IF Baiano lança aplicativo sobre cuidados com as águas a partir de narrativas indígenas

Fruto dkiririe um ano e quatro meses de pesquisa, foi criado um aplicativo sobre cuidados com as águas a partir das narrativas dos índios Kiriri. O projeto, denominado Tec-Iara, foi fomentado pela chamada nº 18/2015 da Agência Nacional das Águas e Capes e consistiu no levantamento das narrativas dos povos indígenas do Território Semiárido Nordeste II, pelo Grupo de Pesquisa e Estudos em Lavouras Xerófilas (IF Baiano/CNPq).

Por meio de jogos didáticos eletrônicos e jogos como quebra-cabeças, abordando temas como o ciclo hidrológico associado à conservação dos solos, produção em sistemas agrícolas agroecológicos e uso racional da água para população humana e animais, o aplicativo foi desenvolvido para atender a educação do campo, especialmente jovens do Ensino Básico na Caatinga e na Mata Atlântica na Bahia, em especial, nas Escolas Indígenas.

Participam também do processo de pesquisa, os estudantes Janderson Guirra e Roberta Rocha, da Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, ofertada pelo IF Baiano – Senhor do Bonfim.

História e Cultura

Além de informações científicas, o app traz a narrativa da Cobra Grande que remonta a história dos Kiriris, que viviam numa região onde havia três lagoas. De acordo com a narrativa, essa cobra teria cerca de 6 km e saia das áreas mais altas para boiar sobre as águas. Algumas pessoas viam o “Encantado das Águas”, outras não. A narrativa gerava, na comunidade, um respeito pelo ser e pelo local.

DSC06592-1 (2)A cultura indígena não tem a nossa normativa de leis. Então, são estas narrativas que conduzem às práticas que vão determinando como é os cuidados com as águas, com a fauna, a questão da caça, e vão estabelecendo como se dá esta relação entre o homem, que está localizado naquela região, sua cultura e o meio ambiente”, pontua o professor Aurélio Carvalho.

Outro paralelo entre a narrativa e a história dos Kiriris, é a retomada dos rituais antigos e a retomada da terra. “Participaram da Guerra de Canudos e no retorno da guerra, o território deles estava ocupados por não-índios. Então, eles ficam margeando o território deles”, rememorou Carvalho.

Conforme o professor, há dez anos, não há mais água, na região onde se encontrava as lagoas do Território Kiriri. A perspectiva do jogo é recuperar a narrativa e despertar para recuperação das lagoas. “A recuperação é possível, através de desassoreamento, que é mecânico, e junto com eles, um trabalho de revegetação, de cuidado em relação ao tipo e a forma que vai se plantar”, afirmou Aurélio.

Identidade

Um outro ponto que o professor Aurélio chama a atenção é a necessidade de desconstruir o estereótipo de índio. Para ele, o índio que a escola básica traz é aquele de 1500, não é o índio contemporâneo, que tem contato com mundo não-índio e tecnologias. “Eles têm celular e nem por isso deixaram de ser índios. Não é porque você tem contato com outro povo que não é o seu, você deixa de ser aquilo que você é. É uma identidade que se renova”, constatou.

O grupo de pesquisa esteve nos território indígenas Tupinambá, Kaibé e Kiriris, que foram escolhidos para o desenvolvimento do trabalho em razão da narrativa da Cobra Grande e do assoreamento de seus mananciais. Os Kiriris se dividem em várias facções, mas o contato maior do grupo foi com uma das facções mais antigas da região, liderada pelo Cacique Lázaro.

No processo de aproximação cultural, o professor observou que a influência das drogas sobre os jovens indígenas não é tão forte, como em outras comunidades em situações de vulnerabilidade. “Essa identidade cultural os fortalece e os torna, relativamente, imunes a este tipo ataque externo. Isso é um processo muito interessante e notório em Serra do Padeiro, com os Tupinambás e também com os Kiriris”, disse.

Desafios e perspectivas

app_kiririO aplicativo está disponível no Google Play para download gratuito. Para Aurélio, a criação do app traz a possibilidade de diálogo entre os cursos de informática e da área das agrárias no IF Baiano e ressalta que o aplicativo não está pronto e acabado, mas trata-se de uma proposta inicial que poderá ser aperfeiçoada, inclusive para contemplar outras narrativas e aplicar em mais escolas do Território. Há ainda a expectativa de apresentar o projeto, em 2018, no 8º Fórum Mundial das Águas, em Brasília.

Aurélio também enfatizou a missão institucional de atender essas comunidades e as demandas dos Territórios de Identidade. “Eles tem necessidades de cursos e precisamos pensar como atender a essas comunidades. São coisas a médio e longo prazo para o Instituto responder e função da extensão: ver a problemática que se tem, trazer para pesquisa e para o ensino. Há necessidade de, organicamente, estarmos próximos desse grupos, entrar nessas comunidades, caminhar para fortalecimento da agroecologia e do Instituto junto a essas populações que mais carecem da ação do Estado”.

