﻿{"id":18658,"date":"2020-12-18T14:06:56","date_gmt":"2020-12-18T17:06:56","guid":{"rendered":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?p=18658"},"modified":"2023-02-08T11:15:21","modified_gmt":"2023-02-08T14:15:21","slug":"congresso-do-if-baiano-racismo-e-popularizacao-da-ciencia-foram-temas-das-mesas-do-dia-17","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/blog\/congresso-do-if-baiano-racismo-e-popularizacao-da-ciencia-foram-temas-das-mesas-do-dia-17\/","title":{"rendered":"Congresso do IF Baiano: racismo e populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia foram temas das mesas do dia 17"},"content":{"rendered":"\n<p>As mesas do terceiro dia do Congresso de Ensino e Pesquisa do IF Baiano levaram ao p\u00fablico discuss\u00f5es de relev\u00e2ncia na atualidade em que observa-se muitos tensionamentos raciais e de questionamentos da ci\u00eancia. A primeira discutiu sobre racismo de forma transdisciplinar e a segunda teve como ponto alto o debate sobre <em>fake news<\/em><strong> <\/strong>e propaga\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nos ambientes digitais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cidadanias lingu\u00edsticas negadas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mesa sobre <strong>Cidadania lingu\u00edstica, multilinguismo e racismo<\/strong>, realizada na manh\u00e3 de ontem (17), contou com a contribui\u00e7\u00e3o dos docentes &nbsp;da \u00e1rea de lingu\u00edstica, Gabriel Nascimento, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), e Ivo Ferreira de Jesus, do IF Baiano <em>Campus <\/em> Santa In\u00eas, e da docente Alexandra Bomfim de Oliveira do IF Baiano &#8211; Campus Teixeira de Freitas da \u00e1rea de ci\u00eancias biol\u00f3gicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O docente convidado, Gabriel Nascimento, abriu as falas, defendendo que a linguagem tem implica\u00e7\u00e3o direta na constru\u00e7\u00e3o do racismo, pois, durante a invas\u00e3o colonial, ela foi usada como evangeliza\u00e7\u00e3o, como uma forma de negar a exist\u00eancia do outro, reprimindo o multilinguismo dos povos africanos e ind\u00edgenas. \u201cVivemos em um pa\u00eds de cidadanias lingu\u00edsticas negadas\u201d, afirma. O docente tamb\u00e9m explicou que o racismo \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o estruturante, que n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma ideologia ou um discurso, mas \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que lega aos negros o fracasso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Ivo Ferreira falou sobre o papel do Estado nessa estrutura racista que nega oportunidades a pessoas negras, evidenciando como o Estado, atrav\u00e9s de leis como Lei de Terras (Lei n. 601 de 1850) e a chamada Lei da Vadiagem (decreto-lei 3.688 de 1941), foi respons\u00e1vel pela marginaliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra no pa\u00eds. Sobre linguagem e racismo, o professor afirma que \u201cfoi imposto para a gente que existe um jeito correto de falar e um jeito certo de escrever, o que na verdade \u00e9 um patrulhamento para tirar de cena determinados atores que n\u00e3o teriam essa oportunidade pela quest\u00e3o hist\u00f3rica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"788\" height=\"593\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mesa-dia-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-18664\" \/><figcaption>Discuss\u00e3o sobre racismo contou com contribui\u00e7\u00e3o de linguistas e bi\u00f3loga <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Levando a discuss\u00e3o sobre racismo da lingu\u00edstica para a biologia, a docente Alexandra Bonfim afirma que, para a biologia, n\u00e3o h\u00e1 fundamento cient\u00edfico para que a esp\u00e9cie humana seja classificada em ra\u00e7as, embora as classes dominantes tenham se apropriado em v\u00e1rios momentos hist\u00f3ricos de argumentos biol\u00f3gicos para sustentar o racismo, como o uso da teoria da Eugenia. Para ela, \u00e9 fundamental que os alunos compreendam isso, entendam sobre a evolu\u00e7\u00e3o do homem, que existe apenas uma esp\u00e9cie humana na Terra hoje e que ela nasceu na \u00c1frica, para que possam desconstruir a ideia de racismo. <\/p>\n\n\n\n<p>Com a inten\u00e7\u00e3o de provocar reflex\u00f5es ainda mais profundas, ela se juntou a professores de outras \u00e1reas no <em>Campus<\/em> Teixeira de Freitas em um projeto transdisciplinar de combate ao racismo que tem realizado atividades e discuss\u00f5es de filmes com essa tem\u00e1tica entre os alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong>Pesquisa \u00e9 pop\u201d: mesa discute desafios da populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na tarde de quinta-feira, 17, ocorreu a mesa \u201cPesquisa \u00e9 pop\u201d. O debate sobre divulga\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia contou com a participa\u00e7\u00e3o de Luiz Gustavo de Almeida, gerente de m\u00eddias sociais do Instituto Quest\u00e3o de Ci\u00eancia (IQC) e criador do projeto <a