﻿{"id":18626,"date":"2020-12-17T14:44:12","date_gmt":"2020-12-17T17:44:12","guid":{"rendered":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/?p=18626"},"modified":"2022-12-29T14:06:17","modified_gmt":"2022-12-29T17:06:17","slug":"congresso-do-if-baiano-conferencias-debatem-temas-atuais-como-mulheres-na-ciencia-e-historia-da-leitura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/blog\/congresso-do-if-baiano-conferencias-debatem-temas-atuais-como-mulheres-na-ciencia-e-historia-da-leitura\/","title":{"rendered":"Congresso do IF Baiano: mesas debatem temas atuais, como mulheres na ci\u00eancia e hist\u00f3ria da leitura"},"content":{"rendered":"\n<p>Temas atuais e globais foram debatidos a partir das contribui\u00e7\u00f5es de especialistas de institui\u00e7\u00f5es externas e comunidade do IF Baiano durante os dois primeiros dias de Congresso do IF Baiano &#8211; Ensino e Pesquisa, como a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas carreiras cient\u00edficas e as transforma\u00e7\u00f5es das pr\u00e1ticas de leitura com as tecnologias digitais. Nomes como o do historiador franc\u00eas e refer\u00eancia da \u00e1rea de linguagens, Roger Chartier, abrilhantaram as discuss\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mulheres na ci\u00eancia<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p>A manh\u00e3 do segundo dia de Congresso foi marcada pela discuss\u00e3o sobre mulheres na ci\u00eancia com a mesa <strong>\u201cCi\u00eancia: substantivo feminino\u201d<\/strong>. A mesa reuniu duas gera\u00e7\u00f5es de pesquisadoras: a gera\u00e7\u00e3o das docentes&nbsp; Eliana Alc\u00e2ntara Lisboa do IFBA e Felizarda Viana Beb\u00e9 do IF Baiano \u2013 <em>Campus<\/em> Guanambi e a gera\u00e7\u00e3o das alunas Ana Luiza de Souza dos Santos do Curso de Licenciatura de Qu\u00edmica do IF Baiano \u2013 <em>Campus <\/em>Catu e Carolina Costa Silva do Curso T\u00e9cnico Integrado em Administra\u00e7\u00e3o do IF Baiano \u2013 <em>Campus <\/em>Teixeira de Freitas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se as docentes Eliana e Felizarda, formadas respectivamente em f\u00edsica e agronomia, cursos predominantemente ocupados por homens, n\u00e3o encontraram um caminho f\u00e1cil at\u00e9 a ci\u00eancia, a gera\u00e7\u00e3o de Ana Luiza e Carolina, que fazem inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica desde o ensino m\u00e9dio, teve caminhos abertos por essas e outras mulheres cientistas, mas ainda luta por uma ocupa\u00e7\u00e3o mais justa dos espa\u00e7os acad\u00eamicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Mesa-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-18616\" width=\"520\" height=\"377\" \/><figcaption>Pesquisadoras discentes e docentes discutem participa\u00e7\u00e3o de mulheres na ci\u00eancia<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os dados apresentados por Eliana e Felizarda demonstram que a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na ci\u00eancia, especialmente, em algumas \u00e1reas como as chamadas &#8220;ci\u00eancias duras&#8221; \u00e9 ainda bem menor que a dos homens, devido a dificuldades culturais e sociais enfrentadas pelas mulheres.&nbsp; No entanto, Eliana ressalta que a ci\u00eancia surge do olhar humano para os fen\u00f4menos e de sua curiosidade em observar, selecionar, documentar, comparar e entender os eventos ao seu entorno. \u201cA ci\u00eancia nunca foi particularidade masculina, ela sempre foi tanto de homens, quanto de mulheres, na medida em que ela surge de curiosidades que tanto homens como mulheres t\u00eam\u201d, conclui a docente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Luiza ilustrou bem essa curiosidade ao contar que seu despertar para a ci\u00eancia foi a partir de um evento cotidiano num dia de f\u00e9rias na casa da av\u00f3. A jovem cientista observou sua av\u00f3 colocando o sumo da folha de arruda no ouvido de uma crian\u00e7a que chorava e se