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Projeto Margaridas estimula autonomia, formação política e qualificação de mulheres da zona rural

Você já deve ter notado que a ideia de uma sociedade com condições iguais de direitos e oportunidades entre homens e mulheres tem ganhado força na sociedade brasileira nos últimos anos. Encabeçada por grupos de mulheres e coletivos feministas, com o reforço da ampliação do acesso às novas tecnologias da informação, a difusão dessa temática vem permitindo o crescimento de políticas e ações que visam o fortalecimento e reconhecimento do papel da mulher nas esferas sociais.

No entanto, a luta é constante e, antes de atingir sua meta, tem um longo caminho a percorrer. A trajetória envolve enfrentar desafios relacionados à igualdade no mundo do trabalho, autonomia econômica, ampliação nos direitos da saúde, sexuais e reprodutivos, enfrentamento da violência, estímulo a participação nos espaços de poder e decisão e nos cargos de liderança. Nesse contexto, surge o Projeto Margaridas, regido pela Chamada Interna nº 02/2016 da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) do IF Baiano, com a ideia de “apoiar projetos de extensão que promovam o empoderamento feminino, o diálogo com as mulheres sobre políticas públicas de educação, assistência social, saúde, segurança e geração de renda”, esclarece a Coordenadora de Programas e Projetos de Extensão, Susana Bastos.

Hoje, oito projetos estão em andamento em diversos territórios baianos, promovendo empoderamento, formação política feminina e capacitação profissional para mulheres da zona rural ou periurbana, em situação de vulnerabilidade e risco social. Conheça as iniciativas:

Fonte de vida, saúde e produção: saberes e fazeres das mulheres no Território do Sisal (Campus Serrinha)

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O projeto busca sensibilizar mulheres das comunidades do Canto e Alto Alegre, localizadas no município de Serrinha, quanto às questões de identidade social e sustentabilidade ambiental voltadas às questões de gênero. Em encontro realizado em janeiro de 2017, o projeto foi apresentado a entidades parceiras da região, ocasião em que foi firmado termo de participação e aplicação de um diagnóstico para identificar instituições localizadas no território do Sisal que atuam com as questões sociais de gênero. Desde então, já foram realizadas oito oficinas na comunidade abordando temas como Educação Ambiental no Meio Rural, Representatividade e Direitos da Mulher no Meio Rural, Segurança Alimentar e Nutricional. Mulheres e Identidade social, entre outros.

Segundo a coordenadora do projeto, Maria Auxiliadora Freitas, as ações têm alcançado êxito com elevado envolvimento das entidades e público-alvo. “O público previsto foi de 25 agricultoras, mas a cada encontro a quantidade amplia, assim como a participação de homens nas referidas atividades. Este fato demonstra que estamos conseguindo mobilizar e sensibilizar os participantes em cada momento, com estratégias dinâmicas que possibilitam reflexões sobre as relações sociais de gênero no tocante ao potencial hídrico do semiárido nordestino no território do sisal”.

Margaridas do Baixo Sul (Campus Valença)

Buscando dar continuidade aos trabalhos do Programa Mulheres Mil (vigente de 2011 a 2013 no Campus Valença), o projeto nasceu do desejo de retomar ações com o público feminino, trabalhando autoestima, estímulo ao aprendizado e troca de experiência com mulheres. O público-alvo são as moradoras do Residencial Nova Valença, conjunto que faz parte do programa habitacional Minha Casa Minha Vida do Governo Federal. O Margaridas do Baixo Sul tem o propósito trazer a essas mulheres, que se encontram em situação de vulnerabilidade social, temáticas voltadas a equidade de gênero, a vivência grupal, cooperativa, através de um conjunto de ações socioeducativas e criando alternativas pedagógicas e laborais capazes de melhorar suas condições de vida.

