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Pesquisa alerta para desertificação em afluente do Rio São Francisco
Atualizado em 6 de julho de 2018 às 12:10 horas | Publicado em 19 de junho de 2018 às 13:53 horas

Resultados poderão contribuir com a elaboração de projetos de recuperação da área degradada.

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Resultados de estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano) apontaram para a existência de processo de desertificação na região do médio curso do rio Salitre, um dos afluentes do Rio São Francisco. O trabalho, registrado em Boletim Técnico, propõe alternativas para evitar o problema da erosão hídrica (principal indicativo da desertificação no semiárido) e recuperar parte da área degradada na região.

Os trabalhos foram conduzidos de 2015 a 2017 pelos pesquisadores Alisson Jadavi, engenheiro agrônomo e professor do Campus Governador Mangabeira, e Márcio Rios, geógrafo e docente do Campus Senhor do Bonfim.

A região do médio curso do rio Salitre é marcada hoje por ampla extensão de solo exposto, inúmeras feições erosivas e intenso processo de assoreamento (acumulação de sedimentos) do rio principal. “Quando uma área entra em processo de desertificação ela já foi impactada de diversas maneiras. No caso específico do médio curso do rio Salitre, a retirada da vegetação nativa e o uso do solo para agricultura na ausência de práticas conservacionistas devem ser os principais fatores que contribuíram com a degradação do solo e rio”, ressalta Jadavi.

Em decorrência dessas condições, a erosão dos solos nas encostas é bastante agressiva e tem impacto direto no potencial biológico e produtivo das terras e na capacidade de regeneração da caatinga. Segundo Rios, a atual situação contrasta com um histórico não muito distante do afluente. “Há registros que esse rio, em um passado recente, possuía fluxo de água, mesmo que em parte do ano. O rio Salitre está de fato morrendo, pois, até mesmo a intermitência das águas não existe mais”.

Outro aspecto levantando pela pesquisa atenta para os impactos socioeconômicos ocasionados pela degradação ambiental. “Com recursos naturais cada vez mais escassos, ampliam-se as dificuldades para as comunidades rurais no local, que já possui economia e base social frágeis”, aponta o pesquisador Márcio Rios.

Desenvolvimento dos experimentos

A erosão do solo é um dos principais indicadores do processo de desertificação. Nesse sentido, a pesquisa teve como objetivo mapear e medir os processos erosivos no médio curso do rio salitre e montar um experimento para demonstrar que terraços podem evitar a erosão hídrica e recuperar a área degradada. Os terraceamento é uma técnica que permite “quebrar” o fluxo da enxurrada, reduzindo a erosão nas encostas e o assoreamento do rio.

O experimento consistiu na construção de terraços patamares numa área em alto estágio de degradação (localizada a cerca de 120 km do Campus Senhor do Bonfim). Após o período de testes e observação (2015 a 2017), ficou comprovada a eficiência da tecnologia na recuperação da área afetada.

Contribuição da pesquisa

Os pesquisadores acreditam que o alerta sobre a desertificação e os resultados obtidos com a tecnologia testada poderão contribuir com a elaboração de políticas e programas ambientais para o estado da Bahia e bacia do São Francisco. “O reconhecimento de um processo de desertificação instalado no local poderá abrir portas para investimento com foco na recuperação de áreas degradadas e na reorganização de atividades econômicas compatíveis com as condições ambientais da área”, reforça Rios.

Benefícios para comunidade acadêmica e estudos posteriores também são esperados. “No âmbito acadêmico, podemos utilizar os resultados da pesquisa em disciplinas diversas que envolvem a proteção e uso de solo e água”, complementa Jadavi.

Os resultados experimentais obtidos no estudo fazem parte do projeto intitulado “Aperfeiçoamento de técnicas de captação de água da chuva para controle da desertificação e aumento da sustentabilidade agrícola no semiárido baiano”, apoiado pelo edital SEMA/FAPESB n. 02/2014.

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