﻿{"id":26145,"date":"2023-01-04T12:49:22","date_gmt":"2023-01-04T15:49:22","guid":{"rendered":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?p=26145"},"modified":"2023-01-05T12:32:06","modified_gmt":"2023-01-05T15:32:06","slug":"neurodiversidade-if-baiano-cria-comissao-para-inclusao-de-pessoas-neurodivergentes-e-promove-acoes-de-conscientizacao-e-acolhimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/blog\/neurodiversidade-if-baiano-cria-comissao-para-inclusao-de-pessoas-neurodivergentes-e-promove-acoes-de-conscientizacao-e-acolhimento\/","title":{"rendered":"Neurodiversidade: IF Baiano cria comiss\u00e3o  para inclus\u00e3o de pessoas neurodivergentes e promove a\u00e7\u00f5es de conscientiza\u00e7\u00e3o e acolhimento"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea sabe o que \u00e9 capacitismo? \u00c9 acreditar que pessoas com defici\u00eancia s\u00e3o inferiores \u00e0quelas sem defici\u00eancia, \u00e9 subestimar sua capacidade e aptid\u00e3o, trat\u00e1-las como anormais e incapazes, em compara\u00e7\u00e3o com um referencial definido como perfeito. Esse preconceito faz com que pessoas com algum tipo de defici\u00eancia sejam exclu\u00eddas, n\u00e3o tenham acesso a espa\u00e7os e a direitos e tentem se encaixar em um padr\u00e3o, quando n\u00e3o h\u00e1 perfei\u00e7\u00e3o alcan\u00e7\u00e1vel diante da diversidade de corpos e modos de existir no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta mat\u00e9ria, falaremos, em espec\u00edfico, sobre pessoas neurodivergentes e como o IF Baiano tem buscado melhorar suas pr\u00e1ticas para atender \u00e0s necessidades espec\u00edficas desse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagine receber uma s\u00e9rie de est\u00edmulos sensoriais, emocionais e sociais que causem inc\u00f4modo e levem a uma sobrecarga e at\u00e9 a crises de explos\u00e3o emocional ou perda do controle emocional tempor\u00e1ria sem fazer a menor ideia do porqu\u00ea isso acontece e como lidar com as crises. Imagine conviver com esses inc\u00f4modos sem entend\u00ea-los, precisando reprimi-los e escond\u00ea-los para se encaixar em um padr\u00e3o imposto por uma sociedade capacitista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi assim que a professora do IF Baiano Aline de Assis Lago, lotada na Reitoria, viveu at\u00e9 os 35 anos &#8211; sem entender suas percep\u00e7\u00f5es sensoriais, emocionais e sociais, convivendo com uma s\u00e9rie de diagn\u00f3sticos errados, sem respeitar seus limites, sem saber se autorregular, sem conhecer e, muito menos, comunicar suas necessidades espec\u00edficas. Depress\u00e3o, ansiedade, transtorno bipolar\u2026 Esses foram alguns dos diagn\u00f3sticos que ela recebeu na vida adulta.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu estava sempre tomando rem\u00e9dio, nunca funcionava, trocava para outro, mas nunca melhorava\u201d, relata Aline. Come\u00e7aram a surgir tamb\u00e9m doen\u00e7as f\u00edsicas, inflama\u00e7\u00f5es recorrentes como sinusite e gastrite. Mas, inesperadamente, durante o per\u00edodo de isolamento na pandemia de Covid-19,&nbsp;a docente teve uma melhora nos sintomas f\u00edsicos e emocionais, justo quando dispararam casos de depress\u00e3o e ansiedade na popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso acendeu um alerta no seu psiquiatra, que a comunicou: \u201cAline, acho que deixei passar alguma coisa [no seu caso]. Eu vou te encaminhar para uma investiga\u00e7\u00e3o para ver se voc\u00ea \u00e9 TDAH ou autista, porque pelo que eu vejo do seu comportamento, pode ser uma resposta\u201d. A investiga\u00e7\u00e3o foi feita com uma neuropsic\u00f3loga especialista em autistas adultos com diagn\u00f3stico tardio. A pesquisa envolveu uma s\u00e9rie de testes e entrevistas com Aline e seus familiares, e revelou o diagn\u00f3stico tardio de Aline de Transtorno de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o com Hiperatividade (TDAH) e de Transtorno do Espectro Autista (TEA), al\u00e9m de outra surpresa: seu pai tamb\u00e9m \u00e9 autista. Isso explicou o fato de a fam\u00edlia de Aline n\u00e3o notar qualquer comportamento at\u00edpico e n\u00e3o buscar terapias e aux\u00edlio profissional para Aline durante a inf\u00e2ncia. Para todos, ela s\u00f3 era muito parecida com o pai.