﻿{"id":19181,"date":"2021-02-11T08:45:12","date_gmt":"2021-02-11T11:45:12","guid":{"rendered":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?p=19181"},"modified":"2023-02-01T09:18:59","modified_gmt":"2023-02-01T12:18:59","slug":"mulheres-que-crescem-com-a-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/blog\/mulheres-que-crescem-com-a-ciencia\/","title":{"rendered":"Mulheres que crescem com a ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p>O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ci\u00eancia \u00e9 celebrado no dia 11 de fevereiro e foi institu\u00eddo pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), visando estimular o acesso e a participa\u00e7\u00e3o feminina plena e igualit\u00e1ria na ci\u00eancia. &nbsp;Segundo a ONU, nos \u00faltimos 15 anos, a comunidade global fez um grande esfor\u00e7o para inspirar e envolver mulheres e meninas na ci\u00eancia. No entanto, elas continuam sendo exclu\u00eddas de participar plenamente da ci\u00eancia. At\u00e9 2020, menos de 30% dos pesquisadores no mundo eram mulheres. <\/p>\n\n\n\n<p>Para inspirar meninas a fazerem ci\u00eancia e divulgar nomes de jovens pesquisadoras, neste 11 de fevereiro, apresentaremos a trajet\u00f3ria de tr\u00eas mulheres que est\u00e3o crescendo com a ci\u00eancia. Elas est\u00e3o em diferentes momentos e n\u00edveis acad\u00eamicos e iniciaram suas carreiras no IF Baiano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00edvel m\u00e9dio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A aluna do segundo ano do curso t\u00e9cnico em Agroind\u00fastria do <em>Campus <\/em>Governador Mangabeira, <strong>Luana Maria Borges Mota<\/strong>, ingressou na institui\u00e7\u00e3o em 2019 e nesse mesmo ano teve oportunidade de participar de um projeto de pesquisa. Ela ainda n\u00e3o conhecia nada sobre o universo da pesquisa cient\u00edfica, entrou em um projeto j\u00e1 em andamento como bolsista substituta e agarrou a chance de se tornar pesquisadora. \u201cEra algo muito novo para mim, mas encarei como uma oportunidade \u00fanica, pois sabia que seria interessante para o meu curr\u00edculo <em>Lattes <\/em>e para o meu desenvolvimento pessoal e acad\u00eamico\u201d, conta a aluna.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o projeto, que estudava plantas de milho submetidas a um bioestimulante vegetal e diferentes fontes de \u00e1gua de irriga\u00e7\u00e3o, Luana participou de sua primeira Mostra de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica do IF Baiano \u2013 MIC 2019 e ganhou a premia\u00e7\u00e3o em terceiro lugar. No mesmo ano, a aluna participou da Olimp\u00edada Baiana de Biologia e recebeu medalha de prata. Atualmente, em seu terceiro projeto de pesquisa, ela trabalha com bioinform\u00e1tica na caracteriza\u00e7\u00e3o <em>in silico<\/em> da fam\u00edlia g\u00eanica oxidase alternativa de mamona.<\/p>\n\n\n\n<p>Biologia \u00e9 a disciplina preferida de Luana que sonha em cursar medicina e se p\u00f3s-graduar em neuroci\u00eancia. \u201cAntes de entrar no Instituto Federal eu tinha uma percep\u00e7\u00e3o muito distorcida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa cient\u00edfica. Eu achava que era algo muito fora da realidade e que para ingressar nesse universo precisaria solucionar algum problema enorme do mundo\u201d, relata. Hoje, ela sabe que fazer ci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 algo inacess\u00edvel e que meninas questionadoras e curiosas como ela podem ir longe solucionando pequenos problemas. &nbsp;\u201cCada pergunta solucionada gerava mais e mais questionamentos dentro de mim. Eu acho que isso \u00e9 fundamental para quem pensa em se tornar um cientista ou um pesquisador, essa vontade insaci\u00e1vel de buscar respostas e n\u00e3o se contentar com pouco\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1080\" height=\"851\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Luana.