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Mulheres do IF Baiano falam sobre participação em ciência e tecnologia

Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas é um dos desafios globais propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em sua agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Uma das metas do eixo é aumentar a participação de mulheres nos mais diversos espaços sociais, e, dentre eles, está o universo da ciência e tecnologia.

A disparidade de gênero nas disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática é realidade na maioria dos países. De acordo com estimativas do Instituto de Estatísticas da UNESCO (UIS), divulgados em fevereiro, as mulheres atualmente representam menos de 30% da força de trabalho de pesquisa e desenvolvimento em todo o mundo.

Desafiar os estereótipos, valorizar e reconhecer o trabalho de mulheres, promover mais oportunidades? Quais seriam as ferramentas para ampliar a participação de mulheres nas áreas de ciência e tecnologia? Conversamos sobre o assunto com mulheres do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano e elas têm muito a dizer.

Mulheres em ação na pesquisa científica

Hoje, muitas pesquisadoras do IF Baiano são destaques em produtividade e inovação em suas áreas de pesquisa. Elas trazem olhares diferenciados para o fazer científico e isso beneficia a produção de conhecimento. “As mulheres têm grande potencial de ingressar no meio científico porque possuem maior poder de observação, são mais sensíveis a visualização de alterações em resultados em todas as áreas do conhecimento”, destaca a docente pesquisadora do IF Baiano, Felizarda Bebê.

Atualmente, Felizarda, que é doutora em Ciência do Solo e atua na área de Fertilidade, Agroecologia e Produção Orgânica, encabeça projetos com pesquisas voltadas para a realidade do Território de Identidade Sertão Produtivo. Ela acredita que a ciência também pode ser um caminho para o empoderamento feminino. “É apaixonante e gratificante a carreira científica. Lhe estimula a buscar respostas para suas inquietações e os resultados melhora a vida de muitas pessoas”.

A instituição também têm exemplos de mulheres que, além de buscar soluções tecnológicas para os setores produtivos, estão ajudando a levar empoderamento e construir a igualdade de gênero em outros espaços sociais. A docente e pesquisadora do IF Baiano, Rita Garcia, atua com tecnologia de produtos regionais e não convencionais para o fortalecimento da agricultura familiar e soberania alimentar e, também, ajuda a promover projetos voltados ao empoderamento da mulher do campo.

Para a pesquisadora, é importante trazer visibilidade para o trabalho e para os saberes produzidos por mulheres numa perspectiva que vá além dos espaços acadêmicos. “Os fatores históricos e socioculturais limitam a atuação das mulheres em diversas áreas inclusive nas de ciência e tecnologia, nas quais muitas mulheres tiveram seus trabalhos copiados e descreditados”, destaca. “Importa problematizar a inserção da mulher nessa área tão importante para a construção do conhecimento e desenvolvimento. No entanto, temos que lembrar que não basta somente fazer ciência, atuar na academia, mas contribuir com o debate para que haja reconhecimento do trabalho das mulheres”.

O primeiro passo para que os trabalhos de mulheres sejam mais valorizados, é garantir que elas tenham oportunidade para realizá-los. Para isso, é preciso, desde cedo, incentivar meninas a se interessarem pelos mais diversos assuntos para que suas escolhas de carreira não sejam limitadas às opções tradicionais.

Hoje pesquisadora, a mestranda em Produção Vegetal no Semiárido (IF Baiano – Campus Guanambi), Jéssica Hellen, foi estimulada a se interessar pela pesquisa científica durante a graduação participando de projetos de pesquisas e sendo incentivada pelos professores. “O estímulo pode ser feito no momento em que meninas passam a conhecer os problemas atuais e são levadas a questionar e investigar sobre eles, através de projetos nas áreas que as interessem, fazendo com que essas se sintam como responsáveis no progresso da ciência”, opina a estudante.

Para Rita Vieira, o ato de influenciar meninas e mulheres a se interessarem por ciência é uma tarefa conjunta que extrapola as fronteiras das instituições. “Numa sociedade como a nossa, que tem definido os papéis (profissões) mais ‘apropriados’ para homens e mulheres, passa a ser necessário e urgente ampliar ou promover o debate, estimular a formação de grupos para tratar de questões sobre patriarcado, empoderamento feminino e, talvez mais importante, ter representatividade, ter mulheres atuando nas ciências, nas comissões e nos espaços de decisões sobre o tema”, reforça.