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Preconceito<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico mudou tudo para a professora, desde a forma como ela se percebe e se acolhe, diante das sobrecargas, at\u00e9 adapta\u00e7\u00f5es no trabalho. Se por um lado, encontrar uma resposta foi importante para se cuidar e se autoconhecer, por outro, o diagn\u00f3stico trouxe novos desafios como o preconceito e a falta de reconhecimento de direitos. A docente explica que foi dif\u00edcil conseguir as adapta\u00e7\u00f5es que precisava e a mudan\u00e7a nos dados funcionais para PCD (Pessoa com Defici\u00eancia), pois ainda h\u00e1 muito desconhecimento sobre o assunto e havia uma defasagem na Pol\u00edtica de Diversidade e Inclus\u00e3o. \u201cEu tive colegas que me falaram que eu n\u00e3o deveria contar para as pessoas que eu sou autista e eu respondi: gente, minha defici\u00eancia \u00e9 invis\u00edvel; as pessoas, olhando para mim, n\u00e3o v\u00e3o dizer que eu sou autista, que eu tenho necessidades espec\u00edficas; ent\u00e3o, se eu n\u00e3o disser, eu vou continuar doente e as pessoas ao meu redor v\u00e3o continuar me julgando e n\u00e3o v\u00e3o respeitar os meus limites\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Comiss\u00e3o de Neurodiversidade e Inclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enfrentar esses desafios fez Aline se engajar na luta anticapacitista. Ela se aproximou de uma outra docente do IF Baiano com diagn\u00f3stico de autismo, a professora Alessandra Souza Silva, do Campus Itapetinga. Compartilhando inquieta\u00e7\u00f5es e insatisfa\u00e7\u00f5es sobre a Pol\u00edtica de Diversidade e Inclus\u00e3o quanto a pessoas neurodivergentes, elas propuseram a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Neurodiversidade e Inclus\u00e3o no IF Baiano, institu\u00edda pela <a href=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/documento-2.pdf\">Portaria n\u00b0 214\/2022<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Comiss\u00e3o \u00e9 formada por pessoas neurodivergentes e por pessoas t\u00edpicas e vem trabalhando para melhorar a Pol\u00edtica de Diversidade e Inclus\u00e3o, para acolher alunos e servidores neurodivergentes, al\u00e9m de conscientizar as pessoas, na institui\u00e7\u00e3o, sobre o assunto. No Congresso de Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o, que aconteceu de 06 a 08 de dezembro, a Comiss\u00e3o realizou algumas atividades nesse sentido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1156\" height=\"867\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-21-at-15.38.29.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26151\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26151\" class=\"wp-image-26151\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"960\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-21-at-15.52.37.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26152\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26152\" class=\"wp-image-26152\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Sala de regula\u00e7\u00e3o emocional com ambiente silencioso e baixa ilumina\u00e7\u00e3o. Na foto \u00e0 direita, equipe de acolhimento e estudantes.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Sala de regula\u00e7\u00e3o emocional<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O evento contou com uma sala de regula\u00e7\u00e3o emocional, para onde as pessoas podiam ir em momentos de sobrecarga. Aline explica que, em momentos de crise, \u00e9 importante ter um lugar confort\u00e1vel, com baixa luminosidade e aus\u00eancia de sons para se autorregular e foi isso que foi disponibilizado para os congressistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma caracter\u00edstica marcante associada a pessoas que est\u00e3o no espectro autista s\u00e3o as estereotipias, ou seja, movimentos ou comportamentos repetitivos ou ritual\u00edsticos. O que para uma pessoa neurot\u00edpica