href=\"https:\/\/pintofscience.com.br\/\"><u>Pint of Science<\/u><\/a>; do docente da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e criador do <a href=\"https:\/\/ornitorrincocurioso.wordpress.com\/\"><u>Blog \u201cOrnitorrinco curioso\u201d<\/u><\/a>, Marco Ant\u00f4nio Amaral; e do gerente de conte\u00fado do TikTok Brasil, Ronaldo Marques. O encontro foi mediado pelo docente do IF Baiano, <em>Campus <\/em>Catu, Marcelo Souza Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de apresentarem seus trabalhos como divulgadores cient\u00edficos e projetos das institui\u00e7\u00f5es que representam, eles debateram os desafios de falar sobre ci\u00eancia atualmente. Um dos pontos altos do debate foi a discuss\u00e3o sobre <em>fake news<\/em> e propaga\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nos ambientes digitais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"799\" height=\"419\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/04.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-18669\" \/><figcaption>Registro da mesa &#8220;Pesquisa \u00e9 Pop&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cHoje, a opini\u00e3o das pessoas tem implicado mais do que a verdade\u201d, comentou Marco Ant\u00f4nio Amaral. \u201cA gente t\u00e1 numa \u00e9poca em que a verdade \u00e9 irrelevante. Muita gente acredita na terra plana por falta de conhecimentos em metodologia cient\u00edfica, mas muita gente n\u00e3o\u201d. Al\u00e9m disso, ele destacou caracter\u00edsticas das <em>fake news<\/em> e como hoje est\u00e3o sendo pensadas solu\u00e7\u00f5es para o problema. \u201cA gente tem projetos de combater <em>fake news<\/em>, s\u00f3 que cada grupo est\u00e1 tentando de uma forma. Tem gente que acha que tem que banir fake news e proibir quem compartilha. Tem gente que tem aquela ideia da pol\u00edtica de censura, \u2018boazinha\u2019, \u2018do bem\u2019, onde a rede social vai censurar os conte\u00fados. Tem outros que acham que \u00e9 o governo que tem que censurar, tem gente que acha que n\u00e3o. O que mais tem \u00e9 gente afirmando que \u2018com certeza esse m\u00e9todo \u00e9 o verdadeiro\u2019. Mas, sendo sincero, at\u00e9 hoje ningu\u00e9m sabe.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o papel das redes sociais nesse panorama, Ronaldo Marques pontuou que elas funcionam como ve\u00edculos que propagam as informa\u00e7\u00f5es falsas geradas pela pr\u00f3pria sociedade. \u201cUma pessoa que est\u00e1 disposta a compartilhar uma mentira, seja por que ela quer divulgar, seja por que acredita naquilo, ou porque tem interesses por tr\u00e1s da divulga\u00e7\u00e3o daquela mentira, vai fazer isso como ela faz na vida real, mas de um jeito an\u00f4nimo e com um potencial muito grande de alcan\u00e7ar outras pessoas\u201d, ressaltou. No entanto, ele tamb\u00e9m acredita que as redes tamb\u00e9m podem ser um rem\u00e9dio para esse problema. \u201c\u00c9 pelas redes sociais que voc\u00ea combate <em>fake news<\/em>, que voc\u00ea compreende como as pessoas est\u00e3o divulgando seu saber e onde voc\u00ea consegue ampliar e chegar em pessoas que, por exemplo, n\u00e3o teriam acesso a informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o p\u00fablicas, mas que essas pessoas normalmente n\u00e3o iriam buscar&#8221;, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Luiz Gustavo Almeida lembrou que as causas da desinforma\u00e7\u00e3o ainda est\u00e3o em debate na academia. \u201cUma coisa que a gente achava \u00e9 que era por falta de informa\u00e7\u00e3o que as pessoas ficam ignorantes. N\u00e3o \u00e9 falta de informa\u00e7\u00e3o. Todo mundo tem celular, por mais que n\u00e3o tenha internet, tem lugar pra ter acesso \u00e0 internet &#8211; claro que tem exce\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o \u00e9 por falta de informa\u00e7\u00e3o que as pessoas querem ficar ignorantes. Hoje a gente falou um monte aqui de pessoas que s\u00e3o anti vacina, que acreditam em terra plana. Ent\u00e3o, isso \u00e9 um tipo de ignor\u00e2ncia que as pessoas buscam e querem se manter nelas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das raz\u00f5es inconclusivas, Almeida trouxe um caminho para que o trabalho de divulgar a ci\u00eancia continue. \u201cA gente tem que pensar nisso como um mar de desinforma\u00e7\u00e3o. A gente tem v\u00e1rios barquinhos e a gente est\u00e1 tentando salvar as pessoas que levantaram a m\u00e3o e que querem sair dali. Tem uma galera que t\u00e1 puxando pra baixo pra ir se afogar junto. E n\u00e3o tem como discutir, como convencer essas pessoas de subir no barquinho pra sair desse mundo de desinforma\u00e7\u00e3o. Mas aquelas pessoas que est\u00e3o levantando a m\u00e3o t\u00eam um sentimento verdadeiro de tentar sair dali\u201d, concluiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mesas do terceiro dia do Congresso de Ensino e Pesquisa do IF Baiano levaram ao p\u00fablico discuss\u00f5es de relev\u00e2ncia na atualidade em que observa-se muitos tensionamentos raciais e de questionamentos da ci\u00eancia. 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