arte-inclusao-roca

Projeto Margaridas estimula autonomia, formação política e qualificação de mulheres da zona rural

Você já deve ter notado que a ideia de uma sociedade com condições iguais de direitos e oportunidades entre homens e mulheres tem ganhado força na sociedade brasileira nos últimos anos. Encabeçada por grupos de mulheres e coletivos feministas, com o reforço da ampliação do acesso às novas tecnologias da informação, a difusão dessa temática vem permitindo o crescimento de políticas e ações que visam o fortalecimento e reconhecimento do papel da mulher nas esferas sociais.

No entanto, a luta é constante e, antes de atingir sua meta, tem um longo caminho a percorrer. A trajetória envolve enfrentar desafios relacionados à igualdade no mundo do trabalho, autonomia econômica, ampliação nos direitos da saúde, sexuais e reprodutivos, enfrentamento da violência, estímulo a participação nos espaços de poder e decisão e nos cargos de liderança. Nesse contexto, surge o Projeto Margaridas, regido pela Chamada Interna nº 02/2016 da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) do IF Baiano, com a ideia de “apoiar projetos de extensão que promovam o empoderamento feminino, o diálogo com as mulheres sobre políticas públicas de educação, assistência social, saúde, segurança e geração de renda”, esclarece a Coordenadora de Programas e Projetos de Extensão, Susana Bastos.

Hoje, oito projetos estão em andamento em diversos territórios baianos, promovendo empoderamento, formação política feminina e capacitação profissional para mulheres da zona rural ou periurbana, em situação de vulnerabilidade e risco social. Conheça as iniciativas: (mais…)

Leia Mais

VISTA AEREA DO PAIS

Conheça o sistema de Produção Agroecológica Integrada Sustentável (PAIS) do Campus Itapetinga

Pense em um único sistema para cultivo de hortaliças, frutíferas e criação de pequenos animais. Mais do que isso: sem o uso de agrotóxicos, com baixo custo de produção e tudo dentro dos moldes da agroecologia. Esse é o sistema de Produção Agroecológica Integrada Sustentável (PAIS), que está sendo desenvolvido por professores e alunos do Instituto Federal Baiano – Campus Itapetinga.

Ligado ao Grupo de Pesquisa Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável, o projeto surgiu da necessidade de demonstrar uma atividade de produção sustentável para a utilização de pequenos agricultores familiares que pudesse contribuir com a diminuição da aquisição de insumos externos. Instalado dentro do campus, o sistema está funcionando como Unidade Demonstrativa (UD) e é composto por:

Vista do tanque para criação de tilápias e galpão para criação de aves!
Tanque para criação de tilápias e galpão para criação de aves do PAIS. (Foto: Gean Carlo Capinan)

Galpão rústico: constituído por mourões de madeira e tela de arame, o espaço pode alojar, em média, 30 aves de postura;

Tanque para criação de tilápias: construído no formato circular, o tanque favorece a composição do sistema no tocante ao manejo dos canteiros, construídos com 1 m de largura, sendo o comprimento determinado pelo diâmetro do galpão;

Canteiros para produção de hortaliças e plantas medicinais: os vegetais também podem ser utilizados para alimentação das aves, que retroalimentará o sistema com a produção de esterco, o qual será utilizado para adubação dos canteiros.

Através dessa estrutura de retroalimentação, os produtores têm a possibilidade de autogerenciamento do negócio, o que diminui, consideravelmente, os custos de produção e eleva a rentabilidade das famílias. “As frangas produzem carne, ovos e esterco, os quais podem ser utilizados para consumo próprio, venda de excedente e adubação orgânica sem a necessidade de aquisições externas pelos agricultores para manutenção do seu negócio, bem como da utilização da produção das hortícolas, para alimentação dos animais, consumo e venda excedente”, explica o coordenador do projeto, professor Gean Carlo Capinan.

Estudantes do campus já estão se beneficiando do PAIS e utilizando a área para abordagens nos mais variados aspectos, como conservação do meio ambiente, produção de hortaliças, piscicultura, avicultura extensiva, entre outros assuntos. O projeto foi contemplado pelo edital 02/2015 da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) do IF Baiano e conta com um aluno bolsista e outros três alunos voluntários. Com a continuidade do projeto, mais alunos foram se integrando e passaram a fazer parte como estagiários ou voluntários, chegando a uma média de 15 alunos envolvidos de forma indireta. “O Campus abraçou o Projeto de uma maneira muito especial, ou seja, todos os servidores se puseram a disposição em contribuir para sua implantação e continuidade, demonstrando dessa forma como uma ação bem concebida pela sua importância pelo imperativo socioambiental dos dias atuais, mobilizando a todos”, comenta o coordenador.

