
{"id":40253,"date":"2026-08-04T14:12:10","date_gmt":"2026-08-04T17:12:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?p=40253"},"modified":"2026-08-04T14:12:12","modified_gmt":"2026-08-04T17:12:12","slug":"descoberta-feita-por-estudante-de-17-anos-leva-a-identificacao-de-sitio-arqueologico-inedito-no-interior-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/descoberta-feita-por-estudante-de-17-anos-leva-a-identificacao-de-sitio-arqueologico-inedito-no-interior-da-bahia\/","title":{"rendered":"Descoberta feita por estudante de 17 anos leva \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de s\u00edtio arqueol\u00f3gico in\u00e9dito no interior da Bahia"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Pinturas rupestres, um polidor de pedra e fragmentos de cer\u00e2mica foram encontrados em Xique-Xique ap\u00f3s relato de aluno do IF Baiano. \u00c1rea agora integra o Cadastro Nacional de S\u00edtios Arqueol\u00f3gicos do Iphan.<\/em><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que era apenas uma lembran\u00e7a de inf\u00e2ncia compartilhada com um professor acabou revelando um cap\u00edtulo desconhecido da hist\u00f3ria do semi\u00e1rido baiano. A curiosidade do estudante Cassiano Santos da Concei\u00e7\u00e3o, de 17 anos, levou pesquisadores do Instituto Federal Baiano (IF Baiano) \u00e0 descoberta de um s\u00edtio arqueol\u00f3gico in\u00e9dito em\u00a0Xique-Xique, no norte do estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O local, batizado de Olhos D&#8217;\u00c1gua, re\u00fane pinturas rupestres, um polidor de pedra usado por povos antigos na fabrica\u00e7\u00e3o de ferramentas e fragmentos de cer\u00e2mica pr\u00e9-colonial. A \u00e1rea j\u00e1 foi reconhecida e passou a integrar o Cadastro Nacional de S\u00edtios Arqueol\u00f3gicos do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Morador da comunidade do Rumo, onde fica o s\u00edtio, Cassiano conheceu o lugar ainda em 2020, durante um passeio com o pai \u00e0s margens de um c\u00f3rrego conhecido como Olhos D&#8217;\u00c1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anos depois, j\u00e1 aluno do ensino m\u00e9dio do IF Baiano, lembrou da visita ao participar do Projeto Assuru\u00e1, iniciativa voltada \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o e ao estudo de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos da regi\u00e3o. O relato despertou a curiosidade dos pesquisadores, que organizaram uma expedi\u00e7\u00e3o ao local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi muito gratificante ter contribu\u00eddo para o projeto. Consegui mostrar as coisas boas que tem em Xique-Xique. Me sinto muito feliz por ter ajudado a fazer esse registro. A partir de agora, o s\u00edtio vai ter o devido reconhecimento e o devido valor&#8221;, disse o estudante ao g1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cassiano afirma que a experi\u00eancia refor\u00e7ou o interesse pela ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quero entrar na universidade e cursar Agronomia. A ci\u00eancia e a pesquisa abrem portas para a vida. Queria muito que outros jovens aproveitassem a oportunidade de participar desse tipo de projeto.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O\u00e1sis no sert\u00e3o<br><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/sitio-xique-xique-2.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-40260\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe do Projeto Assuru\u00e1 chegou ao local em abril deste ano esperando encontrar apenas as pinturas mencionadas pelo estudante. O que encontrou surpreendeu os pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o professor Romeu Leite, coordenador do projeto, a regi\u00e3o sequer aparecia nos registros arqueol\u00f3gicos conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 uma regi\u00e3o onde a gente desconhecia a exist\u00eancia de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, tanto pelo cadastro nacional quanto pela nossa experi\u00eancia. A gente tamb\u00e9m n\u00e3o imaginava que naquela serra de baixa altitude havia uma nascente de \u00e1gua. Esses povos habitavam onde tinham \u00e1gua e alimento. Foi uma surpresa.&#8221;<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/sitio-xique-xique-1.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-40262\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio tamb\u00e9m chamou aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 um local muito bonito, diferente. \u00c9 uma esp\u00e9cie de o\u00e1sis. Xique-Xique est\u00e1 no semi\u00e1rido baiano e, al\u00e9m do Rio S\u00e3o Francisco, n\u00e3o temos grandes c\u00f3rregos de \u00e1gua. Encontrar uma nascente com \u00e1gua cristalina e pinturas rupestres que a gente desconhecia foi realmente muito emocionante.