Oficinas promovidas pelo Campus Teixeira capacitam e empoderam mulheres no Extremo Sul Baiano

O poder da troca de conhecimentos e da valorização dos saberes foi o ponto de partida para a realização de um projeto, iniciado no IF Baiano Campus Teixeira de Freitas, que está empoderando mulheres de comunidades rurais do extremo sul da Bahia. A iniciativa consiste na realização de oficinas comunitárias para aprendizado de práticas socioprodutivas e disseminação de política territorial.

A ação parece simples: capacitar mulheres em oficinas voltadas para o “modo de fazer”. Mas, vai muito além disso. Através do aprendizado sobre produção de doces e compotas, por exemplo, essas mulheres tem a possibilidade da inclusão socioprodutiva. Dessa forma, o ensino prático aliado à informação, tem um impacto muito significativo: aumento da participação de mulheres nas plenárias e ações do território, fortalecimento de associações rurais, qualificação da produção e comercialização de produtos das comunidades bem como melhoria na integração de mulheres dos municípios do território são alguns dos resultados relatados por quem coordena os trabalhos.

Fotos Oficina de doces e compotas em Jardim Novo – Teixeira de Freitas.
Oficina de doces e compotas em Jardim Novo – Teixeira de Freitas.

O projeto “Oficinas comunitárias motivadoras de participação, organização associativa e disseminação da política territorial para autonomia e empoderamento de mulheres no Extremo Sul Baiano” existe desde 2014, funcionando inicialmente com o apoio de edital da Pró-Reitoria de Extensão do IF Baiano (Proex) e posteriormente em parceria com o Núcleo de Extensão em Desenvolvimento Territorial (NEDET). Quem coordena os trabalhos é a professora do IF Baiano (Campus Teixeira de Freitas) Patricia Pimentel, que também atua como Assessora de Gênero do NEDET Extremo Sul, apoiando mulheres do colegiado territorial. “O período de execução original foi de 6 meses e tornou-se uma prática de realização contínua, articulada com a técnica da CEPLAC, Kladiji Púperi, que continuam desenvolvendo oficinas”, relata Patricia.

Na primeira versão do projeto, houve a participação de alunos do curso técnico em Agropecuária do IF Baiano – Campus Teixeira de Freitas. Hoje, além de Patricia, a ação conta com uma equipe multidisciplinar formada por técnicos da CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) e CODETER (Colegiado Territorial de Desenvolvimento Sustentável).

As oficinas duram de 1 a 3 dias com a possibilidade de realização de práticas voltadas para produção de embalagens de tecidos e customizadas utilizando resíduos locais, produção de doces utilizando as frutas do local, além de rodas de conversa sobre: a inclusão da produção no mercado, necessidade de participação, políticas públicas, autonomia e empoderamento.

“Não é somente aprender a fazer o doce, mas, conseguir nesta ação visualizar a importância de dois conceitos sobre participação: participar e fazer parte, assim como trata Paulo Freire.”

Com essa programação, é possível orientar as participantes em vários aspectos, a exemplo da prática associativista. “Durante a produção, aproveita-se da ação em que as mulheres se alternam para mexer na mesma panela de doces para possibilitar a uniformização, já que, conforme quantidade, uma aguentaria, pelo peso. Momento onde pode-se abordar sobre a necessidade de atuação e fortalecimento da associação, pois nesta filosofia todos atingem um objetivo que sozinhos não conseguiriam. Então, não é somente aprender a fazer o doce, mas conseguir nesta ação visualizar a importância de dois conceitos sobre participação: participar e fazer parte, assim como trata Paulo Freire”, salienta Patricia.

 Encontro de mulheres do campo, das águas e das florestas.
Encontro de mulheres do campo, das águas e das florestas.

Outros pontos também são abordados durante as atividades práticas, como o exercício da liderança, valorização da capacidade individual, importância da comercialização e desenvolvimento de identidade dos produtos. “Foi também uma oportunidade para reforçar no grupo sobre a importância do trabalho coletivo, incentivando a participação das moradoras nas reuniões e ações da associação local para informações sobre oportunidades provenientes de editais que incentivam a melhoria da produção da agricultura familiar e compreender que uma das maneiras de se conseguir autonomia e empoderamento, é conhecimento e informação”, conta a professora.

E os resultados obtidos através da realização do projeto não param aí. Patricia adiciona que as oficinas foram instrumentos de aproximação do IF Baiano com mulheres de comunidades rurais, possibilitando o desenvolvimento de uma relação de confiança de grande valor. Além disso, foi constatado o aumento real de participação de mulheres nas plenárias, conferências, fóruns e outras ações realizadas no território. “Outro apontamento é a criação do Comitê de mulheres que completou um ano e segue com reuniões que antecedem as plenárias. Um dado importante ao se confrontar com os 10 anos de existência do Território e ainda não se tinha criado esta instância de representatividade”.

Aprovação em edital de Boas Práticas Territoriais

Em novembro de 2016, o Projeto “Oficinas comunitárias motivadoras de participação, organização associativa e disseminação da política territorial para autonomia e empoderamento de mulheres no Extremo Sul Baiano” foi aprovado em Edital de Seleção de Boas Práticas Territoriais, da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia.

O Edital visa reconhecer e premiar as experiências bem-sucedidas que seguem os eixos de desenvolvimento dos Planos Territoriais de Desenvolvimento Sustentável (PTDS), elaborados ou em elaboração nos Territórios de Identidade, que possam servir de referência para os desafios futuros que cada Território irá enfrentar nos próximos anos na execução do seu Plano de Desenvolvimento. O edital é dividido em 3 etapas: na primeira, seleciona 30 práticas de destaque no estado – o projeto do Campus Teixeira de Freitas foi aprovado nessa fase e irá compor uma publicação que será disponibilizada por meio impresso e digital.

“Foi a primeira vez que inscrevi um trabalho neste edital, fico feliz e divido o mérito com a professora Kladiji Púperi, técnica da Ceplac. Mesmo que tenhamos ficado na primeira etapa, concorremos com trabalhos de toda a Bahia e isto nos motiva a continuar desenvolvendo trabalhos com esses grupos em comunidades rurais, pois vemos como carecem de programas de extensão, que possam apoiá-las nas suas localidades”, comentou Patricia sobre o reconhecimento.

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