pode parecer sem sentido, para autistas tem uma fun\u00e7\u00e3o importante: a autorregula\u00e7\u00e3o diante do excesso de est\u00edmulos. As estereotipias costumam acontecer em situa\u00e7\u00f5es em que o autista se sente bombardeado por est\u00edmulos, ajudando a pessoa a se reorganizar internamente e processar tudo o que est\u00e1 sentindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para explicar a fun\u00e7\u00e3o desses movimentos repetitivos e ajudar os congressistas a criar ferramentas ou brinquedos para estereotipias, os \u201c<em>stim toys<\/em>\u201d, aconteceram oficinas para a fabrica\u00e7\u00e3o desses brinquedos. <em>Spinner<\/em>s, pulseiras de mi\u00e7angas e bonecos de farinha foram alguns dos <em>stim toys<\/em> produzidos que ajudam na autorregula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"720\" height=\"1280\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-21-at-15.41.29.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26153\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26153\" class=\"wp-image-26153\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-21-at-15.41.14-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26154\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26154\" class=\"wp-image-26154\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-21-at-15.44.03-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26155\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26155\" class=\"wp-image-26155\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-21-at-15.42.14.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26156\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26156\" class=\"wp-image-26156\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"720\" height=\"1280\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-22-at-10.09.53.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26157\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26157\" class=\"wp-image-26157\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Oficinas para cria\u00e7\u00e3o de objetos de autorregula\u00e7\u00e3o envolveram os estudantes e esclareceram sobre as esteriotipias.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Trilha Sensorial<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na trilha sensorial, organizada pelo docente Andr\u00e9 Melo (Reitoria), os congressistas foram convidados a percorrer um caminho sem utilizar a vis\u00e3o e exploraram a trilha usando outros sentidos, recebendo est\u00edmulos diversos. De acordo com a psic\u00f3loga do IF Baiano, Edna Melo, vivenciar em alguma medida o que \u00e9 reconhecer os ambientes e espa\u00e7os, estando privado da vis\u00e3o, \u00e9 acessar um pouco de consci\u00eancia e sensibilidade com vistas a gerar atitudes de maior respeito e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas cegas, diante das barreiras e impedimentos de ordem, n\u00e3o apenas arquitet\u00f4nica, mas sobretudo atitudinal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-21-at-16.13.53.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26146\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26146\" class=\"wp-image-26146\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-21-at-16.17.59.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26147\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26147\" class=\"wp-image-26147\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-21-at-16.19.04.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26148\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26148\" class=\"wp-image-26148\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-21-at-16.21.05.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26149\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26149\" class=\"wp-image-26149\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1280\" height=\"720\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/WhatsApp-Image-2022-12-21-at-16.21.28.