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Projeto do IF Baiano é selecionado para o ConectaIF 2019
Atualizado em 25 de junho de 2019 às 13:52 horas, por Bianca Brito
Publicado em 25 de junho de 2019 às 13:52 horas, por Bianca Brito

Ação com catadores de lixo é uma das dez Experiências Integradoras Exitosas da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica selecionadas nacionalmente para o evento.

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Durante dez meses, estudantes e professores do IF Baiano observaram de perto a realidade de catadores de lixo, identificaram suas dificuldades e necessidades e conseguiram marcar suas vidas oferecendo cuidados e informação. O relato dessas ações é uma das dez Experiências Integradoras Exitosas da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica selecionadas para o Conecta IF. O Encontro de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (ConectaIF) de 2019 é realizado pelo Instituto Federal de Brasília (IFB) e está previsto para acontecer de 26 a 30 de agosto, no Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha).

Intitulado ‘Saúde e Segurança com Catadores do Lixão do Orobó em Valença – BA’, o projeto desenvolveu-se de fevereiro a novembro de 2018. A ideia de realizar um trabalho de intervenção junto aos catadores surgiu durante a disciplina Projeto Integrador do curso técnico subsequente em Meio Ambiente e envolveu a participação da professora Patrícia Oliveira (coordenadora das ações) e de dez estudantes do curso. Contou, ainda, com a colaboração da professora da disciplina de Antropologia Cultural, Célia Pedrosa.

A iniciativa incluiu a realização de visitas técnicas ao lixão do Orobó com o objetivo de aproximar o Instituto, levar informação sobre saúde e segurança e conhecer a rotina das pessoas que tiram da catação de resíduos o sustento das famílias. A culminância das ações se deu durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, a qual trabalhou o tema “ciência para redução das desigualdades”. Durante evento promovido pelo Campus Valença, o projeto levou famílias de 30 catadores à unidade educativa de campo do IF Baiano, e distribuiu kits de EPI (Equipamento de Proteção Individual) – adquiridos após campanha nas redes sociais – , realizou vacinação de adultos e crianças, promoveu brincadeiras e uma palestra com a representante do Movimento Nacional dos Catadores, Jeane dos Santos.

Expectativa x realidade

Nas visitas ao lixão, os realizadores do projeto puderam observar a grave situação de vulnerabilidade social e irregularidade ambiental vivida pelos catadores. “Inclusive, em uma das visitas, fomos ‘colocados para correr’ pelos catadores. Eles não queriam conversar conosco e não nos possibilitaram acesso à área do lixão. Aí a gente percebeu que ali realmente tinha demanda para fazer uma intervenção, algo que pudesse aproximar o Instituto dessas pessoas”, relatou.

No entanto, “a execução foi muito diferente das expectativas”, segundo Patrícia. O caminho percorrido até que pudessem superar a resistência e conquistar a confiança dos catadores foi desafiador. “Outras pessoas já tinham ido lá e tentado fazer algum tipo de projeto e não tiveram êxito. Então, a gente teve que fazer várias visitas e, muitas, inicialmente, foram em vão”. O acesso ao local também foi um problema, que se intensificava nos períodos chuvosos. “A partir dessas dificuldades também, a gente pôde perceber algumas peculiaridades daquele local e daquelas pessoas”, completou.

Durante os trabalhos, informações sobre a adequação dos municípios à Política Nacional de Resíduos Sólidos também foram passadas aos catadores, os quais serão diretamente afetados com a obrigatoriedade de implantação dos aterros sanitários. “Muitos nem sabiam que, em algum momento, o lixão iria ser desativado e, neste momento, eles precisam se organizar para trabalhar em cooperativas, para que eles não fiquem sem trabalho”.

Falta de informação, suscetibilidade à contaminação e aquisição de doenças, alto risco de acidentes de trabalho, alcoolismo e exclusão social foram alguns dos principais problemas enfrentados pelos catadores, identificados com o projeto. “Falta mais valorização dessas pessoas que estão à margem e não tem acesso, muitas vezes, a direitos que são básicos”. Dessa forma, a docente ressalta a relevância da iniciativa de aproximar o grupo do Instituto. “Um outro ganho para os catadores foi a nossa relação com eles. Para os nossos estudantes, perceber aquela realidade, não só a parte ambiental, mas a parte social foi muito importante para sensibilizar os estudantes sobre o nosso papel em relação aos resíduos sólidos e, também, a essas pessoas”.

Fotos: Arquivo do projeto

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