Colheita de alface e rúcula.
Colheita de alface e rúcula. (Foto: Gean Carlos Capinan)

A aluna do curso técnico em agropecuária, Maria Luiza Oliveira, participou ativamente da construção do PAIS, ajudando a coordenar os trabalhos. Segundo ela, houve dificuldades no início da montagem da unidade, devido às condições climáticas da cidade de Itapetinga, o que tornava a área de implantação do projeto de difícil manuseio e preparo. “Achei até que não iríamos conseguir executar o projeto, mas, graças a Deus, o tempo melhorou e a área pôde ser preparada, podendo assim iniciar as atividades”.

Outro desafio foi a construção do tanque de peixes. “Sendo este circular, onde usamos um tipo de lona para revestir e acabamos medindo errado e comprando um tamanho menor, a solução foi dividir em duas partes e sobrepor as suas pontas, mas estava ocorrendo infiltrações e acabou matando alguns peixes. Foi um momento de muita preocupação, mas mais uma vez conseguimos a solução, achamos uma manta adesiva que tem uma ótima fixação, fizemos os testes e funcionou, depositamos os peixes e não tivemos mais perdas”, relata a aluna.

Vencidas as dificuldades, a estudante só tem a comemorar pela conclusão do projeto. “Tenho o imenso prazer de fazer parte de um projeto que se preocupa com o agricultor, com o meio ambiente e com o consumidor. Sendo uma tecnologia social que preserva o meio ambiente, produz alimentos livres de agroquímicos e a geração de rendo proveniente de uma cadeia socioprodutiva”, destaca.

A unidade de demonstração permanecerá instalada no Campus Itapetinga e, segundo o coordenador Gean Carlo Capinan, a ideia é submeter propostas a editais externos, para captação de recursos para instalação de unidades em comunidades tradicionais de agricultura familiar. “Acredito que, de uma certa forma, a nossa unidade já está surtindo o efeito que queríamos, que é de servir como um local para aprimoramento e aperfeiçoamento pela comunidade que tiver interesse na implantação do sistema”, complementa.

Leia Mais

IF Baiano lança aplicativo sobre cuidados com as águas a partir de narrativas indígenas

Fruto dkiririe um ano e quatro meses de pesquisa, foi criado um aplicativo sobre cuidados com as águas a partir das narrativas dos índios Kiriri. O projeto, denominado Tec-Iara, foi fomentado pela chamada nº 18/2015 da Agência Nacional das Águas e Capes e consistiu no levantamento das narrativas dos povos indígenas do Território Semiárido Nordeste II, pelo Grupo de Pesquisa e Estudos em Lavouras Xerófilas (IF Baiano/CNPq).

Por meio de jogos didáticos eletrônicos e jogos como quebra-cabeças, abordando temas como o ciclo hidrológico associado à conservação dos solos, produção em sistemas agrícolas agroecológicos e uso racional da água para população humana e animais, o aplicativo foi desenvolvido para atender a educação do campo, especialmente jovens do Ensino Básico na Caatinga e na Mata Atlântica na Bahia, em especial, nas Escolas Indígenas.

Participam também do processo de pesquisa, os estudantes Janderson Guirra e Roberta Rocha, da Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, ofertada pelo IF Baiano – Senhor do Bonfim.

História e Cultura

Além de informações científicas, o app traz a narrativa da Cobra Grande que remonta a história dos Kiriris, que viviam numa região onde havia três lagoas. De acordo com a narrativa, essa cobra teria cerca de 6 km e saia das áreas mais altas para boiar sobre as águas. Algumas pessoas viam o “Encantado das Águas”, outras não. A narrativa gerava, na comunidade, um respeito pelo ser e pelo local.

DSC06592-1 (2)A cultura indígena não tem a nossa normativa de leis. Então, são estas narrativas que conduzem às práticas que vão determinando como é os cuidados com as águas, com a fauna, a questão da caça, e vão estabelecendo como se dá esta relação entre o homem, que está localizado naquela região, sua cultura e o meio ambiente”, pontua o professor Aurélio Carvalho.

Outro paralelo entre a narrativa e a história dos Kiriris, é a retomada dos rituais antigos e a retomada da terra. “Participaram da Guerra de Canudos e no retorno da guerra, o território deles estava ocupados por não-índios. Então, eles ficam margeando o território deles”, rememorou Carvalho.

Conforme o professor, há dez anos, não há mais água, na região onde se encontrava as lagoas do Território Kiriri. A perspectiva do jogo é recuperar a narrativa e despertar para recuperação das lagoas. “A recuperação é possível, através de desassoreamento, que é mecânico, e junto com eles, um trabalho de revegetação, de cuidado em relação ao tipo e a forma que vai se plantar”, afirmou Aurélio.

