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Alunas do Campus Catu desenvolvem trabalho sobre valorização dos cabelos naturais da comunidade negra
Atualizado em 16 de dezembro de 2019 às 15:38 horas | Publicado em 16 de dezembro de 2019 às 15:38 horas

Estudo foi publicado na revista InCiência, que divulga anualmente projetos de pré-iniciação científica de todo o país.

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Foram quase dois anos de estudo e dedicação para que as alunas do IF Baiano Campus Catu, Juliana Caldeira e Rafaella Matos, orientadas pelos professores Saulo Luis Capim e Emili Abrahem, desenvolvessem o estudo intitulado “Raiz, Identidade e Empoderamento: estudo histórico-químico sobre a ditadura dos padrões de beleza dos cosméticos na sociedade contemporânea”. O trabalho destaca a importância do cabelo crespo e cacheado como símbolo de resistência e a influência das indústrias de cosméticos capilares no processo negativo da perda da valorização dos cabelos naturais.

Um relato sobre o trabalho foi publicado na 9° edição da revista InCiência, periódico anual organizado pelo Colégio Dante Alighieri, que divulga projetos de pré-iniciação científica. O espaço na revista foi conquistado após premiação do trabalho na Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (Febrace), em março deste ano.

A ideia para desenvolver o estudo surgiu no próprio campus, quando as alunas perceberam que muitos dos seus colegas negros tinham dificuldades em assumir os cabelos crespos e cacheados por questões sociais e também financeiras. “Inclusive, muitas meninas negras alisavam os cabelos e tinham restrições em deixá-los naturais” conta Caldeira.

Foi através dessa percepção que ela e a sua colega de turma, Rafaella Matos, resolveram estudar o assunto. Então, sob a orientação dos professores de história e química, as estudantes mapearam referências bibliográficas e desenvolveram um artigo que se debruça sobre o tema com um olhar multidisciplinar, apresentando uma perspectiva histórica da formação da identidade estética brasileira, até chegar numa análise sobre os componentes químicos dos produtos do mercado, apontando os malefícios que causam especialmente à estrutura dos cabelos crespos e cacheados, e sua relação com os movimentos de resistência negra brasileiros que recuperam o black power como um símbolo político.

Além disso, o estudo também gerou a realização de oficinas de produtos naturais, nas quais elas ensinavam aos participantes como produzir hidratantes, shampoos e condicionadores com composição não agressiva aos fios do cabelo. Os procedimentos apresentados nas reuniões foram desenvolvidos em sala de aula sob a supervisão e orientação de professores e, com isso, as estudantes conseguiram reunir cerca de 600 pessoas da comunidade interna e externa ao campus. Nesses encontros, Juliana e Rafaella, além de explicarem e desenvolverem a proposta das oficinas, falaram sobre o artigo científico que elas construíram, sempre destacando a valorização da identidade por meio do cabelo.

De acordo com as alunas, após o projeto, as discussões acerca da valorização do cabelo natural começaram a ser intensificadas, tanto no campus em que elas estudam, quanto na cidade de Catu. Além disso, elas ressaltam que muitas pessoas começaram a passar por processos de transição capilar no campus, levando em consideração os seus cabelos naturais.

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