Foto: Arquivo/Facebook

Para atingir tais objetivos, a iniciativa se desdobra em quatro ações: oferta de cursos para geração de renda, rodas de conversa, oficinas e seminário sobre educação social. As ações tiveram início em maio deste ano, com a realização de Oficina de Relações Interpessoais. Desde então. foram promovidas diversas outras atividades, como oficinas de produção de Doces e Compotas, Reciclagem, Queijo, Sabão Ecológico e Desenho Básico. Também aconteceram rodas de conversa sobre os temas Empoderamento Feminino, Violência Contra a Mulher e Saúde Emocional.

“Esperamos que todas as mulheres participantes sintam-se empoderadas, fortalecidas, sabendo que existe um mundo de possibilidades para fazerem as escolhas que forem mais interessantes para suas vidas”, é o que anseia a coordenadora do projeto, Elielma Fernandes. “Estamos aqui como mediadores do processo, elas são as protagonistas e é para essas mulheres que trazem histórias de vida tão fortes que estamos trabalhando”.

Empoderamento das Margaridas de Vila Neves, em Candiba (Campus Guanambi) 

“Que as mulheres possam decidir sobre seu corpo, sua vida e com a renda consigam sentir livres e felizes” é o desejo dos realizadores do projeto que se propõe a promover o empoderamento de mulheres em situação de vulnerabilidade residentes no Distrito de Vila Neves, em Candiba, Bahia.

A principal ação do projeto, de acordo com a coordenadora Felizarda Bebê, é a realização de um “curso subdividido em oficinas com os temas: feminismo, violência contra a mulher, saúde da mulher, segurança alimentar e nutricional, autonomia e promoção de renda familiar com base no Plano Nacional de Políticas para as mulheres e na lei Maria da Penha”. A iniciativa também conta com a parceria da Agescan, associação de economia solidária de Candiba, que está ministrando um curso de manicure para as mulheres do projeto.

Recursos vegetais da Caatinga: genipapo e umbu para produção de redes solidárias (Campus Lapa)

O projeto visa, através das possibilidades de utilização do umbu e jenipapo como mecanismo de complementação de renda, trabalhar o empoderamento feminino em moradoras da comunidade quilombola Lagoa das Piranhas, localizada na Zona Rural de Bom Jesus da Lapa. “Em sua grande maioria responsável pela manutenção da família, lavradoras ou pescadoras, com renda per capita de até meio salário mínimo, casadas e com filhos de 2 a 4, com escolaridade ensino fundamental incompleto”, destaca a coordenadora do projeto, Cyntia Gusmão, sobre o perfil do público-alvo.

As ações tiveram início em março deste ano e seguem até junho, com encontros sempre aos domingos. A temática e proposta dos encontros é variável. Nos encontros realizados em abril, por exemplo, houve palestras sobre direitos da mulher, autoestima e motivação e uma oficina sobre técnicas de propagação e produção de mudas, com atividades práticas de campo. Segundo Cyntia, a participação das mulheres tem sido ativa e muito positiva. “Espera-se oportunizar às mulheres da Comunidade acesso ao conhecimento que permita a utilização dos recursos naturais disponíveis para a complementação da renda familiar e, desse modo potencializar a figura feminina na comunidade local, a importância da mulher do campo das relações familiares e produtivas da comunidade”.

Entrelaçando saberes e fazeres de agricultoras: a horta agroecológica como espaço educativo, emancipatório e solidário (Campus Lapa)

margaridas-horta-ecologicaAtravés da implantação de uma horta agroecológica e da valorização da troca de saberes, o projeto visa promover um espaço de formação de agricultoras com mulheres da comunidade do município de Serra do Ramalho, situado no oeste baiano. A equipe executora do projeto é composta por alunos do IF Baiano e professores da Escola Municipal São Francisco.

