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Troca de saberes molda relação do IF Baiano com agricultores
Atualizado em 28 de julho de 2020 às 10:34 horas | Publicado em 28 de julho de 2020 às 10:22 horas

No Dia do Agricultor, destacamos o papel do Instituto Federal Baiano na oferta de qualificação para estes trabalhadores, que vem de um processo secular baseado na troca de saberes. Durante a pandemia, essa relação é reforçada com ações que contribuem com o escoamento da produção de agricultores familiares.

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O dia 28 de julho ajuda a relembrar a importância de trabalhadores fundamentais e que garantem a comida na mesa dos brasileiros, mesmo durante um período de pandemia: os agricultores e agricultoras. Neste ano de 2020, a data do Dia do Agricultor ocorre em meio à pandemia do novo coronavírus, situação que vem gerando impactos e desafios na vida desses trabalhadores, os quais são parte da essência do IF Baiano.

Afinal, a história do Instituto é também a história da primeira oferta de ensino profissional na área agrária da Bahia, permitida a partir da implantação, lá no final do século XIX, da Fazenda Modelo de Criação, na região de Catu. A partir desse marco, surgiram outras instituições no modelo de fazenda-escola no estado, que se uniram e integraram em 2008, com a Lei de Criação dos Institutos Federais, o IF Baiano. 

No decorrer dessa trajetória, a relação do Instituto com os agricultores foi se fortalecendo, num processo marcado pela troca constante entre os saberes acadêmicos e tradicionais. E, a partir da criação dos Institutos Federais, essa parceria passa a dar ainda mais frutos com as ações de ensino, pesquisa e extensão. 

Ensino que transforma a agricultura 

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), o Brasil é um dos cinco maiores produtores de alimentos do mundo e o segundo maior exportador. Isso quer dizer que a demanda pela qualificação e formação de futuros agricultores também deve acompanhar essa realidade. “A oferta de cursos se dá exatamente em decorrência da necessidade de aumentarmos a produtividade. Não só aumentar a quantidade de produtos, mas aumentar a qualidade desses produtos”, explica o pró-reitor de Ensino do IF Baiano, Ariomar Rodrigues. 

“O IF Baiano é o único instituto do Brasil que é 100% agrícola. Então, a nossa própria história, a nossa base de formação, vem da importância que foi dada, desde a época das antigas escolas agrotécnicas e das Emarcs que se incorporaram. Nós valorizamos e procuramos criar, não só cursos técnicos, mas cursos de graduação, especialização, mestrado e, futuramente, um doutorado, nesse segmento”, ressalta Rodrigues.  

Hoje, o Instituto oferta cursos em 14 territórios de identidade da Bahia, que contemplam áreas como agropecuária, agroecologia, agricultura, agroindústria, alimentos, oferecendo o conhecimento teórico necessário para melhorar a prática de agricultores. E segundo o pró-reitor, essa dinâmica é uma via de mão dupla. “A máxima das antigas agrotécnicas, a gente pode também aplicar para o instituto: é aquela de ‘fazer para aprender e aprender para fazer’. Ou seja, o conhecimento adquirido pelo agricultor é uma base muito forte. Quando a gente capacita o agricultor, a gente também aprende com ele na base da troca de experiências. Eles vivenciam no dia a dia as realidades e essas realidades são importantes para o crescimento do Instituto”, complementa. 

Maria (em vermelho) apresenta novas possibilidades de culturas em sua comunidade, após aprendizado no IF Baiano.
Foto: Arquivo pessoal

Esta é a experiência vivida pela agricultora e estudante do curso técnico em agropecuária da modalidade Proeja, Maria da Paixão de Jesus Santos, que tem 56 anos e sempre trabalhou com agricultura familiar. A partir do conhecimento adquirido no Instituto vem qualificando práticas em sua comunidade. ”Lancei na minha associação um projeto chamado Culturas Diversas, ao ver que na minha comunidade se costuma cultivar só uma ou duas culturas. E a gente passou a plantar hortaliça com cultivares de cebola, cenoura, e outras, onde a comunidade não tem costume de plantar. E foi muito bom o projeto pois a gente viu que nosso clima é bom e que somos capazes de produzir outras culturas”, conta a agricultora. 