queixava de dor. Ana Luiza se intrigou ao perceber que, passado algum tempo, a crian\u00e7a brincava sem queixas de dor. Curiosa, ela se perguntava como teria agido a planta no combate \u00e0 dor de ouvido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A aluna desconhecia as propriedades analg\u00e9sicas da arruda, mas logo se p\u00f4s a pesquisar e, assim que voltou de f\u00e9rias, procurou um professor com experi\u00eancia na \u00e1rea para ajud\u00e1-la a entender o fen\u00f4meno. O docente a orientou a fazer um levantamento bibliogr\u00e1fico sobre a planta. Nesse estudo, ela descobriu que al\u00e9m das propriedades da arruda j\u00e1 popularizadas para tratamento da sa\u00fade, ela tamb\u00e9m tem um princ\u00edpio ativo que retarda as fun\u00e7\u00f5es vitais de insetos e pragas. N\u00e3o demorou para que aluna e professor achassem uma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para os novos conhecimentos. Eles perceberam que a planta poderia ser \u00fatil no controle de uma infesta\u00e7\u00e3o de carrapatos que o <em>campus<\/em> enfrentava, por ser uma escola agrot\u00e9cnica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Carolina, que pesquisa a quest\u00e3o da gordofobia atrav\u00e9s do cinema no projeto \u201cCinema e ci\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de ensaios filos\u00f3ficos\u201d, tamb\u00e9m conta que o que motivou sua pesquisa foram indaga\u00e7\u00f5es pessoais a respeito de representatividade e preconceito por sua pr\u00f3pria viv\u00eancia como uma pessoa gorda. Para ela, a gordofobia \u00e9 um assunto feminino, j\u00e1 que a press\u00e3o est\u00e9tica sobre os corpos das mulheres \u00e9 maior que sobre os corpos dos homens. \u201cSendo mulher e sendo gorda, \u00e9 uma honra para mim conseguir produzir materiais cient\u00edficos sobre a gordofobia e cinema\u201d, afirma Carolina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de refletirem sobre a falta de representatividade de mulheres na ci\u00eancia, as quatro pesquisadoras trouxeram em suas falas refer\u00eancias de mulheres cientistas para que o p\u00fablico se aproprie delas em seu imagin\u00e1rio do que \u00e9 um cientista, desde a f\u00edsica Marie Curie, primeira mulher a receber um Pr\u00eamio Nobel, at\u00e9 a biom\u00e9dica baiana, Jaqueline Goes de Jesus, respons\u00e1vel pelo r\u00e1pido sequenciamento gen\u00e9tico do novo coronav\u00edrus no pa\u00eds. O Congresso apresentou ao p\u00fablico as pr\u00f3prias palestrantes como refer\u00eancias de mulheres na ci\u00eancia, que ocupam espa\u00e7o nos laborat\u00f3rios e na academia e pautam pesquisas que interessam a todos, mas tamb\u00e9m assuntos que interessam mais fortemente \u00e0s mulheres e que nunca tiveram espa\u00e7o na ci\u00eancia, como a gordofobia estudada por Carolina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palestra com Roger Chartier discute transforma\u00e7\u00f5es das pr\u00e1ticas de leitura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na tarde do dia 16, foi realizada a mesa <strong>Tecnologias da leitura e da escrita ao longo do tempo: ler, escrever e pesquisar<\/strong>, com o palestrante Roger Chartier. O historiador \u00e9 professor Emeritus do Coll\u00e8ge de France-Paris e professor visitante da Universidade da Pennsylvania. <\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m participaram da atividade, como mediadoras do debate, as docentes e coordenadoras de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o do IF Baiano, Camila Duarte (Campus Itapetinga), Eliane Leite (Campus Governador Mangabeira) e Gabriele Belo (Campus Valen\u00e7a).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 1600 pessoas acompanharam a transmiss\u00e3o, iniciada \u00e0s 14h.