A primeira ação aconteceu em maio, com a realização da Oficina de Formação de Mulheres no município. Outras quatro oficinas ainda serão realizadas, abordando os seguintes temas: Agroecologia e Meio Ambiente, Segurança Alimentar e Nutricional, Identidade Feminina e Empoderamento e Cooperativismos e Associativismo.

A horta será implantada no Campus Guanambi sob a articulação das mulheres da comunidade. Segundo o coordenador do projeto,  Junio Batista,  “trata-se de uma ação articuladora, que busca valorizar os saberes da comunidade e, ao mesmo tempo, promover a aprendizagem significativa, transformando a escola em um espaço de construção coletiva do conhecimento”.

Arte e Inclusão digital na roça (Campus Santa Inês)

Valorizando os saberes locais, o projeto busca reunir mulheres do assentamento Natur de Assis, localizado na zona rural de Santa Inês, para a troca de experiências, confecção de artesanato e uso do computador como ferramenta de pesquisa e aquisição de conhecimento. Até o momento, já foram realizadas algumas ações, incluindo oficina da flores de EVA ministrada por uma artesã local, quatro aulas de informática no Campus Santa Inês e seminários, com temas ligados a politicas públicas para mulheres.

Segundo a coordenadora do projeto, Claudia Lima, a apesar do feedback positivo a participação das mulheres ainda é baixa. “Reunir as mulheres, passar uma tarde agradável enquanto pratica uma atividade manual, valorizar os talentos locais, convidando-os para demonstrar suas artes, conversar sobre algum assunto de interesse coletivo da atualidade” são alguns dos resultados esperados, de acordo com a coordenadora, que espera estender o projeto em outras comunidades no futuro.

Mulheres do Licuri ou Licuri como elemento de integração social e econômica de mulheres do Assentamento Itatiaia, no município de Santa Inês (Campus Santa Inês) 

O projeto nasceu motivado por alunas do campus que, a partir de discussões trabalhadas em sala de aula, levantaram a necessidade de geração de renda para as mulheres da zona rural, visando ao seu empoderamento e desenvolvimento. Dessa forma, as ações visam oportunizar o conhecimento e desenvolvimento de estratégias que permitam a geração de renda, oriunda de um produto já conhecido e trabalhado por elas.

Até então, o projeto está em fase de planejamento, mas pretende-se trabalhar as possibilidades advindas do cultivo do licuri. A iniciativa é coordenada pela docente, Elma Amparo, com a colaboração de discentes, pedagoga e profissionais da área de saúde.

As Vozes do Rancho – Um salto para as Margaridas (Campus Guanambi)

Contemplando 47 mulheres do povoado Rancho das Mães, do município de Palmas de Monte Alto, o projeto teve início em janeiro deste ano com a realização de visitas na localidade com o intuito de traçar os perfis identitários constituintes da imagem e das demandas da mulher do povoado. Após este diagnóstico, o projeto passou a realizar rodas de conversa e ações formativas com a ideia de promover espaços e tempos reflexivo-formativos para auxiliar na superação da desigualdade de gênero, incentivando a cultura da visibilidade, protagonismo e territórios da mulher em detrimento da cultura de não violência e submissão feminina.

Outra ação realizada, visando a autonomia financeira, a partir da geração solidária de renda, foi a oferta de curso de capacitação profissional em Produção de bebidas e alimentos. “O projeto superou as nossas expectativas, tanto na quantidade de mulheres que se inscreveram no cursos, como nas ações efetivas. A cada dia a demanda cresce, entretanto, não temos suporte para atender um público superior ao assistido no momento, o que nos permite afirmar a importância e os impactos positivos do projeto”, avalia a coordenadora do projeto, Ozenice Silva.

Através dessas ações, o projeto espera, dentre outros resultados, a fundação da Cooperativa Margaridas, como uma ação efetiva de emancipação e protagonismo da mulher, além da produção de artigos e documentário que possam estimular o surgimento de iniciativas similares ao Margaridas.


Fotos: Arquivo/Coordenadores dos projetos
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