Instituto e agricultores no enfrentamento da pandemia 

Valorizar o trabalho de agricultores que produzem sem o uso agrotóxicos, ajudar no escoamento da produção da agricultura familiar prejudicada com a pandemia e, ainda, ajudar famílias em situação de vulnerabilidade social a ter comida saudável na mesa. Com esses objetivos, o projeto “Comida e Saúde em Tempos de Coronavírus” é um, entre tantos projetos de pesquisa e extensão que vêm sendo desenvolvidos no IF Baiano, e que soma forças com produtores rurais durante este período.

Realizado por docentes e estudantes do Campus Santa Inês, o projeto, financiado com recursos de edital da Propes/Proex, identificou, nos últimos meses, sete famílias de agricultores de quatro comunidades do Vale do Jiquiriçá (Bom Jesus, Riacho Novo, Boqueirão e Cova da Onça), adquiriu destes produtores uma variedade de gêneros alimentícios e montaram cestas que foram doadas a 50 famílias em situação de vulnerabilidade social, beneficiando quase 300 pessoas da região.  Além dos alimentos, as cestas também incluíram máscaras, álcool 70% e sabão líquido, itens disponibilizados por meio de outros projetos desenvolvidos no campus. A entrega ainda for feita em data simbólica para os nordestinos, na véspera de São João, dia 23 de junho.

Cestas como estas foram entregues a 50 famílias do Vale do Jiquiriçá durante a pandemia. Imagem: Arquivo/Projeto

Moradora da comunidade do Andaraí, zona rural do município do Jiquiriçá, Nilce Moreira é agricultora familiar e diretora de sindicato rural. Ela colaborou com o projeto ajudando a conectar a instituição e os agricultores e conta que a dificuldade nesse período de pandemia tem sido grande. “Além da feira do município, [os agricultores] vendiam nas feiras dos municípios vizinhos e também para o PNAE da prefeitura municipal. Como eles não estão podendo expor seus produtos nas feiras dos municípios vizinhos e a feira do próprio município foi reduzida, isso está criando uma certa dificuldade para eles estarem escoando sua produção”, relata a produtora. Nesse sentido, o projeto possibilitou, com a compra dos alimentos, que as famílias de agricultores pudessem comprar outros itens que não são produzidos na zona rural. 

O projeto é resultado da articulação do Grupo de Estudos Negros e do Núcleo de Estudos em Questões Agrárias do IF Baiano Campus Santa Inês, em parceria com a Associação de Amparo à Criança e Adolescente do Vale do Jiquiriçá, a Associação dos Moradores do Corte Peixoto e Bom Jesus e o Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Jiquiriçá.

Para a distribuição dos alimentos, cuidados foram tomados em virtude da pandemia. É o que relata a coordenadora do projeto, Aline Lima, que é professora e também coordena o Núcleo em Estudos em Questões Agrárias (IF Baiano/CNPq). “Nós montamos uma força-tarefa, com várias restrições e utilizamos o espaço do sindicato dos trabalhadores rurais, que é um espaço mais amplo e ventilado, que permitia com segurança a circulação das pessoas que estavam na equipe executora para a distribuição dos alimentos”. 

Passada a fase operacional, agora, a equipe do projeto segue para a fase formativa e de pesquisa, com discussão de textos sobre soberania e segurança alimentar, coleta de depoimentos de beneficiados, organização de um cadastro dos agricultores que forneceram alimentos, além da produção de mapas com dados das pessoas beneficiadas e dos fornecedores. “Eu acho que o fundamental é que nós conseguimos tratar de forma indissociável o ensino, a pesquisa e a extensão [nesse projeto]. Então, todas essas leituras que nós estamos fazendo casam com as disciplinas que nós trabalhamos no campus. Por exemplo, nesse semestre sou professora da disciplina de Organização do Espaço Geográfico Brasileiro, então já estou fazendo alinhamentos da minha disciplina e discutindo a realidade brasileira, a partir desse projeto”, destaca a professora. 

E assim, a partir de projetos como esse, os estudantes relacionam o que aprendem na sala de aula com a realidade dos agricultores e da região em que vivem. E esse aspecto é importante também para os produtores, como afirma a agricultora Nilce Moreira. “Eu vejo a troca com o Instituto como muito boa. Porque é uma forma de os alunos e professores e dos agricultores familiares entenderem um o trabalho do outro, compreender e saber da importância do quanto os agricultores produzem, que é desde ovo de galinha até leite, hortaliças, verduras, frutas. É uma diversidade de culturas que a agricultura familiar produz”.

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