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"26150\" data-link=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?attachment_id=26150\" class=\"wp-image-26150\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Na trilha sensorial, congressistas simularam a perda da vis\u00e3o, explorando outros sentidos com est\u00edmulos sensoriais.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para a aluna Taliny Fagundes dos Santos, do curso T\u00e9cnico Subsequente em Agropecu\u00e1ria do Campus Itaberaba, ter \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o a sala de autorregula\u00e7\u00e3o foi importante, quando ela teve dificuldade em processar os est\u00edmulos do ambiente e as mudan\u00e7as intensas que o evento causou na rotina. A aluna conta que se sentiu em casa. \u201cDurante os eventos e as apresenta\u00e7\u00f5es, houve momentos em que me senti sobrecarregada, estressada, ansiosa e muito cansada, ent\u00e3o, fui algumas vezes \u00e0 sala de regula\u00e7\u00e3o sensorial.&nbsp; Era uma sala aconchegante. Pude ficar \u00e0 vontade para descansar, pensar no que tava acontecendo, chorar ou simplesmente ficar l\u00e1\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Taliny conta que ainda n\u00e3o tem um diagn\u00f3stico, mas est\u00e1 pesquisando e buscando profissionais para isso. \u201cPercebo que h\u00e1 alguns anos apresento tra\u00e7os de pessoas neurodivergentes. Nos \u00faltimos 3 anos, tenho tido contato com profissionais que s\u00e3o inclusive neurodivergentes e\/ou trabalham com Atendimento Educacional Especializado (AEE) e conversando com essas pessoas, pesquisando sobre&#8230; tenho me identificado muito com as caracter\u00edsticas de um neurodivergente, por\u00e9m ainda \u00e9 preciso a realiza\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora de AEE do Campus Itaberaba, Carla Ferreira da Silva Machado, vem acompanhando a estudante Taliny Fagundes em seu processo de busca por diagn\u00f3stico e esteve com a aluna durante o Congresso. Para ela, a realiza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es no Congresso fez com que ela percebesse e refletisse sobre a import\u00e2ncia de espa\u00e7os e profissionais para pessoas com necessidades educacionais espec\u00edficas nos eventos e n\u00e3o somente no espa\u00e7o institucional. &#8220;Ao acompanhar a estudante e promover as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas inclusivas direcionadas a participa\u00e7\u00e3o desta no evento, pude compreender na pr\u00e1tica que para al\u00e9m da sala de aula regular e da sala de recursos \u00e9 essencial que se pense nos eventos de forma inclusiva&#8221;, explica. <\/p>\n\n\n\n<p>Carla tamb\u00e9m \u00e9 neurodivergente e descobriu que tem Transtorno de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade (TDAH), no processo de investiga\u00e7\u00e3o para TDAH da sua filha. &#8220;Confesso que foi muito esclarecedor, mas ao mesmo tempo me causou algumas inquieta\u00e7\u00f5es relacionadas com as dificuldades que enfrentei ao longo da minha vida que poderiam ser mais bem superadas, se tivesse conhecimento de minhas caracter\u00edsticas. Tanto que direcionei minha forma\u00e7\u00e3o para \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o Especial para compreender melhor a neurodivesidade e poder atuar neste contexto de maneira a contribuir para inclus\u00e3o de pessoas neurodivergentes&#8221;, afirma a docente.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecer suas caracter\u00edsticas em outras pessoas, v\u00ea-las exercendo suas profiss\u00f5es e falando abertamente que \u00e9 neurodivergente \u00e9 importante para a aceita\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico e para a supera\u00e7\u00e3o de preconceitos. A Comiss\u00e3o de Neurodiversidade e Inclus\u00e3o recebeu feedbacks de alunos, como a pr\u00f3pria Taliny, contando o quanto se sentiram bem nos espa\u00e7os promovidos pela comiss\u00e3o e que pela primeira vez se sentiram pessoas normais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Import\u00e2ncia do diagn\u00f3stico precoce<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A professora Alessandra Souza \u00e9 uma das pessoas neurodivergentes com as quais a estudante Taliny teve contato durante o evento e se identificou. A docente conta que por preconceito e desconhecimento de profissionais de sa\u00fade recebeu diversos diagn\u00f3sticos equivocados e passou por in\u00fameros tratamentos ineficazes, descobrindo-se autista s\u00f3 aos 32 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSofri muito julgamento dos outros e de mim mesma. Eu me for\u00e7ava al\u00e9m de todos os meus limites, mascarava o quanto eu podia, mesmo que inconscientemente, para me encaixar.