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19193\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>N\u00edvel superior<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Luiza de Souza dos Santos<\/strong>, de 19 anos, j\u00e1 est\u00e1 em outro momento da vida acad\u00eamica. Ela come\u00e7ou a pesquisar no ensino m\u00e9dio, assim como Luana, cursando o T\u00e9cnico em Alimentos no <em>Campus<\/em> Catu. Ap\u00f3s participa\u00e7\u00f5es em eventos, publica\u00e7\u00f5es e premia\u00e7\u00f5es, a aluna segue crescendo e se desenvolvendo dentro da Institui\u00e7\u00e3o e, hoje, j\u00e1 est\u00e1 no curso superior de licenciatura em Qu\u00edmica no mesmo <em>campus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ao ver sua av\u00f3 tratar a dor de ouvido de uma crian\u00e7a com o uso de uma planta (a folha de Arruda), que Ana Luiza despertou para a ci\u00eancia. Ela queria saber as explica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas por traz da pr\u00e1tica popular exercida por sua av\u00f3 e, ao se interessar pela planta, descobriu uma s\u00e9rie de possibilidades para o seu uso. O projeto &#8220;Avalia\u00e7\u00e3o in vitro do Extrato de Neem (azadirachta Indica) e Arruda (Ruta Graveolens) sobre tele\u00f3ginas de carrapato bovinos&#8221;, que derivou de suas investiga\u00e7\u00f5es sobre a Arruda, recebeu tr\u00eas premia\u00e7\u00f5es nacionais em primeiro lugar e chegou a ser finalista da XXI Exporecerca Jove (2020), na Espanha, e tamb\u00e9m da Feira Brasileira de Jovens Cientistas (FBJC 2020), na qual recebeu a premia\u00e7\u00e3o de 1\u00b0 Lugar na \u00e1rea de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias e pr\u00eamio de Honra em Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancias da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a aluna, a Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica deu \u00e0 ela a perspectiva de se projetar como uma futura pesquisadora e continuar na institui\u00e7\u00e3o no ensino superior tem permitido que ela siga na \u00e1rea, onde iniciou suas investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Na faculdade, ela pretende aprimorar conhecimentos que adquiriu no ensino m\u00e9dio, buscar novas \u00e1reas dentro da pesquisa cient\u00edfica, explorar ao m\u00e1ximo esse universo e levar para as pessoas esses conhecimentos, atrav\u00e9s da extens\u00e3o. \u201cVejo o IF Baiano como um espa\u00e7o de possibilidades, onde os alunos t\u00eam um potencial enorme. Com isso, a institui\u00e7\u00e3o busca desenvolv\u00ea-los a partir do que eles e elas s\u00e3o e do que gostam de fazer\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Luiza acredita que mesmo com avan\u00e7os importantes para a equidade de g\u00eanero na ci\u00eancia, as mulheres ainda t\u00eam muito a conquistar e grandes desafios para vencer. \u201c[Precisamos] conquistar nosso espa\u00e7o, fazer com que o meio cient\u00edfico seja mais diverso e representativo, precisamos de mais representatividade de jovens mulheres e incentivo para que mais jovens possam querer ingressar na ci\u00eancia&#8221;, contou. A aluna, que estuda para ser professora de Qu\u00edmica, adoraria ingressar mais uma vez no IF Baiano na condi\u00e7\u00e3o de docente, depois do longo percurso de qualifica\u00e7\u00e3o que pretende seguir.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1040\" height=\"780\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Ana-Luiza.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19195\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Doc\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi isso que aconteceu com a professora de Biologia<strong>, Jacqueline Ara\u00fajo Castro<\/strong>. Ela cursou o ensino m\u00e9dio integrado ao t\u00e9cnico em Agropecu\u00e1ria na Escola Agrot\u00e9cnica Federal de Santa In\u00eas (EAFSI), entre 2001 e 2003, hoje IF Baiano <em>Campus<\/em> Santa In\u00eas. Em 2016, retornou \u00e0 escola como professora do <em>Campus<\/em> Santa In\u00eas, onde p\u00f4de reencontrar antigos professores na condi\u00e7\u00e3o de colega. Atualmente, Jacqueline est\u00e1 lotada no <em>Campus<\/em> Governador Mangabeira e \u00e9 orientadora de Luana, a aluna que abriu esta reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Filha de assentados, Jacqueline ingressou na EAFSI aos 14 anos e l\u00e1 teve o primeiro contato com o m\u00e9todo cient\u00edfico e acesso a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade que mudou sua vida. \u201cO fato de estudar na Rede Federal me permitiu, primeiramente, experimentar uma educa\u00e7\u00e3o cuidadosa com a aprendizagem do estudante, bem como despertar o apre\u00e7o pela ci\u00eancia e admira\u00e7\u00e3o pelos caminhos acad\u00eamicos\u201d, relata. <\/p>\n\n\n\n<p>Dessa educa\u00e7\u00e3o transformadora ela destaca as experi\u00eancias que mais a marcaram: as atividades pr\u00e1ticas nos setores produtivos, cursar disciplinas que tratavam de processos que estavam presentes no cotidiano rural de sua fam\u00edlia, ouvir discuss\u00f5es sobre aspectos sociais que a ajudaram a entender seu lugar, enquanto assentada, na pol\u00edtica de reforma agr\u00e1ria, e, ainda, ter a experi\u00eancia de ser estimulada por professores a seguir a carreira docente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, ao concluir o ensino m\u00e9dio, ela conseguiu aprova\u00e7\u00e3o em uma universidade p\u00fablica, tendo a compreens\u00e3o de que poderia ocupar aquele espa\u00e7o, mesmo sendo uma estudante de baixa renda e a primeira pessoa de sua fam\u00edlia a ingressar em um curso superior. Ela conta que n\u00e3o foi um caminho f\u00e1cil. Para manter os custos em outra cidade, ela precisou trabalhar e contou ainda com a ajuda de seus pais que se sacrificaram para assisti-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a jovem cientista conseguiu concluir sua gradua\u00e7\u00e3o, em seguida, ingressar no mestrado e, por fim, no doutorado em Gen\u00e9tica e Biologia Molecular. Como docente, ela j\u00e1 passou pela Rede de Ensino do Estado da Bahia,&nbsp;pelo Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Tocantins (IFTO), at\u00e9 chegar ao IF Baiano, onde desenvolve pesquisas na \u00e1rea de Gen\u00e9tica e Biologia Molecular com enfoque em Bioinform\u00e1tica. Al\u00e9m de publica\u00e7\u00f5es de artigos em eventos e peri\u00f3dicos, a docente publicou, em 2020, o livro \u201cBioinform\u00e1tica como Objeto de Aprendizagem Digital (OAD) para o ensino da Biologia Molecular\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com tantas dificuldades superadas at\u00e9 se tornar a cientista que \u00e9 hoje, e embora acredite que a dedica\u00e7\u00e3o \u00e9 um componente necess\u00e1rio na constru\u00e7\u00e3o da vida acad\u00eamica, a docente n\u00e3o considera saud\u00e1vel romantizar o sofrimento e as priva\u00e7\u00f5es, pois \u201ca pobreza \u00e9 limitante e capaz de nos furtar cuidados b\u00e1sicos\u201d, afirma. Para as meninas que querem se tornar cientistas e enfrentar\u00e3o barreiras socioecon\u00f4micas e de g\u00eanero, ela deixa a seguinte mensagem. \u201cDiria, primeiramente, que n\u00e3o se amedrontem diante dos dif\u00edceis caminhos que escolheram trilhar, tamb\u00e9m diria que, para al\u00e9m das situa\u00e7\u00f5es pessoais, existe uma conjuntura pol\u00edtica da qual n\u00e3o podemos nos ausentar, pois \u00e9 espa\u00e7o de luta para busca de direitos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Jacqueline.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19197\" width=\"580\" height=\"435\" \/><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ci\u00eancia: conhe\u00e7a a trajet\u00f3ria de tr\u00eas pesquisadoras que t\u00eam crescido no IF Baiano<\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":19186,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,5,1,10],"tags":[173,155],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19181"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19181"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19181\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19208,"href":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19181\/revisions\/19208"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19186"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}