Baixe o app Kiriri no Google Play

Saiba mais: http://www.kiriri.com.br/

Fotos: Arquivo pessoal de Aurélio Carvalho e Print de tela do aplicativo

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Desenvolvimento de novos produtos de alimentos e bebidas é um dos objetivos de projeto no Campus Uruçuca

 Pesquisadores do IF Baiano das áreas de alimentos e turismo aliam os pilares Pesquisa e Extensão
Seguir as tendências dos novos nichos de mercado eagregar valor às frutas regionais por meio de incentivos averticalização e formação técnica através da transdisciplinaridade. Esses objetivos uniram os professores do Núcleo de Tecnologia de Alimentos – NUTEC e Núcleo de Turismo – NUT por intermédio dos projetos de pesquisa e extensão, apoiados pelas chamadas 01/2016 e 02/2016 PROPES/CNPq (Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação / Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)e 02/2015 PROEX (Pró-Reitoria de Extensão)”, explica o pesquisador Ivan Pereira. 

Dentro da proposta, a equipe já realizou eventos científicos, tais como: I e II Seminários de Pesquisa e Extensão – SIPEX, I Mostra de Gastronomia eMostra de Iniciação Científica -MIC; participou dos eventos SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), CONNEPI (Congresso Norte Nordeste de Pesquisa e Inovação) eCBCTA (Congresso Brasileirode Ciência e Tecnologia de Alimentos). “A principal ação futura é transformar cursos, minicursos e oficinas em cursos de curta duração ou até mesmo cursos técnicos em modalidades acessíveis para os grupos produtivos regionais”, pontua Pereira.

A pesquisadora Fernanda Castro complementasob a perspectiva dos produtos turísticos gastronômicos. “Uma das propostas é integrar a cadeia produtiva do mercado cervejeiro e dos produtos regionais desde a produção, a análise do mercado e a gestão de empreendimentos relacionados à cerveja. Aprender a produzir e harmonizar a cerveja e preparações por meio das particularidades dealimentos e bebidas, tornando possível a formatação de um novo produto turístico regional que contemple as áreas de conhecimento do turismo e da ciência e tecnologia de alimentos”, enfatiza.
Ivan reforça a importância das ações conjuntas para fortalecer o CampusUruçuca “em termos de visibilidade, captação de recursos e, sobretudo, apartir do entendimento da importância do princípio norteador da educação técnica e tecnológica: a indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão”, afirma o pesquisador. “Apartir da escolha de temas, atividades e possíveis palestrantes/facilitadores dos eventos realizados, percebeu-se a constante possibilidade de interação e a inter-relação dos cursos gastronomia, higiene e segurança alimentar e o interesse no desenvolvimento regional através do fortalecimento da cadeia produtiva do turismo e da ciência e tecnologia de alimentos”, acrescenta. 
 
Pretendemos também unir as ações, utilizando derivados do cacau para produzir cerveja. Além disso, avançar na formatação dos cursos de curta duração com as temáticas propostas (alimentos, bebidas, gastronômica e desenvolvimento regional)”, diz Ivan. Elepontua que a proposta de longo prazo traz uma inovação devido à criação de um novo produto turístico regional. “Espera-se que, além de produzir e comercializar a cerveja, consigamos, através do envolvimento da comunidade local, criar outros produtos na mesma perspectiva. A produção e a comercialização da cerveja oferecerãoaos produtores da região a criação de uma fonte alternativa de renda a partir dos produtos locais. Com isso, espera-se diminuir a migração para os grandes centros em busca de colocação profissional. Queremos mostrar que é possível aproveitar de maneira criativa e diversa a riqueza das comunidades locais”, afirma o pesquisador Pereira. 
 
Embreve, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia que acontecerá em outubro, o grupo pretende formatar minicurso no CampusUruçuca. “Em seguida, pretendemos formatar um curso para ser realizado no módulo da Rede e-Tec Brasil, nos mesmos moldes da Oficina do Cacau ao Chocolate”, conclui.
Uma iniciativa já consolidada é a Oficina do Cacau ao Chocolate que já capacitou aproximadamente 3.000 pessoas em quatro estados e mais de 15 municípiosda Bahia com temática voltadas para a verticalização da cadeia de valor Cacau/Chocolate”  
– Ivan Pereira –


Impactos na Região:

  • Desenvolvimento de novos produtos regionais;
  • Geração de emprego e renda;
  • Novo modelo de formação de Arranjo Produtivo Local (APL) através dos produtos regionais.

Principais cadeias de valores do Litoral Sul Baiano – cacau, cupuaçu, jaca, cajá, açaí.


Fotografia: Acervo / Grupo de Pesquisa em Ciências e Tecnologia de Alimentos da Bahia




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Núcleo de Pesquisa e Extensão no Território Piemonte da Diamantina

Projeto propõe oportunizar e expandir ações
Realização de Dia de Campo

Há dois anos, um grupo de pesquisadores do Instituto Federal Baiano (IF Baiano), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) idealizou expandir as ações de pesquisa e extensão no interior da Bahia. Com a abertura de edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), eles viram a possibilidade do desenvolvimento de dez projetos de pesquisa durante o período de dois anos. 