Identidade

Um outro ponto que o professor Aurélio chama a atenção é a necessidade de desconstruir o estereótipo de índio. Para ele, o índio que a escola básica traz é aquele de 1500, não é o índio contemporâneo, que tem contato com mundo não-índio e tecnologias. “Eles têm celular e nem por isso deixaram de ser índios. Não é porque você tem contato com outro povo que não é o seu, você deixa de ser aquilo que você é. É uma identidade que se renova”, constatou.

O grupo de pesquisa esteve nos território indígenas Tupinambá, Kaibé e Kiriris, que foram escolhidos para o desenvolvimento do trabalho em razão da narrativa da Cobra Grande e do assoreamento de seus mananciais. Os Kiriris se dividem em várias facções, mas o contato maior do grupo foi com uma das facções mais antigas da região, liderada pelo Cacique Lázaro.

No processo de aproximação cultural, o professor observou que a influência das drogas sobre os jovens indígenas não é tão forte, como em outras comunidades em situações de vulnerabilidade. “Essa identidade cultural os fortalece e os torna, relativamente, imunes a este tipo ataque externo. Isso é um processo muito interessante e notório em Serra do Padeiro, com os Tupinambás e também com os Kiriris”, disse.

Desafios e perspectivas

app_kiririO aplicativo está disponível no Google Play para download gratuito. Para Aurélio, a criação do app traz a possibilidade de diálogo entre os cursos de informática e da área das agrárias no IF Baiano e ressalta que o aplicativo não está pronto e acabado, mas trata-se de uma proposta inicial que poderá ser aperfeiçoada, inclusive para contemplar outras narrativas e aplicar em mais escolas do Território. Há ainda a expectativa de apresentar o projeto, em 2018, no 8º Fórum Mundial das Águas, em Brasília.

Aurélio também enfatizou a missão institucional de atender essas comunidades e as demandas dos Territórios de Identidade. “Eles tem necessidades de cursos e precisamos pensar como atender a essas comunidades. São coisas a médio e longo prazo para o Instituto responder e função da extensão: ver a problemática que se tem, trazer para pesquisa e para o ensino. Há necessidade de, organicamente, estarmos próximos desse grupos, entrar nessas comunidades, caminhar para fortalecimento da agroecologia e do Instituto junto a essas populações que mais carecem da ação do Estado”.

Baixe o app Kiriri no Google Play

Saiba mais: http://www.kiriri.com.br/

Fotos: Arquivo pessoal de Aurélio Carvalho e Print de tela do aplicativo

Leia Mais

IF Baiano no Vietnã: intercâmbio científico e relações com universidades são fortalecidos

comissao_organizadora_do_ojstd_2017No mês de abril, o IF Baiano esteve representado no “8iémes Journées Scientifiques du Tourisme Durable”, evento realizado na cidade de HO CHI MINH, Vietnã, através de uma parceria da Associação Internacional de Gestão do Turismo Sustentável e a Universidade Paris 13 Norte / Sorbonne.

Na oportunidade, o professor e pesquisador do IF Baiano, José Rodrigues, apresentou trabalho sobre um estudo da Gestão Costeira em Unidades de Conservação situadas no Baixo Sul do Estado da Bahia (APA Tinharé-Boipeba) e no Arquipélago de Fernando de Noronha, Pernambuco (APA e Parque Nacional Marinho – FN). Foram avaliadas as condições recreacionais das paisagens costeiras da ilha principal de Fernando de Noronha. (mais…)

Leia Mais

curso-fic-itaberaba

Cursos FIC: qualificação e novas perspectivas profissionais

Em tempos de retração econômica, manter-se atualizado tem sido fundamental para o trabalhador. Isso vale tanto para quem precisa entrar no mercado de trabalho, quanto para quem que já possui uma colocação. São nesses dois cenários que os cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC) atuam: ensinam uma ocupação e aprimoram os conhecimentos de profissionais ativos.

Frutos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), os cursos FIC, ou de qualificação profissional, são de curta duração e, conforme o nome indica, são ofertados em duas modalidades. Na Formação Inicial, possuem carga horária mínima de 160 horas e contemplam um conjunto de saberes que habilitam ao exercício profissional. Já os cursos de Formação Continuada aprofundam e atualizam os saberes relativos a uma área profissional dentro de uma carga horária mínima de 12 horas.

Em busca de novas perspectivas, o técnico em informática, Leone Bispo, optou pela formação inicial e concluiu o curso de Preparador de Doces e Conservas ofertado pelo IF Baiano Campus Alagoinhas. “Superou minhas expectativas”, avaliou o aluno, que até então não havia tido contato com a área. “Eu não senti dificuldades mesmo nunca tendo manipulado os produtos. Todas as aulas foram muito satisfatórias e de muito aprendizado com professores capacitados”. (mais…)

Leia Mais