Pesquisa avalia digestibilidade da silagem de milho e seus efeitos na produção de leite

Pesquisa desenvolvida no Instituto Federal Baiano (IF Baiano) identificou a digestibilidade in vitro da fibra em detergente neutro como um importante parâmetro para avaliar a qualidade das silagens de milho, alimento comumente utilizado para nutrição do gado leiteiro no estado da Bahia. Os resultados da pesquisa também apontaram que os efeitos da baixa digestibilidade têm impacto direto na produtividade do leite.

ANÁLISE PROTEÍNA BRUTA SILAGEM DE MILHO
Análise da proteína bruta da silagem de milho. Foto: Arquivo Pessoal/ Raimundo Vaz.

Conduzida pelo docente e pesquisador do IF Baiano, Raimundo Vaz, e apoiada pelo edital da Propes n° 5/2015, a pesquisa surge mediante o contexto baiano que contrasta a baixa produtividade do leite com o real potencial do setor. Hoje, a Bahia possui a 7° maior produção de leite do Brasil, mas ocupa a 23° posição em termos de produtividade, de acordo com dados dados do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Leite da Bahia (Sindileite-BA).

E nós temos uma demanda de produção de leite de 1,2 bilhões de litros e só somos capazes de produzir 700 milhões. Então, nós somos importadores de 500 milhões de litro de leite. Isso eleva o preço dos produtos do leite e derivados para o consumidor final e, considerando que nós somos um estado nordestino em que uma parcela substancial da população tem baixo poder aquisitivo, isso impacta na subsistência das famílias”, explanou o docente.

De acordo com a pesquisa, a resposta para amenizar esse problema está na suplementação nutricional dos animais e na digestibilidade. Por ser utilizada em rebanhos leiteiros de maior capacidade produtiva, foi escolhida a silagem de milho para análise. No período de março a setembro de 2016, foram coletadas amostras de silagem de milho, produzidas e utilizadas na alimentação de vacas leiteiras de propriedades rurais das regiões Centro Norte, Recôncavo, Sudoeste e Oeste da Bahia. A análise das amostras concentrou-se na digestibilidade, que é a diferença entre o alimento aproveitado pelo animal e o resíduo fecal, da Fibra em Detergente Neutro (FDN).

A fibra dos alimentos é responsável pela fonte primária de energia dos animais, pois ajuda a manter o processo de ruminação em bom funcionamento. “O processo de ruminação é necessário por que dentro do rúmen ocorre a fermentação microbiana, a transformação dessa forragem em nutrientes para o animal e para bactérias, protozoários e fungos que vivem dentro do rúmen e estes é que dão ao bovino o aporte nutricional que ele precisa”, esclarece o docente.

As amostras de silagens analisadas apresentaram níveis de digestibilidade da fibra abaixo da taxa de 50%, a qual seria a taxa ideal. Os valores médios obtidos foram: 46,46% no Centro Oeste, 46,29 no Recôncavo, 45,07 no Sudoeste e 46,25 no Oeste baiano.

Quanto mais alto o nível de digestibilidade do alimento, melhor para a produção de leite.

A digestibilidade da fibra indica que, com uma silagem de milho de alta qualidade, é possível aumentar a produtividade da vaca. “Se uma vaca produz 10 kg de leite, com essa pesquisa a gente pode prever um incremento nessa produtividade, de modo que a gente possa prever, por exemplo, que essa vaca que produzia 10 kg, possa produzir 15 kg”, explica Raimundo.

Dessa forma, aumentar a taxa de digestibilidade pode ter um impacto significativo na produção de leite e derivados, principalmente em relação ao custo de produção, uma vez que a ração animal corresponde hoje a 80% desse custo. Produtores interessados em avaliar a qualidade das suas silagens podem procurar uma assessoria técnica especializada ou entrar em contato com o IF Baiano. “O Campus Catu recebeu a máquina incubadora, o processo e a técnica de determinação da digestibilidade in vitro da fibra em detergente neutro (DIVFDN) estou repassando para lá”. Ainda segundo o pesquisador, a difusão dos resultados da pesquisa será feita em palestras, nas representações de produtores e eventos técnicos como congressos e simpósios. 

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