&nbsp; Mas isso tudo tem um pre\u00e7o e o custo \u00e9 muito alto\u201d, desabafa. Ela desenvolveu comorbidades como ansiedade generalizada, depress\u00e3o, ins\u00f4nia cr\u00f4nica, dor cr\u00f4nica e fibromialgia. \u201cTenho diversas disfun\u00e7\u00f5es executivas, como dirigir, andar de bicicleta, dan\u00e7ar, reconhecer rostos, localizar-me nos espa\u00e7os. Sofro com transtorno do processamento sensorial, tendo hipersensibilidade auditiva e visual, al\u00e9m de hipersensibilidade \u00e0 dor em determinadas \u00e1reas do corpo\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o diagn\u00f3stico, Alessandra passou a fazer terapias, usar medica\u00e7\u00f5es adequadas e reconhecer os seus limites e aceit\u00e1-los. \u201cTenho meu diagn\u00f3stico questionado o tempo todo por ser uma autista que fala, que \u00e9 casada, professora, doutoranda&#8230; Ou\u00e7o muito a t\u00edpica frase \u2018mas voc\u00ea nem parece autista\u2019. Se tiv\u00e9ssemos uma sociedade que compreende a neurodiversidade, certamente as pessoas saberiam que autismo n\u00e3o tem cara, que as caracter\u00edsticas s\u00e3o m\u00faltiplas, que o diagn\u00f3stico \u00e9 baseado em diversos crit\u00e9rios por profissionais s\u00e9rios e que questionar o diagn\u00f3stico de algu\u00e9m \u00e9 capacitismo puro\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Um diagn\u00f3stico precoce teria evitado muitos problemas de sa\u00fade para Alessandra e, como professora de AEE, ela faz o poss\u00edvel para que seus alunos n\u00e3o passem pelo que ela passou. O professor de AEE \u00e9 o profissional respons\u00e1vel por atuar na complementa\u00e7\u00e3o ou suplementa\u00e7\u00e3o de aprendizagem dos alunos que s\u00e3o p\u00fablico-alvo da Educa\u00e7\u00e3o Especial, pessoas com defici\u00eancia, altas habilidades ou Transtorno do Espectro Autista. O docente de AEE ajuda a garantir que o estudante tenha suas necessidades reconhecidas e respeitadas, tenha suas habilidades valorizadas e estimuladas e seja inclu\u00eddo em todo o processo de ensino e aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a psic\u00f3loga Edna, \u00e9 imprescind\u00edvel a abordagem de tem\u00e1ticas que tratem da quest\u00e3o da neurodiversidade nas institui\u00e7\u00f5es e nos seus eventos e, ao mesmo tempo, inclua na programa\u00e7\u00e3o&nbsp;espa\u00e7os de acolhimento para&nbsp;que pessoas com necessidades espec\u00edficas possam ter um local de regula\u00e7\u00e3o emocional que propicie&nbsp;tempo e condi\u00e7\u00f5es para recompor o equil\u00edbrio. \u201c\u00c9 preciso que a comunidade seja n\u00e3o apenas informada, mas tamb\u00e9m conscientizada e sensibilizada sobre as complexidades inerentes \u00e0 viv\u00eancia de pessoas neurodivergentes. Este assunto, que ainda \u00e9 pouco conhecido ou entendido de forma equivocada. [\u00c9 preciso] que haja estes espa\u00e7os, a fim de que se amplie o conhecimento sobre a viv\u00eancia e os desafios das pessoas com este diagn\u00f3stico para que seja percept\u00edvel o respeito \u00e0s diferen\u00e7as e o cuidado com as pessoas que entram em sobrecarga sensorial por conta do efeito intenso dos diferentes est\u00edmulos sobre elas, dando-lhes a condi\u00e7\u00e3o para se estabilizarem\u201d, afirma a psic\u00f3loga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabe o que \u00e9 capacitismo? \u00c9 acreditar que pessoas com defici\u00eancia s\u00e3o inferiores \u00e0quelas sem defici\u00eancia, \u00e9 subestimar sua capacidade e aptid\u00e3o, trat\u00e1-las como anormais e incapazes, em compara\u00e7\u00e3o com um referencial definido como perfeito. 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