Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO




Ingresso de Estudantes 2020

CLIQUE AQUI
NAPNEs promovem acolhimento e inclusão de discentes com deficiência
Atualizado em 2 de outubro de 2019 às 12:25 horas, por Cristina Mascarenhas
Publicado em 21 de setembro de 2019 às 2:00 horas, por Bianca Brito
Compartilhe nas redes sociais:
Share

Hoje, 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, é uma data para levantar o debate da inclusão e refletir sobre as conquistas e desafios no contexto da educação.

Segundo o censo mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, mais de 45 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência. Nas escolas, segundo o Ministério da Educação (MEC), o acesso de pessoas com deficiência aumentou 381% entre 2003 e 2014. Nesse intervalo, o número de matrículas de pessoas com deficiência (PcD) saltou de 145.141 para 698.768.

Contribui para o aumento de pessoas com deficiência nas escolas a adoção da educação inclusiva. No IF Baiano, os Núcleos de Atendimento a Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNE) exercem papel fundamental para a promoção da educação inclusiva, facilitando a convivência e a integração social desses estudantes e favorecendo a diversidade no âmbito escolar.

Fruto da Política da Diversidade e Inclusão do IF Baiano, aprovada em 2012, o NAPNE existe em todos os campi da instituição e busca promover ações que possibilitem o acesso, a permanência e a conclusão com êxito de pessoas com necessidades específicas nos cursos da instituição. Ou seja, os servidores dos núcleos exercem papel fundamental para o acolhimento e acompanhamento dos alunos durante todo o percurso acadêmico.

De acordo com o último levantamento da Assessoria de Diversidade e Inclusão (Proen/IF Baiano), 197 estudantes com necessidades específicas são atendidos no Instituto. Para estes estudantes e suas famílias, a inclusão da escola transforma uma realidade. “Muitas famílias que tinham pessoas com necessidades específicas isolavam seus filhos dentro de casa, não oportunizando o convívio no meio social e/ou educacional. Essa realidade passou a ser modificada e, hoje, muitas famílias têm procurado a instituição”, relata o Assessor de Diversidade e Inclusão do IF Baiano, Nilton Santos.

Exemplos que inspiram

Um exemplo de história de união de forças em prol da inclusão é a de Ronaldo Nascimento. Egresso (2017 – 2019) do curso técnico em Agrimensura do Campus Uruçuca, Ronaldo possui artrogripose congênita múltipla, uma condição que limita os movimentos das articulações. Para que ele pudesse atender às atividades acadêmicas, necessitava de uma série de adaptações para locomoção, alimentação e acesso aos diversos sítios do extenso campus de 155 hectares. Foi preciso um trabalho conjunto, orientado pelos servidores do NAPNE da unidade, envolvendo professores, colegas e toda a comunidade.

“O NAPNE atuou auxiliando a equipe de professores na sensibilização e fortalecimento da autonomia do discente, criando adaptações nos ambientes e, quando necessário, adequando as visitas técnicas. O Campus se adequou com passeios acessíveis, rampas de acesso às salas de aulas e o início do projeto de acessibilidade. A evolução dele foi notória, tanto nas aulas como nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, quando pela primeira vez teve acesso ao teatro com o projeto de extensão ‘O IF Baiano te leva ao teatro'”, narra a coordenadora do NAPNE de Uruçuca, Sara Oliveira.

“Meu acompanhamento com o NAPNE foi o mais incrível”, afirma o estudante. “Pessoas maravilhosas, sempre dispostas a ajudar o próximo, sendo simpáticas, gentis e prestativas, me auxiliaram e tornaram o meu período escolar menos difícil, seja com transporte, melhorando a acessibilidade no campus, me ajudando nas minhas refeições, falando sempre sobre os direitos que eu tinha e buscando um auxiliar que pudesse me acompanhar quando tinha necessidades”.

A dedicação de Ronaldo e a parceria com o NAPNE, colegas e professores permitiram que ele ficasse “fascinado” com o curso e tivesse a oportunidade de estagiar numa empresa em Salvador, capital do estado, onde pode conviver com outros profissionais e compreender a área de forma mais ampla. Antes mesmo de concluir o curso técnico, foi aprovado em curso superior de Engenharia Civil e vai continuar se aperfeiçoando na área que tanto estima.

Ronaldo é apenas um, entre vários exemplos de estudantes com necessidades especiais que, cotidianamente, inspiram a instituição a aprimorar o trabalho da inclusão. “No ano de 2018, o NAPNE [do Campus Uruçuca] atendeu de forma contínua 28 alunos e, até o momento, estamos com um total de 30 discentes atendidos. Dentre as necessidades, temos surdez (total e parcial), cegueira total monocular, cegueira legal, dificuldade de aprendizagem, deficiência intelectual, incoordenação motora, deficiência física, dislexia, paralisia cerebral, deficiência visual, autismo, nanismo e TDAH. Em 2019, temos dois alunos surdos em estágio curricular”, conta Sara.

Desafios

Apesar dos esforços institucionais e da comunidade acadêmica para promover a educação inclusiva, ainda há desafios a serem vencidos, como a falta de recursos humanos e financeiros e a dificuldade em atender as necessidades específicas de cada estudante dadas de acordo com o tipo de deficiência.

“O processo inclusivo se faz no caminhar, com cada especificidade Os desafios são únicos. Cada aluno apresenta uma demanda e uma adaptação diferente. Temos poucos recursos, mas uma luta incessante para que o processo de ensino e aprendizagem da pessoa com deficiência aconteça com igualdade, ainda que nem sempre haja investimentos para que os Núcleos possam funcionar atendendo de forma plena a legislação”, lembra Sara.

Com a adoção de políticas e estratégias para a promoção da educação inclusiva, a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica tem avançado e mais pessoas com deficiência estão conseguindo acesso ao ensino público e gratuito. No entanto, a luta é contínua e de todos. No ambiente escolar, a inclusão só acontece com a participação de todos os estudantes, servidores e colaboradores envolvidos no acolhimento dos colegas com deficiência. É assim que, segundo Sara, “o discente se fortalece, saindo de coadjuvante para protagonista de uma nova trajetória em sua vida”.

Imagens: Arquivo Pessoal/Sara Oliveira

Confira as tags desta publicação:

Endereço: Rua do Rouxinol, nº 115 – Bairro: Imbuí | Salvador - BA CEP: 41720-052 | CNPJ: 10.724.903/0001-79 | Telefone: (71) 3186-0001
E-mail: gabinete@ifbaiano.edu.br / faleconosco@ifbaiano.edu.br