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, Chartier discorreu sobre os processos de muta\u00e7\u00e3o dos processos de leitura com o advento de novas tecnologias, como o surgimento dos livros, compostos de p\u00e1ginas e encaderna\u00e7\u00e3o (que veio em substitui\u00e7\u00e3o ao livro da antiguidade de grega, em formato de rolo), a inven\u00e7\u00e3o da prensa de Gutenberg at\u00e9 a muta\u00e7\u00e3o transformadora da revolu\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ifbaiano.edu.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/05.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-18617\" width=\"550\" height=\"323\" \/><figcaption>Confer\u00eancia com Roger Chartier teve tradu\u00e7\u00e3o em libras e contribui\u00e7\u00e3o de docentes do IF Baiano<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo ele, com o uso do meio digital, ocorre um processo de transforma\u00e7\u00e3o da leitura, marcada pela fragmenta\u00e7\u00e3o textual e dificuldade de compreens\u00e3o das obras em sua totalidade. \u201cTraz uma leitura segmentada, que busca, a partir de palavras-chaves, a partir de rubricas tem\u00e1ticas, fragmentos textuais: um artigo num peri\u00f3dico, um par\u00e1grafo em um livro, a informa\u00e7\u00e3o no website. N\u00e3o se preocupa, n\u00e3o busca e n\u00e3o percebe a totalidade da revista, do livro ou do website. \u00c9 uma leitura que descontextualiza, que fragmenta, que segmenta, e, desta maneira, se poderia pensar que, no mundo digital, todas as unidades textuais s\u00e3o como dados num banco de dados\u201d, explicou o historiador, que tamb\u00e9m ressaltou a necessidade de n\u00e3o se menosprezar os novos h\u00e1bitos e pr\u00e1ticas vindas com a revolu\u00e7\u00e3o digital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma revolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, introduzindo uma nova modalidade de produ\u00e7\u00e3o, de transmiss\u00e3o, de recep\u00e7\u00e3o dos discursos. \u00c9 uma revolu\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica que n\u00e3o tem nada a ver com o rolo da antiguidade nem com o c\u00f3dex. \u00c9 uma forma de transforma\u00e7\u00e3o que lan\u00e7a um profundo desafio em rela\u00e7\u00e3o aos nossos h\u00e1bitos de leitura e da escrita\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir das interven\u00e7\u00f5es das debatedoras, o pesquisador tamb\u00e9m comentou sobre os efeitos das novas tecnologias nos m\u00e9todos e pr\u00e1ticas de pesquisa, nos processos de aprendizagem de estudantes em diferentes contextos sociais e com a amplia\u00e7\u00e3o do ensino a dist\u00e2ncia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O encerramento da palestra contou com agradecimentos pela participa\u00e7\u00e3o do pesquisador, uma das grandes refer\u00eancias atuais nos estudos sobre hist\u00f3ria da leitura, por parte das debatedoras e pela pr\u00f3-reitora de Pesquisa do IF Baiano, Luciana Mazzutti.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Congresso do IF Baiano &#8211; Ensino e Pesquisa <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Congresso do IF Baiano vai at\u00e9 sexta-feira, 18, promovendo diversas&nbsp; atividades, como confer\u00eancias, semin\u00e1rios, mesas de discuss\u00e3o, apresenta\u00e7\u00e3o de trabalhos, premia\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas.&nbsp; Para acessar as salas de transmiss\u00e3o do Congresso, os participantes devem consultar a programa\u00e7\u00e3o no&nbsp;<a href=\"https:\/\/eventos.ifbaiano.edu.br\/portal\/congresso\/\"><strong>site do evento<\/strong><\/a>&nbsp;e clicar na atividade desejada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Temas atuais e globais foram debatidos a partir das contribui\u00e7\u00f5es de especialistas de institui\u00e7\u00f5es externas e comunidade do IF Baiano durante os dois primeiros dias de Congresso do IF Baiano &#8211; Ensino e Pesquisa, como a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas carreiras cient\u00edficas e as transforma\u00e7\u00f5es das pr\u00e1ticas de leitura com as tecnologias digitais. 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