Segundo o pesquisador Alisson Jadavi, as atividades do Núcleo de Pesquisa e Extensão do Território Piemonte da Diamantina estão centradas em dois conjuntos de atividades: na extensão, “difundir conhecimentos por meio de reuniões, visitas, capacitações, promoção de dias de campo, mobilizações do poder público e sociedade civil, plenárias itinerantes, elaboração e execução de projetos para agricultura familiar, assessoria ao colegiado territorial”, diz. Além disso, na pesquisa e no desenvolvimento, “realização de experimentos, aperfeiçoamento de tecnologias sociais, formação de recursos humanos e avaliação do funcionamento do colegiado territorial”, complementa.
Realização de leituras de conteúdo de água no solo
com reflectometria no domínio do tempo
Para Jadavi, o impacto na região está naconsolidação do Colegiado Territorial do Piemonte da Diamantina que foi tomada como prioridade. Para tanto, um trabalho de diagnóstico do Colegiado foi realizado. Diante disso, o regimento interno do CODEP foi atualizado, passando-se a se chamar Conselho de Desenvolvimento Territorial do Piemonte da Diamantina (CODETER). O NEDET apoiou a 1ª Plenária Ordinária e a Oficina de Planejamento Estratégico do Colegiado Territorial de onde compôs o colegiado. Houve eleição e foram compostas oitocâmaras técnicas e os comitês de mulheres, juventude e povos e comunidades tradicionais”, conclui.
Atividades (capacitação de 375 participantes entre produtores, viveristas, pesquisadores, extensionistas e estudantes):

  • Cinco oficinas e quatro dias de campo:
    Oficina 1: Produção de geleias e compotas de frutas;
    Ofinica 2 e 3: Oficina sobre corte e costura: overlock, reta e galoneira;
    Oficina 4: Manejo e produção de galinhas caipiras;
    Oficina 5: Funcionamento e Tópicos de Manutenção das Máquinas Despeladeira e Quebradeira de Licuri;
    Dias de Campo 1 a 4: Propagação e plantio de fruteiras tropicais.

Saiba mais:


Projetos estão viabilizando o desenvolvimento experimental para formação de 1 (um) estudante de doutorado: Allan Radax Freitas Campos, 3 (três) estudantes de mestrado: Francisco Airderson Lima do Nascimento; Geovane Teixeira Azevedo; Renato Coelho da Silva Filho; 2 (dois) estudantes de especialização: Valéria Almeida Jatobá; Lourival Martins de Souza Júnior; 3 (três) estudantes de graduação: Daniel de Freitas Oliveira, Jilcélio Nunes de Almeida, Mônica Silva Gomes; 1 (um) estudante do ensino médio: Davisson Oliveira Damaceno.


Projetos em desenvolvimento desenvolvidos pelos estudantes:


1.Allan Radax (Doutorado – Cooperação IFBaiano/PPGEA – UFRB): Potenciais de água no solo em cultivares de palma forrageira no semiárido;

2.Francisco Airderson Lima do nascimento (Mestrado – Cooperação IF Baiano/PPGEA – UFRB): Monitoramento tridimensional da hidrodinâmica na zona radicular do meloeiro em condições semiáridas;

3. Geovane Teixeira Azevedo (Mestrado – Produção Vegetal no Semiárido, IF Baiano): Avaliações fisiológicas de híbridos de maracujá amarelo (Passiflora edulis f. flavicarpa) enxertado em maracujá-do-mato (Passiflora cincinnata Mast.) quanto à sensibilidade ao estresse hídrico;

4. Renato Coelho da Silva Filho (Mestrado – Produção Vegetal no Semiárido, IF Baiano): Variáveis de crescimento e produção de combinações copa – porta-enxerto de rosas em sistema orgânico;

5. Valéria de Almeida Jatobá (Mestrado – Produção Vegetal no Semiárido, IF Baiano): Estratégias para o manejo da irrigação do tomateiro irrigado no semiárido;

6. Lourival Martins de Souza Júnior (Especialização – DSSERH, IF Baiano): Avaliação da contaminação de nitrato em águas subterrâneas;

7. Daniel de Freitas Oliveira (Graduação Ciências Agrárias – IF Baiano): Efeitos da salinidade sobre o desenvolvimento do Pinhão manso (Jatropha curcas);

8. Jilcélio Nunes de Almeida (Graduação Ciências Agrárias – IF Baiano): Precisão e Acurácia de métodos de manejo da irrigação;

9. Mônica Silva Gomes (Graduação Ciências Agrárias – IF Baiano): Perfil Tri-dimensional da extração de água no solo pelo tomateiro;

10. Davisson Oliveira Damaceno (Curso Técnico Agropecuária – IF Baiano): Percolação, eficiência de aplicação e uso de água na irrigação da melancia com diferentes lâminas.


Publicações dos pesquisadores

Fotografia: Acervo / Alisson Jadavi – Valéria Jatobá


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