Tecnologia é ‘coisa de menina’

Mais representatividade é algo ainda mais urgente para áreas das chamadas “ciências duras”. A desigualdade de gênero é ainda mais significativa nas carreiras ligadas à área de tecnologia e ciências exatas. Segundo pesquisa da ONU Mulheres, as mulheres têm somente 18% dos títulos de graduação em Ciências da Computação e são, atualmente, apenas 25% da força de trabalho da indústria digital.

Estudantes do curso de Ciências da Computação (IF Baiano – Campus Senhor do Bonfim), Mirian e Deborah esperam que, cada dia mais, as mulheres acreditem em si mesmas e se sintam capazes de participar dos espaços predominantemente ocupados pelo gênero masculino. Elas também defendem que, para que isso aconteça, é necessário que, desde a infância, as meninas, sejam expostas aos mais diversos conteúdos e não somente àqueles culturalmente adequados ao gênero feminino.

É preciso, desde a infância, influenciar as meninas com brinquedos que estimulem o raciocínio lógico, e parar de pensar que elas são capazes apenas de brincar de boneca”, é o que afirma a Mirian de Souza. “Quando crianças, garotos ganham jogos de tabuleiros, videogames, brincadeiras que estimulam o raciocínio. Enquanto as meninas são acostumadas a brincar de boneca e ganham miniatura de eletrodomésticos para se divertir”, acrescenta Deborah.

Mulheres indicam mulheres inspiradoras

Para qual mulher você tira o chapéu? Perguntamos às personagens dessa matéria sobre mulheres que são referência para elas e que as inspiram a continuar seus percursos na ciência e tecnologia.

“Sempre me inspirei e procuro seguir os passos da minha orientadora na graduação, coorientadora no mestrado: professora D.SC. Suane Coutinho Cardoso.” (Jessica Hellen Teixeira)

“Ada Lovelace. Primeira programadora da história, que venceu todos os preconceitos em relação a mulher ocupar espaço na área de computação.” (Mirian de Souza)

“Grace Hopper, 1° almirante da marinha dos EUA e grande influência da linguagem de programação COBOL.”  (Deborah Alves Rodrigues)

“Várias mulheres tem sido responsáveis por contribuir com minha formação no sentido de despertar para o desenvolvimento de uma prática com mais consciência, que tenha maior utilidade e que seja junto com pessoas de outras instituições, grupos e movimentos. As professoras Ana Primavezi, Alzira Medeiros, Maria Emília Pacheco, Claudia Job Schmit, Marcia Tiburi, Viviane Mosé e tantas outras, são nomes que considero importante na minha trajetória.” (Rita Garcia)

“Eu me inspirei e fui apoiada pela professora Dra. Silvana Naomi Matsumoto da UESB, que é pesquisadora do CNPq. Me incentivou desde 2003 a iniciar a vida científica. A referida pesquisadora valoriza a ciência e me fez acreditar que é possível melhorar o ambiente a partir dos resultados encontrados nas pesquisas.” (Felizarda Bebê)

 E vocês, têm exemplos de mulheres que são inspiradoras em suas áreas de atuação? Compartilha nos comentários e continue essa corrente de valorização do trabalho das mulheres.

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Um comentário em “Mulheres do IF Baiano falam sobre participação em ciência e tecnologia

  1. A Professora Felizarda Viana realmente é uma mulher inspiradora, tive oportunidade de ser sua estagiária de extensão no fim da minha graduação, onde ela me estimulou muito e fortaleceu a idéia que defendo que a mulher é e pode está onde desejar. Foi uma experiência ímpar, onde pude atuar no campo e realmente sentir que eu tinha escolhido a profissão certa.
    Hoje já formada pelo IFBAIANO e Engenheira Agrônoma, continuo a ter a grande oportunidade de está trabalhando com Felizarda que em todos os dias me diz a frass: – Gisa, você é capaz, você consegue, e dedicar e correr atrás!
    Espero um dia contribui para vida das minhas futuras alunas assim como Feliz, mostrando suas potencialidades e fortalecendo a cada que somos muito mais que “mulheres ou meninas” , nós podemos ser o que desejarmos se tivermos força e determinação!

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