de resíduos da agroindústria, como uma alternativa mais viável e sustentável, que pode inclusive fortalecer a economia circular na nossa região”, comenta a estudante bolsista do projeto.

Primeiros passos da pesquisa 

A partir de um mapeamento da literatura científica, as pesquisadoras identificaram quais tipos de resíduos apresentavam potencial para aplicação em biofilmes, com foco naqueles ricos em compostos bioativos. “A partir disso, cruzamos essas informações com a disponibilidade de matérias-primas na nossa região. Como estamos inseridos no território do Piemonte Norte do Itapicuru, buscamos resíduos acessíveis e representativos da realidade local”, explica Teixeira. 

A partir deste levantamento, foram selecionados três materiais para experimentação: folhas de umbu-cajá, por serem abundantes na região; bagaço de uva, considerando a proximidade com o Vale do São Francisco; e o resíduo da aroeira após extração, dando continuidade à linha de pesquisa iniciada pela docente em sua pesquisa de doutorado. 

Folhas de umbu-cajá, bagaço de uva e resíduo de aroeira estão sendo testados como matérias-primas para produção dos biofilmes.

A escolha adequada do tipo de resíduo é um processo fundamental, uma vez que ele não é apenas um componente da formulação, mas um determinante para a funcionalidade do biofilme produzido. “Cada material possui características próprias — como composição química, teor de fibras e presença de compostos fenólicos — que impactam propriedades importantes do filme, como resistência, flexibilidade e atividade antioxidante”, explica.

Além do reaproveitamento de resíduos agroindustriais, outra inovação do projeto é a aplicação do polvilho azedo como a matriz polimérica (a base do biofilme), um produto também amplamente disponível na região, especialmente em casas de farinha, fortalecendo ainda mais o vínculo com a realidade local.

Projeto já obteve primeiros resultados

Com algumas amostras já produzidas, a pesquisa agora avança para a fase de caracterização dos biofilmes, onde serão avaliados aspectos como atividade antioxidante, propriedades mecânicas (como resistência e elasticidade) e biodegradabilidade. “Além disso, também observamos aspectos visuais e estruturais, como uniformidade, flexibilidade, integridade do filme. Essa etapa é essencial para entender se o material tem potencial real de aplicação”, descreve Teixeira.

O revestimento de frutas e hortaliças, de produtos minimamente processados ou de alimentos que necessitam de proteção contra umidade ou oxidação é o principal foco de aplicação vislumbrado pela pesquisadora. “Além disso, dependendo das propriedades, [os biofilmes] podem atuar como embalagens ativas, contribuindo para aumentar a vida útil dos alimentos”, complementa.

Todo o processo de investigação conta com a atuação direta das estudantes do projeto, que percebem na prática como aplicar os conhecimentos da sala de aula no desenvolvimento de uma solução com impacto regional. “Tenho participado de etapas como moagem das amostras, pesagem e preparação dos biofilmes. Também vamos avançar para análises físico-químicas, o que tem sido fundamental para aplicar na prática o que aprendemos no curso”, conta a estudante Maria Vitória.

Potencial da inovação

Os próximos passos da pesquisa incluem o aprofundamento das análises laboratoriais, a otimização das formulações e a realização de testes em escala piloto. “Dependendo dos resultados, também há possibilidade de registro de propriedade intelectual, especialmente se conseguirmos um material com características inovadoras”, explica Teixeira.

Mas o principal objetivo é fazer com que a inovação chegue à sociedade no futuro, a partir de parcerias com agroindústrias locais, transferência de tecnologia e desenvolvimento de produtos com valor agregado. “Nosso objetivo é que a pesquisa não fique apenas no laboratório, mas gere impacto real na região, promovendo sustentabilidade e inovação”, ressalta. 

Enquanto os biofilmes não chegam às prateleiras, o projeto, assim como diversas iniciativas realizadas no IF Baiano, já resulta em impacto na formação de estudantes. “O projeto permanece sendo uma experiência enriquecedora, não apenas para o meu currículo, como também para o desenvolvimento das minhas capacidades técnicas e teóricas ensinadas ao longo do curso de agroindústria, permitindo a mim aprimorar minha competência como futura profissional e, sem dúvidas, meu repertório educacional”, destaca Maria Vitória Cavalcante.

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