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o pesquisador, a vegeta\u00e7\u00e3o da \u00e1rea \u00e9 diferente da paisagem predominante na regi\u00e3o e os afloramentos rochosos ofereciam abrigo para antigos grupos humanos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pinturas, ferramentas e cer\u00e2mica<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-40259\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a primeira visita, os pesquisadores identificaram pinturas rupestres da chamada Tradi\u00e7\u00e3o S\u00e3o Francisco, caracterizadas por figuras humanas, representa\u00e7\u00f5es de animais e desenhos geom\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas delas estavam t\u00e3o desgastadas pela a\u00e7\u00e3o do tempo que precisaram ser analisadas com aux\u00edlio de um aplicativo capaz de destacar vest\u00edgios dos pigmentos originais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das pinturas, foi encontrado um polidor \u2014 uma estrutura escavada naturalmente na rocha e utilizada por povos antigos para fabricar ferramentas de pedra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A surpresa aumentou em uma segunda expedi\u00e7\u00e3o. Ao seguir por uma trilha diferente, a equipe localizou fragmentos de cer\u00e2mica.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com essa cer\u00e2mica, a gente pode conseguir estimar quais eram os povos que habitavam a regi\u00e3o e qual era a tradi\u00e7\u00e3o deles.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar dos achados, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar quais grupos ocuparam o local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A gente ainda n\u00e3o consegue dizer qual povo habitava o s\u00edtio. Ser\u00e1 preciso aprofundar os estudos, at\u00e9 porque houve uma sucess\u00e3o de povos na regi\u00e3o ao longo de centenas ou milhares de anos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o pesquisador, a combina\u00e7\u00e3o de diferentes vest\u00edgios torna o s\u00edtio especialmente relevante.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 um s\u00edtio bem completo: tem pinturas, polidor e cer\u00e2micas. Tudo isso em um espa\u00e7o que n\u00e3o passa de um quil\u00f4metro.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Preserva\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pinturas rupestres apresentam sinais de desgaste por estarem expostas ao sol e \u00e0 chuva, o que acende um alerta para a conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Romeu Leite, o registro oficial do s\u00edtio \u00e9 um passo importante para garantir que ele possa ser estudado e preservado no futuro.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A cataloga\u00e7\u00e3o e o registro fotogr\u00e1fico j\u00e1 garantem um estudo inicial sobre a caracteriza\u00e7\u00e3o do s\u00edtio para que outros profissionais tamb\u00e9m possam pesquis\u00e1-lo.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele tamb\u00e9m destacou o envolvimento da popula\u00e7\u00e3o local na preserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 muito interessante perceber que a popula\u00e7\u00e3o tem valorizado e conservado o local. Se as pessoas desconhecem a import\u00e2ncia de um s\u00edtio arqueol\u00f3gico, acabam n\u00e3o preservando. Ele talvez n\u00e3o seja espetacular do ponto de vista arqueol\u00f3gico, mas \u00e9 um s\u00edtio completo e est\u00e1 mobilizando a popula\u00e7\u00e3o da cidade. V\u00e1rias pessoas param a gente na rua ou comentam nas redes sociais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O s\u00edtio Olhos D&#8217;\u00c1gua agora integra o mapa arqueol\u00f3gico nacional e poder\u00e1 ser alvo de novos estudos nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta tamb\u00e9m evidencia como a ci\u00eancia pode nascer da observa\u00e7\u00e3o e da curiosidade de quem vive no territ\u00f3rio. Neste caso, a lembran\u00e7a de uma visita em fam\u00edlia feita por um estudante e que acabou revelando um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico que permanecia desconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Reportagem reproduzida do site G1 Bahia.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pinturas rupestres, um polidor de pedra e fragmentos de cer\u00e2mica foram encontrados em Xique-Xique ap\u00f3s relato de aluno do IF Baiano. \u00c1rea agora integra o Cadastro Nacional de S\u00edtios Arqueol\u00f3gicos do Iphan. O que era apenas uma lembran\u00e7a de inf\u00e2ncia compartilhada com um professor acabou revelando um cap\u00edtulo desconhecido da hist\u00f3ria do semi\u00e1rido baiano. 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